Já é possível pagar contas com bitcoin no Recife
Já é possível pagar contas com bitcoin no RecifeFoto: Ed Machado / Folha de Pernambuco

Imagine poder pagar o lanche, a gasolina e até a faculdade com uma “moeda virtual”. Pois isso já é possível aqui em Pernambuco. É que vários estabelecimentos comerciais começaram a aceitar criptomoedas como o bitcoin como forma de pagamento. Já são mais de 80, entre lojas, bares, postos de gasolina, faculdade, taxista, escritório de advocacia e spa. E a tendência é que esse número só cresça, segundo a empresa responsável pela solução que permite pagar contas do dia a dia com as chamadas “moedas virtuais” - a pernambucana CoinWise.

CEO e fundador da CoinWise, Marco Carnut explicou que, na carta em que anunciou a criação do bitcoin, o japonês Satoshi Nakamoto já dizia que o destino da criptomoeda era ser um sistema universal de dinheiro eletrônico. Por isso, a CoinWise segue negociando a inserção dessa tecnologia em outras lojas e é possível que até uma das grandes empresas de aviação do País adote a novidade nos próximos meses.

“As criptomoedas ganharam fama de ativo financeiro especulativo, mas esta não era a sua missão original. Elas foram criadas para ser um substituto do dinheiro em espécie. O título do artigo de Satoshi Nakamoto já dizia: Bitcoin - Um sistema peer to peer de dinheiro eletrônico. Ou seja, ele queria que nós tivéssemos um novo sistema de dinheiro totalmente eletrônico”, contou Carnut, admitindo que essa função de meio de pagamento acabou sendo esquecida nos últimos anos por uma série de fatores.

“Assim como aconteceu no início da internet, o bitcoin passou alguns anos sendo coisa de nerd. Mas esses nerds logo viram que conseguiriam fazer dinheiro nisso, já que os auditores da rede de bitcoin são recompensados com certa quantidade de bitcoins. Por isso, as pessoas começaram a usar bitcoins como ativos financeiros: compravam e vendiam para ganhar dinheiro. E quem fez isso com mais entusiasmo foi o pessoal egresso do mercado financeiro, que tem uma mentalidade de especulação e não de comércio”, argumentou Carnut.

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Também contribuiu com esse processo, contudo, a grande valorização sofrida pelo bitcoin nos últimos anos. É que, depois de atingir o pico de US$ 20 mil em 2017, a criptomoeda passou a se valorizar e a se desvalorizar com muita rapidez. E isso assustou os consumidores, que tinham medo de gastar o bitcoin e depois ver a moeda valendo muito mais que no dia da compra. “Como hoje o bitcoin está mais estável, oscilando menos, as pessoas já conseguem usá-lo como forma de pagamento sem medo da variação. E, assim, as pessoas começam a perceber que este é um meio de pagamento universal e não uma forma de investimento”, acrescentou o especialista Edísio Pereira Neto, que é sócio da corretora de criptomoedas pernambucana Bit Blue e parceiro da CoinWise.

É por isso que, dez anos depois de ser criado por Satoshi Nakamoto, o bitcoin enfim começa a ser usado como forma de pagamento no dia a dia. Em Pernambuco, mais de 80 estabelecimentos já aceitam as criptomoedas bitcoin, litecon e bitcoin cash. Número que torna o Estado um dos mais avançados nesse processo no Brasil. Afinal, a CoinWise é a primeira empresa a operar em todo o Brasil com uma solução de pagamento para moedas virtuais e ela tem pouco mais de 200 clientes no País.

“O volume ainda é baixo, então estamos avançados em relação a isso”, admitiu Carnut, dizendo que a tendência é ampliar esses números. “Dentro de cinco anos, vai ser estranho algum estabelecimento não aceitar criptomoeda, como já é hoje no Japão. Nas próximas Olímpiadas, por exemplo, será normal viajar levando apenas bitcoins”, afirmou Neto, explicando que, por ser um dinheiro virtual universal, o bitcoin é aceito em qualquer lugar do mundo e, portanto, elimina a necessidade de converter dinheiro em viagens internacionais.

Como pagar e receber com bitcoin

É realmente isso que esperam os empreendedores pernambucanos que decidiram ser pioneiros no assunto e aceitar o bitcoin desde já. “Acreditamos que é uma tendência, algo que vai transformar o mercado. E queremos fazer parte desse processo. Por isso, passamos a oferecer mais essa ferramenta para os nossos alunos e estamos estimulando as pessoas a entenderem do que se trata. Vamos até fazer um evento sobre criptomoedas, pois nossa missão é conectar as pessoas com o futuro”, contou o diretor acadêmico e de marketing da Facottur, Klennio Adam.

Ele contou que a Facottur adotou a tecnologia nesse semestre, tornando-se a primeira faculdade a aceitar bitcoin em Pernambuco. E o negócio deu tão certo que os primeiros pagamentos virtuais já aconteceram. “É um meio de pagamento fácil e seguro”, explicou Adam, que também acabou se tornando um usuário de criptomoedas. Ele já abasteceu seu carro no Posto Passira, na Avenida João de Barros, e já tomou uma cerveja no Apolo Beer Café usando a moeda virtual. E, graças às parcerias da CoinWise, também pode usar seus bitcoins em locais como as Farmácias Santa Luzia, o Aika Sushi, o Spa Essencial e a Cervejaria Laborada.

Ainda aceitam critpmoedas no Recife estabelecimentos como o restaurante Bigode Verde, as lojas Cia do Dengo, o Açaí Concept do Paço Alfandêga, o tradicional restaurante Royal e os motéis Ninja e Turquesa. “A aceitação tem crescido bastante”, confirmou Adam. E o uso também está em alta, segundo o proprietário do Apolo Beer Café, Raphael Vasconcelos, tanto que os bitcoins já representam 1% do faturamento do empresário. “Somos beneficiados por estarmos na região de tecnologia do Recife, onde é mais fácil encontrar pessoas com uma carteira de bitcoins no bolso, mas o pessoal tem usado”, afirmou Vasconcelos, que tem clientes de todas as idades.

“É uma forma a mais de receber e uma facilidade que chama muito a atenção dos clientes. Então, a procura tem sido boa”, confirmou o taxista Edmilson Frade, que faz corrida com bitcoins na saída do Aeroporto do Recife. “Estou até no grupo de WhatsApp do pessoal que usa bitcoin aqui no Recife. E eles costumam agendar corrida comigo só por causa disso”, revelou. “Isso cria uma boa imagem para a gente”, completou o dono do Apolo Beer Café.



“As pessoas têm se interessado e cada vez mais vão optar pelas criptomoedas porque a tendência é usar menos dinheiro e mais celular nos pagamentos”, acrescentou o sócio da escola CTRL+Play, Filipe Brito, que também aceita bitcoins. “Somos uma empresa de tecnologia. Então, essa forma de pagamento tem tudo a ver com o que a gente prega”, explicou Brito, dizendo que a solução da CoinWise ainda é vantajosa financeiramente para os lojistas.

“O aplicativo só cobra uma taxa de 1% sobre o valor da compra. Não tem cartão nenhum com essa taxa. Nos cartões de débito, a taxa varia de 1,5% a 4,5%. E, no crédito, pode passar dos 25% por conta do parcelamento. E nós ainda podemos receber o valor da compra em real, três dias depois da transação. Então, é muito interessante”, confirmou a proprietária do Spa Essencial, Rosimery Oliveira, que acabou de levar o bitcoin para seu negócio e está adorando a simplicidade da ferramenta da CoinWise.

“Criamos uma ferramenta parecida à que já é usada nas maquinhas de cartão para tornar o processo simples e familiar”, explicou Carnut, dizendo que o pagamento pode ser feito tanto em maquininhas que emitem nota fiscal quanto em um aplicativo de celular. E o processo é fácil. O lojista digita o valor da compra e escolhe a moeda que será usada na transação que o sistema gera um QR Code para o pagamento. Com o celular, o consumidor abre o aplicativo da sua carteira virtual, em que guarda seus bitcoins, e lê esse QR Code. Na mesma hora, o sistema autoriza a transação e retira o valor da compra da carteira do cliente. Em até três dias, esse valor chega na conta do lojista na moeda em que ele preferir, bitcoin ou real.

Advogado e sócio-diretor do escritório Cavalcanti Costa/Maranhão, Gustavo Costa garante que, apesar de as criptomoedas ainda não serem reguladas no Brasil, não há nenhum impedimento jurídico para que os estabelecimentos façam transações comerciais como essa, tanto que o próprio escritório aceita bitcoin.

“Antes de aceitar, estudamos o assunto para ter certeza que era possível juridicamente aceitar a criptomoeda. E, embora o assunto ainda suscite uma série de dúvidas do ponto de vista tributário e comercial, não há nenhum tipo de vedação legal para isso, tanto que o produto cresce no mundo inteiro e abre um mercado novo no mundo da tecnologia”, garantiu Costa, dizendo que esse mercado deve crescer de forma exponencial quando as autoridades brasileiras regulamentarem a criptomoeda. Por isso, segundo o advogado, os lojistas que querem se adiantar a esse movimento só precisam se informar e procurar empresas especializadas de boa reputação para entrar no mundo das criptomoedas. “A partir daí, é ter os cuidados básicos de qualquer empresa formal, tendo atenção às notas fiscais e à contabilidade”, orientou Costa.

E Carnut garante que essa decisão vale a pena, pois tem bitcoin suficiente no mercado para todos esses lojistas. “Pelo menos 250 mil pessoas já possuem criptomoedas no Brasil”, afirmou, contando que a regulamentação pode aumentar esse número e também o valor do bitcoin, que hoje é negociado por cerca de R$ 12 mil.

Já é possível pagar contas com bitcoin no Recife
Já é possível pagar contas com bitcoin no RecifeFoto: Ed Machado / Folha de Pernambuco
Facottur aceita bitcoins em Olinda
Facottur aceita bitcoins em OlindaFoto: Julya Caminha / Folha de Pernambuco
No Apolo Beer Café, Raphael Vasconcelos aceita bitcoins
No Apolo Beer Café, Raphael Vasconcelos aceita bitcoinsFoto: Ed Machado / Folha de Pernambuco
O taxista Edmilson Frade faz corridas com bitcoins
O taxista Edmilson Frade faz corridas com bitcoinsFoto: Folha de Pernambuco
Diretor da Facottur, Klennio Adam é usuário do bitcoin
Diretor da Facottur, Klennio Adam é usuário do bitcoinFoto: Julya Caminha / Folha de Pernambuco
Marco Carnut, CEO e fundador da CoinWise
Marco Carnut, CEO e fundador da CoinWiseFoto: Ed Machado / Folha de Pernambuco
Já é possível pagar contas com bitcoin no Recife
Já é possível pagar contas com bitcoin no RecifeFoto: Ed Machado / Folha de Pernambuco
Bitcoin
BitcoinFoto: Reprodução

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