Agência do banco Itaú
Agência do banco ItaúFoto: Divulgação/Sindicato dos Bancários de Pernambuco

SÃO PAULO - O Brasil possui uma das maiores taxas de concentração bancária do mundo. E é o próprio Banco Central (BC) quem afirma isso. Segundo o Relatório de Economia Bancária de 2017, divulgado nessa terça (12) pela instituição durante o Ciab Febraban, os cinco maiores bancos brasileiros respondem por 82% de todo o mercado financeiro do País.

O índice é bem maior que os 60% registrados há 12 anos e também supera a média global. Ainda segundo a pesquisa, apenas a Holanda ultrapassa o Brasil, com uma concentração de 89%. Já as demais nações apresentam índices variados, que normalmente vão de 30% a 70%. Os Estados Unidos, por exemplo, marcam 43%. E a China, 37%.

O relatório do Banco Central mostra que essa diferença é resultado da presença massiva de bancos como a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander: essas instituições detêm 81% de todo o mercado nacional destinado a pessoas físicas. No segmento de pessoas jurídicas, a concentração também é grande: 73% do mercado está nas mãos do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES), do Banco do Brasil, da Caixa, do Bradesco e do Itaú.

O Banco Central alega, por sua vez, que esta realidade não é necessariamente a causa das altas taxas de juros praticadas no País. “O BC monitora a concentração do SFN (Sistema Financeiro Nacional) e está atento aos riscos para o sistema e aos possíveis efeitos sobre o spread bancário e outros preços. Entretanto, a relação entre concentração e spreads não é tão direta”, diz o relatório. “Spread não tem relação com concentração e custo, mas com competição. A Alemanha (35%), por exemplo, tem um grau de concentração baixo. Já na Holanda este grau é alto. E, mesmo assim, os dois países têm um spread parecido”, acrescentou o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Viana de Carvalho.

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, também comentou o assunto durante a abertura do Ciab, o maior evento de tecnologia bancária do setor nacional. “A concentração é natura em todos os setores intensivos em capital não e significa ausência de competição”, afirmou, lembrando que o setor precisa de capital em escala para poder atuar com segurança no País.

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Fintechs
O Ciab Febraban também pôs fim à ideia de que as fintechs (startups voltadas ao mercado financeiro) poderia reduzir essa concentração. Para os principais players do setor, as novas empresas devem atuar em parceria e não concorrer com os grandes bancos. Pesquisa da Capgemini constatou até que a grande maioria das fintechs mundiais (75,5%) pretende colaborar com as instituições financeiras.

“Empresas tradicionais e fintechs têm características que fazem delas empresas complementares. As fintechs são muito ágeis, inovam e têm foco na jornada do cliente. Elas normalmente oferecem um único produto que busca cobrir um ‘gap’ entre as demandas dos clientes e o sistema financeiro. Então, é natural que haja interação e não competição”, explicou o vice-presidente de serviços financeiros da Capgemini no Brasil, David Cortada. “As fintechs representam uma oportunidade de aprendizado e de parceria”, admitiu Portugal.

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