Contatos para a importação do crustáceo foram de iniciativa de grupos brasileiros, que buscavam opção aos preços locais
Contatos para a importação do crustáceo foram de iniciativa de grupos brasileiros, que buscavam opção aos preços locaisFoto: Divulgação

Produto considerado premium e carro chefe da economia do Equador, o camarão do país estrangeiro volta ao mercado brasileiro após 19 anos. Desde o fim de 2017, foi aberto o caminho para a importação desse item e da banana equatoriana. Em contrapartida, o Brasil conseguiu redução de impostos para exportar calçados, produtos têxteis e veículos para o Equador, estimulando a balança comercial entre os dois países. Para o consumidor, a boa notícia é que, com a concorrência, a tendência é de queda nos preços, que sofreram forte majoração - da ordem de 52%, segundo revendedores- após a doença da mancha branca atingir o crustáceo nacional.

Hoje a demanda brasileira por camarão é de três a quatro vezes maior que a oferta, segundo estudo do escritório comercial da Embaixada do Equador (Pro Ecuador). “A produção do camarão no Brasil caiu 40% devido à doença da mancha branca que afetou os animais e a demora para essa produção ser recuperada. Então, empresas que usam o camarão como matéria-prima foram atingidas e procuraram o Equador para tentar estabelecer soluções”, explicou o diretor do Pro Ecuador, Alexis Villamar.

Leia também:
Importações crescem e diminui saldo da balança comercial


Após as consultas feitas por grupos brasileiros, 23 empresas equatorianas de produção de camarão solicitaram ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) do Brasil um certificado para exportação. “As empresas encaminharam ao órgão brasileiro documentos com informações sanitárias sobre o produto para serem avaliadas quanto à presença de pragas”, explicou Villamar, acrescentando que os documentos foram avaliados e cerca de um ano depois a habilitação foi concedida. Hoje, cinco empresas já iniciaram as exportações.

O Sudeste do Brasil já começou a receber o camarão equatoriano, que também será enviado para o Nordeste e outras Regiões através do acordo com empresas importadoras. “O Sudeste estava com grande necessidade de obter camarão. Então já foi iniciada a operação para esses estados”, disse Villamar.

Segundo a análise do Pro Ecuador, a balança comercial é deficitária do seu lado, mas a  partir dessa medida deve haver um maior equilíbrio. “O Equador exportava para o Brasil entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões por ano. Já o Brasil exportava para o Equador cerca de US$ 1 bilhão no mesmo período”, explicou Villamar. Segundo ele, o objetivo é aumentar para cerca de US$ 300 milhões por ano a receita da exportação com o camarão e a banana.

Banana
Por sua vez, o ingresso da banana equatoriana pretende ter força nos meses de entressafra no Brasil. “A produção de banana no Brasil apresenta queda nos meses de abril a junho. Então a programação é para que o Equador supra esse mercado”, comentou Villamar, acrescentando que o objetivo será manter o abastecimento local com o mesmo nível de preço. A autorização pelo governo brasileiro foi conferida também no fim do ano passado. “O País importou a banana do tipo Cavendish, já que não tem produção do alimento no Brasil. Para o consumidor, a operação será diferenciada tanto pelo preço, quanto pelo sabor”, explicou Alexis Villamar.

De acordo com a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), os preços do alimento devem se manter estáveis com o ingresso da produção equatoriana. “A questão principal é que a banana do Equador consegue ser vendida com preço mais em conta do que a brasileira. Mas, não deve impactar o mercado do Brasil, pois não há uma concorrência direta, já que o alimento do Equador é de outro tipo, mais gourmet”, explanou o vice-presidente da SNA, Helio Sirimarco, ao complementar que é preciso ficar atento para que pragas que existem na banana do Equador não cheguem no Brasil.

Por outro lado, o Brasil obteve uma redução nos impostos para exportação de itens têxteis, calçados e veículos. “Até o momento, o Equador ainda está no início das exportações para o Brasil, com quantidades ainda pequenas do camarão e da banana. Entretanto, o Brasil já conseguiu exportar cerca de US$ 300 milhões em receita para o Equador com vários itens”, apresentou Villamar, informando que o Brasil é o maior produtor de banana do mundo e o Equador é o maior exportador da mercadoria.

Contatos para a importação do crustáceo foram de iniciativa de grupos brasileiros, que buscavam opção aos preços locais
Contatos para a importação do crustáceo foram de iniciativa de grupos brasileiros, que buscavam opção aos preços locaisFoto: Divulgação
Alexis Villamar, diretor o Pro Ecuador
Alexis Villamar, diretor o Pro EcuadorFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco
Camarão
CamarãoFoto: Divulgação
Banana
BananaFoto: Divulgação

veja também

comentários

comece o dia bem informado: