929 agências encerraram operações apenas este ano
929 agências encerraram operações apenas este anoFoto: Arthur mota/arquivo folha

Em processo de digitalização, os bancos brasileiros fecharam 929 agências só nos cinco primeiros meses deste ano. Segundo o Banco Central (BC), o número é maior que o total de encerramentos visto em 2016: 279. E isso afetou em cheio os empregos bancários. O Dieese afirma que as instituições financeiras já fecharam 9.621 postos de trabalho em 2017, 60,4% a mais que no mesmo período do ano passado.

Procuradas pela reportagem, as instituições financeiras afirmaram que a redução na rede de agências se explica pela reestruturação e digitalização dos bancos. Elas afirmam que a baixa não afeta o atendimento ao consumidor, devido ao uso cada vez maior de canais digitais. Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma que 57% das operações bancárias já são realizadas por mobile e internet banking. Já as agências físicas recebem só 8% das transações. Por isso, a redução da rede física seria uma adaptação.

“A rede de atendimento passa por mudanças para se adequar ao novo perfil e comportamento dos clientes”, confirmou o Banco do Brasil (BB), que fechou 390 agências desde que anunciou um plano de reestruturação em novembro de 2016. “Na medida em que nos demandam um atendimento mais digital, reduzimos os pontos físicos localizados próximos uns dos outros”, completou o Itaú.

Os bancos garantem, por sua vez, que o atendimento pessoal não vai acabar. “As agências continuarão existindo e ainda terão um papel muito importante. Mas passarão por transformações, tanto nos modelos de atendimento quanto no seu propósito”, afirmou o Santander, que aposta em uma agência loja para a venda de serviços bancários complexos. “Nos últimos anos, esse canal está passando por um movimento importante de readequação e redefinição de papel. As agências tem se posicionado cada vez mais de forma consultiva”, acrescentou a Febraban.

Para os bancários, no entanto, a redução também traz muitos prejuízos, tanto porque reduz os empregos quanto porque deixa comunidades e às vezes até cidades desassistidas. Em Pernambuco, por exemplo, esse problema é comum, segundo o Sindicato dos Bancários. É que, no Estado, a redução da rede de agências foi ainda maior em vista da onda de roubos e explosões vistas, sobretudo, nos bancos do interior desde o ano passado. “Muitas das agências que foram explodidas não foram reabertas. E isso é ruim até para o comércio, já que as compras acabam sendo feitas na cidade vizinha”, contou a presidente sindical, Suzineide Rodrigues.

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