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Se depender da confiança dos brasileiros, a economia vai trilhar caminhos positivos em 2019, deixando para trás as frustrações de 2018. É que, além da máxima de que o ano novo renova a esperança em dias melhores, a equipe econômica do Governo Bolsonaro inspira mais confiança nos investidores. Afinal, Paulo Guedes assume o superministério da Economia prometendo tomar medidas de ajuste fiscal que, apesar de impopulares, podem amenizar o rombo das contas públicas e dar a confiança que os empresários precisam para voltar a investir. E os indicadores macroeconômicos também sinalizam estabilidade, criando condições favoráveis para que a população que não foi abatida pelo desemprego volte a movimentar seu dinheiro. Por isso, já se projeta um crescimento de 2,5% ou até 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2019.

“Chegamos ao novo com a sensação de que a economia finalmente está se recuperando”, confirma o professor de economia e finanças da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Luiz Maia, dizendo que, caso se consolide, a recuperação econômica terá ainda mais intensidade em Pernambuco.“Em momentos de recuperação, o Estado tende a retomar com mais força que o Brasil. Por isso, o PIB de Pernambuco pode ter um crescimento de até 3,5% em 2019”, projeta o professor, explicando que essas altas devem ser puxadas pela retomada dos investimentos privados, já que o setor público ainda carece de recursos para investir.

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“A crise deixou o cronograma de investimentos estruturais parado em Pernambuco, mas a retomada dessa agenda tende a acontecer neste ano”, espera Maia, contando que isso engloba tanto o investimento nas fábricas e obras já desenhadas para o Estado, quanto a chegada de novos empreendimentos e fornecedores industriais.Todo esse otimismo, no entanto, depende das medidas econômicas que serão priorizadas pelo Governo Bolsonaro para se concretizar.

“A retomada dos investimentos, a força maior das vendas varejistas e o consequente crescimento do PIB depende da retomada da confiança, que é o que observamos nesse momento. Só que, para a sustentação dessa confiança, é importante que o governo avance com a agenda de reformas, porque o mercado espera uma austeridade maior”, afirma o economista do Santander, Rodolfo Margato. “Essas projeções estão condicionadas a medidas que passem maior segurança em relação às contas públicas”, completa o economista da Austin Rating, Alex Agostini.

Os analistas explicam que, hoje, os investidores estrangeiros não confiam na sustentabilidade da economia brasileira no longo prazo. Afinal, o endividamento e os gastos públicos só crescem. Por isso, é preciso que o governo mude essa situação para que o mercado volte a acreditar e a investir no País. E quase todos os economistas acreditam que a principal medida de controle futuro dos gastos é a Reforma da Previdência, já que grande parte das despesas públicas atuais vai para os pagamentos previdenciários, tanto no Governo Federal quanto no Governo Estadual.

“O Estado também tem um desafio grande na área fiscal, porque o déficit já deve alcançar R$ 3 bilhões neste ano. Isso significa que haverá menos espaço para investir. Então, é preciso criar uma política forte para atrair novos investimentos privados”, revela o economista da Ceplan, Jorge Jatobá. Mas, como a reforma só deve dar resultados efetivos no longo prazo, é provável que o governo também adote medidas de curto prazo para cortar gastos e aumentar a arrecadação já em 2019. Nesse sentido, o superministério da Economia do Governo Bolsonaro pode cortar benefícios fiscais e gastos supérfluos e dar andamento à agenda de concessões e privatizações que quer levar o capital privado para dentro de empresas públicas como a Eletrobras, a Refinaria Abreu e Lima e a Infraero.

“Como não há espaço para investimentos públicos por conta da crise fiscal, o estado vai privatizar para abater o estoque da dívida pública, fazer Parcerias Público-Privadas (PPP) para tocar algumas obras de infraestrutura e concessionar estradas para compensar a falta de investimento”, avalia Jatobá.“O programa do presidente eleito é liberal, voltado às reformas estruturais e ao equacionamento fiscal que o País precisa para mostrar ao mercado que está tomando as providências necessárias para resolver a situação fiscal.

Porém, boa parte dessas medidas tem que passar pelo Congresso Nacional. Então, Bolsonaro terá que enfrentar uma negociação difícil com o Congresso para aprovar isso”, pondera o economista da Ceplan, lembrando que a popularidade de Jair Bolsonaro pode acabar rápido caso essas e outras das medidas que são aguardadas pelos seus eleitores não sejam colocadas para frente. “A maioria das reformas é impopular. Então, é bem provável que haja críticas e até greves de categorias como os petroleiros”, acrescenta Luiz Maia, dizendo, porém, que essas paralisações não devem chegar ao nível da que foi realizada pelos caminhoneiros em 2018.Para o setor de transportes, por sinal, o cenário é mais favorável em 2019. É que o câmbio deve se manter estável, em patamares até inferiores que o atual. Por isso, não deve impactar tanto o valor dos combustíveis.

“Se depender da demanda internacional, o barril de petróleo também deve ter preços mais equilibrados, levando a reajustes para baixo do preço da gasolina”, acrescenta Margato, dizendo que esse barateamento dos combustíveis deve compensar o fim da subvenção do óleo diesel.No cenário externo, porém, há certo receio em relação à postura que será adotada pelo futuro governo, por conta das declarações contrárias que já foram dadas por seus membros a importantes parceiros comerciais do País como a China e o Mercosul. Por isso, os economistas pedem cautela para que posições ideológicas não voltem a afetar o desenvolvimento.

Emprego em passos lentos
Peça chave para o bem estar das famílias, o desemprego, no entanto, não deve se recuperar com tanta rapidez. A geração de vagas pode até crescer em 2018. Mas, como o desemprego segue em alta, com uma taxa de 11,6%, mais de 11 milhões de brasileiros devem continuar buscando trabalho em 2019, segundo o mercado financeiro.

Se serve como alívio, pelo menos a inflação e os juros devem se manter controlados, preservando o poder de compra da população e incentivando a expansão do crédito. “Em 2019, a melhora do desemprego ainda não vai ser robusta, porque, mesmo com a retomada da confiança, ainda existe um comportamento conservador do setor produtivo”, afirma o economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos. Ele explica que o mercado de trabalho é o último indicador a reagir no processo de retomada. Por isso, a geração de empregos só deve ganhar força depois que a economia e o quadro fiscal mostrarem sinais de melhora, o que só deve acontecer no segundo semestre de 2019.

“O desemprego vai continuar caindo em ritmo moderado. Por isso, ainda teremos uma taxa acima da média histórica em 2019”, lamenta o economista do Santander, Rodolfo Margato, que prevê uma taxa de desocupação de 11% para o ano que vem. Empregados ou não, os brasileiros pelo menos não devem sofrer com grandes variações de preço em 2019. É que as boas perspectivas de safra e de câmbio e a tendência de um consumo ainda moderado devem segurar a inflação no próximo ano, fazendo com o IPCA volte a ficar dentro da meta estipulada pelo Banco Central (agora mais baixa, de 4,25%).

E, como a inflação deve ficar controlada, perto dos 4%, o mercado financeiro não vê espaço para um aumento de juros. A taxa básica de juros (Selic) deve ser mantida, então, em 6,5% - seu menor patamar histórico. E isso pode favorecer as finanças pessoais dos brasileiros (pelo menos de quem tem emprego e dinheiro para investir). “Essa taxa faz com que os investidores não vejam vantagem em manter seu dinheiro nos títulos da dívida pública.

 A rentabilidade será maior em aplicações mais arriscadas. Por isso, é possível que esses investidores migrem para o mercado de ações ou decidam abrir o próprio negócio”, analisa o professor Luiz Maia, lembrando que essa disposição em deixar de financiar o endividamento público para financiar o investimento produtivo pode contribuir com a retomada da economia, gerando emprego e renda.“E como os bancos devem sofrer uma concorrência ainda maior das fintechs, é possível que o crédito fique mais barato em 2019”, acrescenta Maia, dizendo que, se todas essas projeções se consolidarem, a classe média poderá voltar a consumir, movimentando o comércio e a indústria e, assim, impulsionando a atividade econômica do ponto de vista da demanda doméstica.

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