Bruno Lima
Bruno LimaFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Quase 4 bilhões de pessoas utilizam a internet no mundo todo, o que corresponde a 53% da população mundial e boa parte não usa a rede apenas para navegar. Além de conectar o internauta com o mundo, esse novo universo traz grandes possibilidades de negócios. Uma prova disso está na movimentação financeira do setor em 2017, que atingiu a marca de US$ 1 bilhão, e no crescente interesse pelas páginas dos influenciadores digitais, com aumento de 741% no último ano, segundo o Google Trends. Os influenciadores são as mais novas estrelas do empreendedorismo digital, capazes de atrair parcerias e patrocínios de grandes empresas. Mas, para ser um empreendedor digital não basta apenas estar com o celular na mão e produzir um conteúdo. Alguns até contaram apenas com a sorte para ter sucesso, mas hoje já existem treinamentos para desenvolver habilidade e técnica.

Uma mostra do potencial de expansão dos empreendedores digitais é que apenas no YouTube a quantidade de canais com mais de 1 milhão de inscritos quase que quadriplicou, passando de 144 em setembro de 2016 para 535 em novembro de 2017. A Ipsos, empresa de pesquisa e de inteligência de mercado, apresentou uma pesquisa que separou fama de influência, o que fez com que os chamados "micro-influenciadores" ganhassem destaque em 2017. Além de gerarem 25% das visualizações totais de vídeos online, os empreendedores digitais aumentam em até 60% as campanhas publicitárias, oferecendo um maior envolvimento do público nas ações, gerando um engajamento nas atividades.

De acordo com o publicitário e diretor de operações da CMNO Smarter Business Agency, Geraldo Júnior, já existem agências e cursos específicos no mercado capazes de tirar esses empreendedores da zona de conforto. Ele explica que uma preparação é feita para orientar a criação do negócio. E para quem já lançou a página, mas não sabe como fazer ela crescer, apontam os caminhos para elevar o faturamento e obter contratos, além de evitar que a remuneração seja feita por meio da permuta de produtos.

A empresa na qual Geraldo é diretor, a CMNO Smarter Business, é uma das agências que realizam o serviço. "A maioria das pessoas quer sair da rede de permuta. O empreendedor deve saber escolher bem os seus clientes, que precisa ser bacana para ele e para seu público. É preciso ter um acompanhamento integral do público e entender que falar bem da marca não é o suficiente", afirmou. Geraldo destaca ainda que ter uma grande estrutura não é mais preciso hoje em dia. "O próprio celular resolve tudo hoje em dia, algumas pessoas usam dois celulares e dão conta de tudo o que é feito", disse. Geraldo destaca que na internet é preciso sempre testar as possibilidades no negócio. “Errar não faz mal, faz parte do jogo. Quanto mais o empreendedor experimentar, melhor ele vai gerar autoridade e audiência para seu empreendimento”.

Hoje já existe um movimento de pessoas que vivem com maior liberdade de tempo, de mobilidade e de finanças graças ao empreendedorismo digital, como prega o movimento Freesider, criado pelo publicitário e ex-servidor público Fagner Borges. Para ele, é preciso buscar formas de fazer o dinheiro render. E o empreendedor encontrou isso após sair de um emprego no serviço público. "Eu aprendi isso e comecei a fazer com que pessoas também estivessem nesse mercado", destacou. O publicitário diz ainda que ter presença digital e atenção do publico é de muita importância para o negócio digital. "Se você tem a atenção das pessoas você consegue vender o seu produto. A audiência é o maior ativo do negócio", ressaltou.

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Fagner destaca ainda que o empreendedor precisa ter quatro competências. São elas:  competência pessoal (que desenvolve a autoconfiança); competência interpessoal (para aprender a influenciar as pessoas e por em prática tarefas de forma diferente); competência financeira (para identificar os erros no aspecto financeiro e como trabalhar com a nova renda); e, por fim, a competência produtiva (para tornar a produtividade como uma aliança para busca de uma liberdade).

Brincadeira?
O empreendedor digital Marcos André criou em 2013 um perfil na rede social Instagram chamado de “Esse Dia Foi Foda”. A ideia despretensiosa era compartilhar vídeos e fotos com amigos. Mas o que era brincadeira e diversão virou um negócio rentável. “Eu trabalhava com fotografia de casamento e vídeos e sou formado em administração e marketing. Tive a ideia de fazer a página para compartilhar momentos comentados na época. Sempre procurando mostrar um conteúdo leve e divertido. Era apenas uma brincadeira. Mas foi evoluindo e se transformando em um negócio”, contou André.

Atualmente, só essa página conta com 2,5 milhões de seguidores e possibilita a realização de negócios. “Ter clientes demorou bastante, mas, a partir de um momento, empresas demonstraram interesse em anunciar seus produtos e eu fui segurando para que chegasse um que fosse atrativo. Queria uma empresa com nome forte no mercado”, destacou. Em 2014, Marcos conseguiu a parceria que procurava. “No Rock in Rio 2014, a Pepsi me procurou e fizemos uma campanha bem legal, que deu um resultado muito bom para mim e para eles também. Na época a página era a única no Brasil que tinha aquele tipo de conteúdo com vídeos e fotos divertidas. Devia ter cerca de 500 mil seguidores e tinha relevância muito grande, tinha destaque entre as pessoas que utilizavam a rede. Ter clientes fixos demandou um tempo. Cativei isso e alguns estão comigo até hoje”, afirmou.

"Os clientes que me procuravam não estavam preparados para apresentar um material bom para ser postado nas redes sociais, não tinham ideia sobre o que queriam ver publicado. Eu vi nisso uma oportunidade de trabalhar com diversas marcas, pequenas e grandes”, destacou.

Com o crescimento do projeto, Marcos decidiu criar novos produtos, como a página Esse Dia Foi Trip. “Durante uma viagem a Miami comecei a postar e a galera interagia comigo. Eu já tinha ideia de fazer o outro canal, específico para viagens e criei esse. Em um dia consegui 15 mil seguidores. Comecei a gerar o conteúdo e hoje são 118 mil seguidores”, destacou. A terceira página se chama “Esse Dia Foi Food”, onde ele mostra a sua opinião sobre restaurantes. Hoje com 3 milhões de seguidores, Marcos vive exclusivamente das parcerias com os seus clientes, como, por exemplo, a ToyShow, Europa Câmbio, Toyota, entre outras.

Coisa séria
Outro empreendedor que buscou o mundo digital para aumentar a renda foi Bruno Lima, que era arquiteto e foi sócio de uma empresa do ramo por 17 anos. “Em 2009 comecei a fotografar por um hobby, apenas por gostar, sem nenhuma intenção. Mas fui sendo reconhecido por algumas pessoas, e percebi que aquilo poderia ser uma oportunidade para mim. Hoje meu hobby se tornou meu trabalho. E eu vivo disso”, conta.

Para Bruno, a seriedade no trabalho foi importante para que desse certo. Foi preciso sair do emprego para dedicar um tempo exclusivo ao empreendimento na internet e que não era específico de seu trabalho. “O mundo está todo conectado. Levar a sério é foi fundamental. Tanto que hoje a rede social é o meu trabalho. Consegui ter um parceiro para monitorar o meu espaço e ter uma boa atividade, pois no Instagram eu desenvolvo e divulgo todo o meu trabalho e da minha casa”, afirmou.

Bruno Lima
Bruno LimaFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco
Marcos André
Marcos AndréFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco
Geraldo Júnior
Geraldo JúniorFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

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