Diretora da BMC no Brasil, Marcia Nakahara
Diretora da BMC no Brasil, Marcia NakaharaFoto: Divulgação

Você sabia que a sua profissão pode deixar de existir em apenas dois anos? Parece uma afirmação radical, mas é nisso que acreditam consultorias de tecnologia como a BMC. A líder global em soluções de softwares explica que a “transformação digital das empresas” já é uma realidade. Afinal, recursos como big data, internet das coisas, blockchain e cloud viraram parte da rotina dos negócios. Só que, além de facilitar a rotina produtiva, essas inovações impactam fortemente o mercado de trabalho, tanto que vão mudar muitas das carreiras que conhecemos hoje. Por isso, para a BMC, 54% das ocupações que vão existir em 2019 ainda não foram criadas e 70% das profissões dos nossos filhos são diferentes das que temos hoje.

“A transformação digital das empresas já é uma realidade. Para se ter uma ideia, 99% das maiores empresas listadas pela Forbes já estão nessa jornada. E isso revoluciona o mercado não somente em termos de tecnologia, mas também no campo profissional. Hoje, já vemos carreiras que há alguns anos não existiam. E o mercado continua demandando um tipo diferente de qualificação profissional. Por isso, as profissões dos nossos filhos serão totalmente diferentes das nossas”, afirmou a diretora da BMC no Brasil, Marcia Nakahara, destacando que a tecnologia será o cargo chefe dessas novas profissões. “Do receio de sermos substituídos por máquinas, passamos à criação do perfil profissional que usa a tecnologia, visto que novas posições e conhecimentos foram requisitados com a transformação digital das empresas”, disse, apotando como carreiras do futuro o cientista de dados e os especialistas em robótica e inteligência artificial.

Vice-presidente da BMC na América Latina, Eduardo Lugo garantiu que essas mudanças não significam uma redução do número de empregos disponíveis no mundo. “A tecnologia não vai, necessariamente, eliminar algumas carreiras. Não vai faltar emprego. O que vai mudar é a forma como você trabalha. Vamos ver, por exemplo, menos pessoas fazendo trabalhos repetitivos. As pessoas não vão perder tempo em trabalhos que o sistema pode fazer automaticamente com um custo menor. Elas serão reposicionadas para um trabalho que faz sentido e poderão utilizar seu talento em outro lugar”, argumentou, reconhecendo que essa reposição vai exigir mais qualificação do trabalhador.

“Não dá mais para pensar que o seu trabalho será o mesmo para sempre. A tecnologia pode fazer com que seu trabalho seja diferente. Então é preciso se adaptar, ter flexibilidade. Então, além de olhar para quais são as possíveis novas carreiras do futuro, pense também em como é possível fazer o que faz hoje de forma mais efetiva com a adoção da tecnologia”, recomendou o executivo, durante o BMC Exchange, evento que discutiu essa e outras tendências da transformação digital dos negócios em São Paulo. “Dizer que os empregos atuais não existirão no futuro não significa que todo mundo vai ficar desempregado, mas que as pessoas terão que aprender uma coisa nova. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 90% dos casos de primeira instância já são analisados por advogados virtuais, porque a inteligência artificial consegue interpretar a jurisprudência de todo o país em segundos. O ganho de causa já é de 95% nesses casos. Por isso, o advogado terá que se especializar em outros assuntos. Com os médicos de primeiro-socorro é a mesma coisa. Afinal, já existem máquinas que escaneiam o corpo humano, encontram o problema e indicam o remédio necessário”, completou o diretor de tecnologia do Great Place to Work, José Roberto Paim Neto.

Ele pondera, por sua vez, que essa necessidade de aperfeiçoamento tecnológico pode ser um problema para muita gente. Afinal, metade da população mundial ainda não tem acesso à internet. “Esse prazo de dois anos pode se estender um pouco mais em alguns locais. Mas grandes cidades, que já estão conectadas, com certeza estarão muito próximas da transformação digital em 2020”, disse, lembrando que este é o caso da capital pernambucana. “Recife é um polo tecnológico muito interessante, que tem o Porto Digital, o Cesar e tantas outras empresas pesquisando sobre Tecnologia da Informação (TI)”, disse.

Caminho é irreversível
Adotar a tecnologia no dia a dia empresarial parece ser um caminho irreversível porque, segundo a BMC, traz muitas vantagens para as corporações. A chamada transformação digital das empresas promete, entre outras coisas, reduzir os custos, otimizar o tempo, estreitar o contato com os clientes, aumentar a eficiência e a produtividade. Por isso, tem sido tratada como uma chave para o crescimento das empresas e recebido cada vez mais investimentos - segundo a companhia multinacional de software, US$ 203 bilhões serão investidos em big data e business analytics no mundo até 2020.

“O mercado está muito receptivo a esse tipo de mudança e já entende que a transformação digital é uma realidade. Tem quem diga até que não dá mais para fugir disso. Por isso, também temos notado uma demanda crescente das empresas por esse tipo de serviços no Brasil, apesar da situação econômica que o País enfrenta", revelou Marcia Nakahara, contando que, por oferecer as soluções necessárias para que essa transformação seja realizada no âmbito dos negócios, a BMC está ampliando o seu campo de atuação no Brasil. Recentemente, até fechou negócio com uma empresa pernambucana.

Marcia não pode revelar muitos detalhes do contrato, o primeiro fechado no Estado, por questões de confidencialidade. Só disse que a empresa é do setor industrial e vai trabalhar com a BMC em duas vertentes: automação e atendimento ao cliente interno e externo. A executiva garantiu, por sua vez, que quer conquistar novos parceiros pernambucanos e, para isso, já pensa até em visitar o Porto Digital.

E parece que a empresa tem mesmo espaço para crescer no mercado nacional. Pesquisa realizada com executivos brasileiros revelou que 86% dos profissionais de TI pensam em mudar o gerenciamento de suas operações. E as soluções oferecidas pela BMC podem ser úteis nesse processo. Afinal, 66% desses profissionais já dizem que a nuvem pode reduzir os custos e 42% vêem a Internet das Coisas como uma disrupção dos seus modelos de negócio.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: