Ruas vazias em período de combate à Covid-19 no Brasil
Ruas vazias em período de combate à Covid-19 no BrasilFoto: Marcello Casal/Agência Brasil

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, na última terça-feira, repercutiu em diversos setores. E na economia não foi diferente. Pelo discurso de Bolsonaro, ele defende que a atividade econômica precisa estar em funcionamento para manter os empregos. O presidente disse: “o sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade”. No entanto, ele contraria autoridades sanitárias do mundo, e do próprio Ministério da Saúde, que defendem o isolamento social para conter o aumento dos casos de coronavírus. E essa foi a atitude orientada ou determinada à população por governadores de estados brasileiros. Entidades do setor econômico dividem opinião quanto ao impacto dessa redução do contato social.

Em coletiva de imprensa, ontem, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mudou um pouco o discurso. Segundo o ministro, é preciso melhorar a quarentena estabelecida em alguns estados porque ficou desarrumado. “Foi precipitado, foi cedo”, disse Mandetta. Inclusive, ontem, antes da coletiva, Bolsonaro falou com jornalistas e disse que iria conversar com Mandetta para definir um isolamento vertical, em que ficam com restrições sociais os idosos e outros grupos de risco. Durante a coletiva, a equipe de saúde do governo disse que está analisando essa situação.

O superintendente do Sebrae-PE, Francisco Saboya, defende que o Brasil tem que parar com a dicotomia ‘se salva vidas ou se salva a economia’. “É preciso salvar os dois. Não dá para isolar uma coisa da outra. As duas crises, sanitária e econômica, devem ser trabalhadas em paralelo. Isso que o presidente disse que, se o isolamento social continuar a atividade econômica vai sofrer ainda mais, não é assim. E temos uma solução para isso”, afirmou Saboya.

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Ainda segundo o superintendente do Sebrae-PE, o que o governo deveria fazer é manter os pequenos negócios com um pacote de créditos novos. “O governo tem que socorrer os pequenos negócios em três modalidades: crédito na modalidade de subvenção, de juros zero e de juros baixos com prazo longo para amortizar a dívida”, defendeu Saboya.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE) informou, por meio de nota, que está seguindo o decreto estadual do governador de Pernambuco, Paulo Câmara. “Enquanto o decreto estiver em vigor, a Federação o cumprirá”.

Por sua vez, o presidente da Sociedade Pernambucana de Planejamento Empresarial (SPPE), Márcio Borba, defende que o isolamento social não é a melhor alternativa para conter a pandemia do coronavírus. “O isolamento impõe queda na atividade econômica de forma violenta. Em uma sociedade rica, é possível parar por dois a três meses. Mas, no Brasil de hoje, é perverso. Como o pobre vai colocar comida na mesa? Se continuar o isolamento, as pessoas vão ficar sem dinheiro”, argumentou Borba, que defende a mitigação como alternativa no caso do coronavírus, cuidando de todos, mas, sobretudo, do grupo de risco.

A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), por meio de nota, comunicou: “Neste momento, a saúde dos nossos profissionais é a nossa prioridade e o confinamento social, até o momento, é o único caminho para o controle dessa pandemia”. De acordo com a entidade, eles estão em contato constante com as autoridades para uma melhor saída na crise da saúde pública e da economia.

Logística

Em coletiva, o ministro Mandetta ressaltou que está com dificuldade de enviar insumos, medicamentos e equipamentos para estados e municípios devido à pouca oferta de voos. “Os Equipamentos de Proteção Individual vão para o aeroporto, mas não conseguem ser embarcados devido a voos cancelados ou já lotados. Vou conversar com o ministro Tarcísio (Infraestrutura) para uma solução na logística”.

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