Economista Ronaldo Távora em palestra no Recife
Economista Ronaldo Távora em palestra no RecifeFoto: Kleyvson Santos/Folha de Pernambuco

Acompanhando a tendência mundial, a economia do Brasil deve desacelerar em 2019 e 2020. A análise é do economista chefe do Banco do Brasil, Ronaldo Távora, que esteve no Recife para palestrar sobre mercado exterior. Apesar do destino do Brasil permanecer incerto enquanto o próximo governo não é decidido, a expectativa é de que o País não recupere até 2023 o nível de produtividade da década de 2000, quando houve um boom na venda de commodities para o exterior e o PIB cresceu a 10%. “Isso é uma tragédia em termos de desemprego, finanças públicas, créditos e inadimplência”, pontuou o economista. “O que fizemos de errado? Demos pouca atenção ao comercio exterior”, acrescentou.

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Um dos fatores para a retração é a economia internacional que, apesar de crescer, vai perder o fôlego nos próximos dois anos, impactando diretamente os resultados do Brasil. Segundo Távora, a China, maior parceira comercial do Brasil, está em um processo de desaceleração. “Ela é a maior importadora de soja do mundo, principal elemento da nossa pauta exportadora”, explanou. “O que acontece na China tem reflexo nos preços de commodities.” A Argentina, destino de 70% das exportações da cadeia automotiva brasileira, também deve sofrer, inclusive por viver um período eleitoral em 2019. “Aqueles que têm negócios com Argentina devem ter um ponto de alerta porque infelizmente ela está em crise, e é muito provável que entre em recessão novamente”, analisou.

Desafios do próximo presidente
Às vésperas das eleições, é difícil prever o que pode acontecer. “O câmbio está variando ao sabor do risco-pai ligado ao ambiente politico. Depende das soluções que o próximo governo dará”, avaliou. Para o economista, o momento urge que reformas sejam feitas - sobretudo a fiscal. Segundo Távora, governabilidade e reformas serão os principais desafios do próximo Governo. “Nas possíveis abordagens, uma postura reformista é a preferida do mercado”, destacou.

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Questionado pela Folha de Pernambuco, Ronaldo Távora comentou as expectativas para o próximo Ministério da Fazenda. “Seja ele quem for, esperamos que o Ministro tenha políticas macroeconômicas que respeitem alguns princípios, como uma austeridade fiscal, que ajude a recuperar os fundamentos da economia brasileira”, contou. “Assim, muito provavelmente a gente consegue recuperar em curto prazo nosso selo de bom pagador, retornando à posição de grau de investimento”.

A palestra no Recife reuniu representantes de 170 empresas locais e abordou temas como o cenário mundial, o futuro da economia brasileira e das taxas de câmbio. O evento contou com a presença do superintendente internacional do Banco do Brasil, Paulo Guimarães, do superintendente estadual Nassib Lomes e do gerente de comércio exterior no Nordeste, Jairo Koller.

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