Encontro discutiu o futuro das startups
Encontro discutiu o futuro das startupsFoto: Divulgação

"As startups brasileiras precisam se apegar aos problemas e não às soluções que desenvolvem", pontua o professor e fundador do Instituto C.E.S.A.R, Silvio Meira, sobre um comportamento das novas empresas de tecnologia. A necessidade apontada pelo especialista foi destacada em reunião do Porto Digital, ontem, com a Agência Brasileira de Desenvolvimento da Indústria (ABDI) - ligada ao Ministério do Desenvolvimento. O intuito do encontro, além de debater os problemas do setor de tecnologia industrial, foi firmar uma parceria entre o Porto e a ABDI para criar um núcleo de produtividade e inovação - a Rede Nacional de Produtividade e Inovação (Renapi).

O novo programa deverá apoiar e estimular aglomerações produtivas em ações voltadas ao desenvolvimento da indústria local. Com a novidade, o presidente da ABDI, Guto Ferreira, estima que a indústria exportadora do Brasil pode perder o perfil de commodities e passar a ser de inovação. "Atualmente, o País vende para fora matéria-prima a preços - muitas vezes - mínimos e importa produtos prontos pelo triplo do valor", relata. E o motivo é simples: a expressão da indústria de transformação é efêmera.

Por causa dessa realidade, Ferreira viu que o setor precisa passar por uma verdadeira revolução. "O Estado é analógico e cartográfico. Nós precisamos do digital, senão seremos engolidos e o Brasil ficará ultrapassado", afirma categórico. Só que, infelizmente, o ecossistema desses desenvolvedores de tecnologias e softwares capazes de resolver esses problemas ainda é atingido pelo sistema econômico e político brasileiro, na avaliação de especialistas. “Esse aspecto está sendo pensado pela ABDI”, garantiu Ferreira. Outro problema é a falta de engajamento dos empreendedores com ideias criativas para o ramo industrial.

"A maioria das startups pensa em inovar, mas não se concentra em otimizar ideias já existentes", destaca o presidente do Porto Digital, Francisco Saboya. "A maior carência, nos dias de hoje, é exatamente resolver os problemas de maneira inteligente e eficiente para as indústrias", completa. Mas, então, como ultrapassar essa barreira? Para o empresário argentino Juan Bernabó, que participou da reunião, a resposta é quase uma fórmula: aliar o planejamento financeiro com o talento e a rebeldia. Para ele, é preciso que o futuro seja criado de agora e não será preciso tentar prevê-lo.

A fim de quebrar as barreiras e suprir a demanda da indústria, a Renapi deverá facilitar a atração de investidores para as startups. "O grande desafio, hoje, é vender um serviço e gerar nota fiscal. Se o projeto auxiliar neste processo já será uma conquista", comentou o presidente do parque tecnológico, Francisco Saboya.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: