Engarrafamento de vinho
Engarrafamento de vinhoFoto: Arquivo/Folha de Pernambuco

Nunca se produziu tanto vinho no Brasil. Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), foram 340 milhões de litros só em 2017. É um crescimento de 169% em relação ao ano anterior, que aparece justamente no ano em que a tradicional produção europeia declinou, animando ainda mais os produtores nacionais. O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) explica, no entanto, que grande parte desse indicador reflete a recuperação da produção gaúcha, que quebrou em 2016. Mas o número também impacta os negócios do Vale do São Francisco. Só a vinícola pernambucana Rio Sol fabricou 900 mil garrafas a mais que o normal em 2017. E a expectativa é elevar ainda mais esta produção neste ano.

Segundo a OIV, a produção mundial de vinho caiu 8,6%, ficando em 250 bilhões de litros em 2017, o nível mais baixo desde 1957. O recuo reflete a queda de 14,6% dos vinhedos europeus, afetados por condições climáticas rigorosas. Porém, passou longe da América do Sul. Afinal, o clima adverso já havia passado por aqui ano anterior, com o El Niño. “Como estamos em hemisférios diferentes, temos períodos diferentes de colheita. Por isso, a Europa teve quebra de safra em 2017. Já nós sofremos em 2016”, explicou o diretor técnico do Ibravin, Leocir Botegga, lembrando que, naquele ano, a produção do Rio Grande do Sul, que representa 90% do mercado nacional de vinhos, quebrou devido à incidência de geadas e granizos. “Já em 2017, tivemos a maior safra de todos os tempos. Recuperamos as perdas de 2016 e ainda crescemos um pouco em relação à média histórica”, disse Bottega.

Os dados do Ibravin, no entanto, são um pouco mais otimistas que o OIV. Segundo o instituto, o Brasil produz historicamente 370 milhões de litros de vinho por ano. Em 2016, a fabricação foi de 200 milhões de litros. Em 2017, saltou para 485 milhões de litros. Desconsideradas as divergências de valor, o fato é que o Brasil assumiu a 14ª posição no ranking de maiores produtores de vinho da OIV.

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Apesar de essa conquista refletir sobretudo a produção gaúcha, os produtores do Vale do São Francisco garantem que também houve alta por aqui. “Não houve perdas na nossa produção, nem em 2016. Estamos produzindo normalmente”, disse o presidente da Associação dos Produtores e Exportadores de Hortifrugranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport), José Gualberto, calculando que cerca de 10 milhões de litros da produção nacional venha do Sertão nordestino, graças à produção de 15 milhões de quilos de uvas.

“Produzimos muito mais do que em 2016. Só a Rio Sol ampliou a sua produtividade de 1,4 milhão de garrafas para 2,3 milhões de garrafas em 2017. E a expectativa é chegar a 2,8 milhões neste ano”, revelou o diretor-presidente da Rio Sol, André Arruda, dizendo que esse incremento se dá pela adaptação, cada vez maior, da indústria à região. “O clima seco também ajudou muito a produção no primeiro semestre. Por isso, registramos crescimento de 30%, chegando a dois milhões de garrafas”, acrescentou o gerente da Vinícola Terra Nova, Adauto Quirino.

As boas perspectivas fizeram até a Botticelli retomar os investimentos no Vale. A empresa ampliou a produção de uvas para mais 20 hectares no ano passado. Por isso, espera colher 150 toneladas extras da fruta nesta safra, o suficiente para produzir mais 200 mil litros de vinho e suco. “O mercado está retomando e nós estamos nos preparando para isso”, justificou o diretor comercial da Vinícola Vale do São Francisco, Ricardo Almeida, que espera ampliar a produção em 15%, chegando a 1,5 milhão de litros dos vinhos Botticelli e Grande Rio em 2018.

Engarrafamento de vinho
Engarrafamento de vinhoFoto: Arquivo/Folha de Pernambuco
Vinhedo
VinhedoFoto: reprodução

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