"É  preciso conscientizar e expandir o uso responsável do crédito”, diz Ferreira
"É preciso conscientizar e expandir o uso responsável do crédito”, diz FerreiraFoto: Ivis Simone

 

Apesar de ter ganhado força nos últimos anos, a inclusão bancária não foi acompanhada por um processo de educação financeira adequado no Brasil. Pelo menos é isto que mostram dados do Banco Central (BC). Segundo a instituição, quase 90% dos adultos brasileiros já mantêm algum tipo de relacionamento com o sistema financeiro.

Por outro lado, 70% da população não costuma poupar dinheiro e a maior parte dos clientes bancários que tomam crédito no Brasil estão na faixa de renda mais baixa, que historicamente mantém uma taxa de inadimplência alta e registrou o maior nível de comprometimento de renda do País nestes dois últimos anos de recessão.
“A população brasileira está cada vez mais bancarizada e financeiramente incluída, tanto que é cada vez maior a utilização de tecnologias digitais. Por outro lado, o nível de educação financeira ainda é muito baixo. Por isso, é preciso conscientizar e expandir o uso responsável do crédito entre a população mais vulnerável”, defendeu o diretor de relacionamento institucional e cidadania do BC, Isaac Ferreira, durante o 11º Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento (CMEP), promovido pela Associação Brasileira das Empresas de Cartão (Abecs) em São Paulo.
Ele ainda contou que os cartões de crédito saem na frente quando se analisa o uso dos produtos financeiros no Brasil. Eles representam 45% das operações, enquanto os carnês de lojas somam 23,4%; a conta poupança, 20,3% e o cheque especial 6,7%. Empréstimo pessoal, crédito consignado e financiamentos em geral também não passam dos 7% neste ranking.

Por isso, Ferreira pediu que os bancos e os emissores de cartão colaborem com o BC na missão de educar financeiramente a população, a fim de reduzir a inadimplência e garantir a sustentabilidade do sistema bancário nacional.
Ferreira justificou o pedido lembrando que a bancarização apresentou taxas de crescimento anuais de aproximadamente 3,3% nos últimos anos, deixando quase todos os municípios brasileiros com algum ponto de relacionamento com o sistema. “Segundo o IBGE, vamos fechar o ano com cerca de 206 milhões de habitantes, dos quais 160 milhões são adultos. Desses 160 milhões, quase 90% têm algum tipo de relacionamento bancário. São 140 milhões de pessoas. E 55 milhões deles são tomadores de crédito.

É um dado bastante elevado, representa 35% da população adulta”, contou Ferreira, frisando que 65% desses tomadores de crédito estão na faixa de menor poder aquisitivo, que recebe até cinco salários mínimos por mês. E isto é um reflexo da falta de organização financeira da população, segundo o BC.
Pesquisa do Instituto Brasileira de Ação Educativa explica que 70% dos adultos brasileiros têm um nível educacional baixo. Entre eles, 27% são considerados analfabetos funcionais e 42% estão em um nível elementar e, portanto, só conseguem fazer operações matemáticas básicas, como calcular o valor de uma compra e do troco, sem entrar na questão das porcentagens ou proporções.

Por isso, o hábito de poupar continua de fora da vida de 70% dos brasileiros. É uma parcela da população que, por não ter poupança, está propensa a recorrer aos financiamentos e acabar endividada.

 

veja também

comentários

comece o dia bem informado: