Diplomacia Econômica

Rainier Michael

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Na Estônia, em 1990, todas as escolas já tinham acesso à internet e, no ano de 2000, o governo declarou que o acesso à internet era um direito do ser humano
Na Estônia, em 1990, todas as escolas já tinham acesso à internet e, no ano de 2000, o governo declarou que o acesso à internet era um direito do ser humanoFoto: Pixabay

“O mundo está “mudando” tão rápido estes dias que, ao falar que algo não é possível realizar, geralmente será interrompido por alguém que já está fazendo”.
                                                -- Elbert Green Hubbard.

Como está a diplomacia atual? Como avaliamos a capacidade de solução de conflitos, geração de bem-estar e de um comércio justo e socialmente sustentável, não apenas de um país, mas de uma região ou um bloco econômico?

Observo que a mudança de noção de tempo tem acelerado os processos de tal maneira que a nossa capacidade, como ser humano, de refletir e reagir, está cada vez mais rápida e, assim, mais suscetível a erros.

Ao mesmo tempo, empresas tradicionais estão perdendo a corrida ou o “timing”. Estas acabam se, tornando alvos fáceis para a concorrência, acelerando fusões e aquisições e, no caso de uma concorrência desleal, resultando na extinção delas. Esta situação é clara em nosso dia-a-dia nas instituições públicas que demonstram dificuldade em prover o mínimo necessário para o cidadão.

Lembro de quando tinha um aquário em casa e observava a situação de um peixe que, por alguma razão, nadava sem rumo nem prumo, em clara demonstração de falta de equilíbrio e força. A resultante era óbvia, este se tornara uma presa fácil para os outros, mesmo quando o peixe enfraquecido não representava mais uma ameaça.

Como falar em acordos internacionais entre blocos econômicos, que demoram quase 20 anos para serem finalizados? Ou seja, praticamente uma geração perdida. Quantos negócios, quantas vidas poderiam ter sido impactadas de forma positiva se as negociações tivessem se concluído com brevidade?

Mas nem tudo está perdido. No Brasil ainda é muito pouco conhecido e deveria ser objeto de grande discussão: o projeto e-Estônia. Exemplo da pequena Estônia que tem se reinventado, não apenas no poder público e serviços, mas na definição clássica de um país e nação.

e-Estônia é um movimento feito pelo governo da Estônia para facilitar as interações entre seus cidadãos com o estado/governo através de soluções eletrônicas/internet. E-Serviços são criados dentro das iniciativas e-Voting, e-Tax Board, e-Business, e-Banking, e-Ticket, e-School, University via internet, e-Governance Academy, assim como a utilização de diversos aplicativos.

Não pretendo neste curto espaço detalhar todas as ações, mas sim um pouco da sua história e sobre o e-Residencia.

História
Em 1991 a Estônia teve a sua independência como um estado soberano após a ocupação Soviética. Anteriormente a esta data, a tecnologia não fazia parte da vida do país onde metade da sua população nem linha telefônica tinha. Logo após sua independência, o primeiro ministro Mart Laar plantou as bases da modernização do país para entrar na era digital.

Logo após a sua independência, a Estônia recusou a oferta da Finlândia de receber seu sistema análogo de graça, optando por construir sua própria rede digital de telefone. Em 1990, todas as escolas já tinham acesso à internet e, no ano de 2000, o governo declarou que o acesso à internet era um direito do ser humano.

e-Residencia
No final de 2014, a Estônia se tornou o primeiro país a oferecer a “residência eletrônica’ para pessoas de outros países, dando assim um grande passo no sentido da ideia de um “país sem fronteiras”. Neste programa “não residentes” podem solicitar e obter uma identidade “smart card’ emitida pelo estado, liberando acesso aos vários serviços eletrônicos que um residente “físico” teria.

Precisamos olhar para exemplos como estes da Estônia, se quisermos colocar em prática uma Diplomacia 4.0 ágil, inclusiva e sócio ambientalmente responsável.

*Empresário há 35 anos e Presidente do Iperid (primeiro THINK TANK do Nordeste) – Instituto de Pesquisa Estratégica em Relações Internacionais e Diplomacia, Rainier Michael tem ampla experiência em trocas internacionais. O trabalho realizado por ele junto ao consulado esloveno, e designado “Diplomacia Econômica”, interpreta sob uma visão humana o desenvolvimento e o crescimento do Nordeste. Paulista de nascença, Michael se mudou para Pernambuco há dez anos, quando seus negócios no Estado cresceram de forma a tornar indispensável sua presença aqui. Seu comparecimento nos mercados pernambucanos, entretanto, é mais antigo do que isso. Antes de assumir o consulado, já era representante da DBG - Sociedade Brasil-Alemanha no Nordeste. É destacável, também, sua atuação enquanto presidente do Rotary Club Recife Boa Viagem. (colunadiplomacia@gmail.com)

* A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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