A iniciativa tem o intento de oferecer formação em auxiliar de gastronomia à população LGBTI
A iniciativa tem o intento de oferecer formação em auxiliar de gastronomia à população LGBTIFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco promove audiência coletiva, nesta segunda-feira (11), junto a representantes de 230 bares e restaurantes do Grande Recife. O encontro com os empresários do segmento é para apresentar o projeto "Diversidade na Cozinha". A iniciativa, desenvolvida pelo órgão e pela ONG Gestos, com o apoio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), tem o intento de oferecer formação em auxiliar de gastronomia a LGBTI.

"Essa é a primeira vez que o projeto é realizado em Pernambuco, já tendo sido executado em São Paulo e Goiás. Ele surgiu da necessidade da inclusão do público LGBTs, no nosso caso com foco nos transgêneros", explica a procuradora do Trabalho Gabriela Maciel.

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Prevista para começar nesta terça (12), a capacitação reúne 24 alunos e deve durar até março. Todos os alunos receberão certificado e haverá um cerimônia de formatura. O custeio do programa foi possível através de uma ação civil de dano coletivo a uma empresa, cuja multa determinada pelo Ministério Público do Trabalho, foi direcionada para essa ação.

"Nosso objetivo é sensibilizar a população a não discriminar essas pessoas. Sabemos que a população LGBTI( sofre muito preconceito, tem uma longevidade menor e acaba trabalhando em locais mais periféricos. Não estamos aqui como órgão repressor, mas convidando empresários a se juntarem a essa causa", afirma a procuradora do Trabalho Debora Tito.

Para ministrar as aulas do "Diversidade na Cozinha", foram convidados 12 chefes de cozinha. "As aulas também são voltadas para o empreendedorismo. A expectativa é de que eles sejam bem acolhidos e com mais oportunidades para desenvolver suas habilidades", comenta a consultora gastronômica Flávia Ribeiro.

“Nós ainda somos um país que quando olhamos para os indicadores não queremos nos reconhecer no retrato que a gente vê, mas a gente sabe que os dados são verdadeiros. Com relação à discriminação, a maneira de expressão mais intensa dessa violência é a questão dos assassinatos. A gente vive num dia a dia de discriminação com relação ao público LGBT”, ressalta Juliana Cesar, assessora de programas da Ong Gestos.

Para o presidente da Abrasel, André Araújo, o segmento gastronômico precisa estar atento à capacitação técnica dos profissionais. "Independente de cor, credo, orientação sexual, é preciso haver competência. Não se pode ter preconceito nas contratações. E esses temas já têm sido discutidos nos fóruns da Associação. Essa é uma questão social e de capacitação técnica também.", declara Araújo.

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