Razão ou emoção
Razão ou emoçãoFoto: Arte: Folha de Pernambuco

Já se perguntou o que você faria numa situação ameaçadora no ambiente de trabalho? Ter um desentendimento com a equipe, receber um feedback negativo da diretoria ou falhar em uma atividade importante exigem equilíbrio emocional e racional para o desenrolar dessa história. Como ninguém está livre de passar por situações como essas, ainda mais num mundo tão imediatista e competitivo quanto o empresarial, a dica dos gestores de recursos humanos é exercer o autoconhecimento e analisar os pequenos erros assim que eles acontecem.

É que em momentos de provação, a tendência de muitas pessoas é ficar tomada pelas emoções e perder a condição de ter conversas corajosas que sejam produtivas. Ainda mais porque, do outro lado, é sempre esperado uma resposta competente e adequada a esse momento. Segundo Bettina Krutman, sócia da consultoria Competência no Desenvolvimento Humano, existem estratégias para não se deixar levar pela primeira coisa que vem na cabeça.

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Uma das orientações é trabalhar a chamada comunicação não violenta. “Essa técnica é poderosa para lidar com conflitos. Ela trabalha com a comunicação empática, o que significa muito mais do que o nosso senso comum de se colocar no lugar do outro”, explica. “A empatia é extremamente difícil. Ela implica em reconhecer a cena que me dispara a emoção, entender que sentimento eu tenho, enxergando que atrás desse sentimento existe uma necessidade minha não satisfeita. Além disso, implica em ter a abertura para entender e validar a necessidade do outro”, diz ela que também ministra o workshop “conversas difíceis” e lida ainda com temas como neurociência das emoções e estratégias para autocontrole.

O lado positivo é que, diferente de tempos atrás, as empresas estão cada vez menos tratando o colaborador como uma máquina operacional. Motivo para as equipes de RH observarem com mais atenção às situações em que a impulsividade vem à tona. Em outra época o primeiro ato impensado já seria motivo para demissão.

Juliana Queiroga, diretora executiva da Grow Consulting, lembra que há alguns anos, o neurocientista português Antonio Damasio acompanhou e estudou um grupo de pessoas que tinham sofrido algum tipo de dano à área do cérebro onde as emoções são geradas. Ele descobriu que estas pessoas levavam uma vida inteiramente normal a não ser pelo fato de não conseguirem sentir emoções. Estes indivíduos também tinham outro fator em comum: eles não conseguiam tomar decisões. Mesmo conseguindo descrever logicamente o passo a passo das ações que tomavam, eles apresentavam dificuldade em tomar simples decisões como escolher o que comer numa refeição, por exemplo.

“A descoberta de Damasio reforça a ideia que a razão e a emoção andam de mãos dadas. Mesmo com uma série de explicações racionais e lógicas, nossas decisões são pautadas por nossas memórias, opiniões e experiências prévias. Nosso cérebro cria atalhos em forma de emoções para nos ajudar nos processos decisórios porque não temos tempo suficiente para refletir sobre todos os fatores”, diz Queiroga. Na prática, vale sempre parar alguns segundos que seja, antes de responder algo que possa machucar, denegrir e comprometer a si mesmo. E se algo foi dito mesmo assim, corrigir só depois de os ânimos acalmarem.

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