Pierre Lucena apresentou planejamento a empresários
Pierre Lucena apresentou planejamento a empresáriosFoto: Jose Britto / Folha de Pernambuco

O Porto Digital quer dobrar de tamanho, colocando 20 mil pessoas para trabalhar em até 600 empresas de tecnologia, nos próximos cinco anos. Mas esbarra na falta de profissional qualificado na hora de transformar essa meta em realidade. É que, hoje, o ecossistema sofre com um déficit de pessoal de 10%.

São quase 800 vagas de emprego abertas à espera de um trabalhador capacitado. Por isso, o parque assumiu mais uma missão: formar gente para essas e para as próximas empresas de tecnologia que vão se instalar em Pernambuco. E esse trabalho de capacitação já começa neste ano, com o lançamento de um curso de ciência da computação que terá residência tecnológica do Porto Digital.

“Hoje, nós temos 9 mil colaboradores em 316 empresas e mais de 800 empreendedores, o que dá um faturamento de R$ 1,7 bilhão. E nossa meta é dobrar de tamanho, em número de pessoas, dentro de cinco anos. Mas temos o desafio de encontrar mais gente para trabalhar aqui”, afirmou o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, dizendo que essa expansão pode elevar esse faturamento para R$ 3,5 bilhões.

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Ao apresentar o planejamento estratégico do parque, nessa terça-feira (26), Lucena admitiu, porém, que a falta de gente capacitada pode atrapalhar esse plano. Afinal, o déficit de pessoal já é sentido pelas empresas e pode piorar com a chegada de novos negócios, caso a formação de novos profissionais não se intensifique.

“Quase todas as nossas empresas têm vagas em aberto. E ter emprego sobrando em um lugar que tem uma taxa de 17% de desemprego é sinal de que algo falhou. A gente precisa fazer a correção disso e precisa fazer agora. Se deixarmos para daqui a dois anos, seremos dragados pelo problema. Afinal, nosso principal fator de competitividade é que produzimos barato”, afirmou Lucena, que, por isso, está desenvolvendo um projeto inovador de formação de pessoas no Porto Digital.

A ideia é fazer parcerias com universidades locais para criar cursos voltados às necessidades das empresas de tecnologia. E, como o foco é formar profissionais, esses cursos terão tanto atividades teóricas quanto atividades práticas, através de uma residência nas empresas no Porto Digital. “A ideia é inserir a residência já no primeiro semestre para já começar trabalhando”, contou Lucena, que promete lançar a primeira turma desse método de ensino no segundo semestre deste ano em parceria com a Faculdade Tiradentes.

“Este ano, vamos lançar uma turma e, em 2020, devemos abrir o portfólio todo de curso”, adiantou o presidente do Porto Digital, contando que a primeira turma deve ser de ciência da computação, além de alguns cursos tecnólogos como de segurança da informação. Depois disso, a ideia é fazer parcerias com outras instituições de ensino, como a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

Mas, enquanto os cursos não formam os primeiros novos trabalhadores, o Porto Digital vai buscar gente qualificada nos outros estados do Nordeste. A ideia é reunir as vagas das empresas interessadas nesses profissionais em um sistema chamado Central de Pessoas e usar as competências do Porto Digital para selecionar esse pessoal fora de Pernambuco.

“Para as empresas médias, é caro ir para outros estados. Por isso, vamos juntar forças. Estamos reunindo empresas privadas para formar uma Central de Pessoas através de uma SPE (Sociedade de Propósito Específico)”, explicou Pierre, que quer começar essas seleções ainda neste semestre em locais como Campina Grande, Natal e Aracaju.

Foco em parceria com empresa privada
A apresentação do planejamento estratégico do Porto Digital para os próximos anos foi prestigiada pelos secretários de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Cultura de Pernambuco. Porém, as parcerias com o setor público não são mais o foco do Porto Digital. Pierre Lucena explicou que, devido ao enxugamento do orçamento governamental, o parque tecnológico tem recebido cada vez menos recursos públicos. Por isso, agora, a intenção é fazer tudo que for possível em parceria com a iniciativa privada.

“78% dos recursos de projetos do Porto Digital acabam neste ano e acredito que não vamos conseguir muito mais, porque o Governo do Estado e o Governo Federal não têm recursos suficientes para investir como já investiram aqui. Por mais que a agenda do governo seja pró-mercado, nós sabemos das dificuldades do investimento público. Por isso, esperamos um enxugamento das linhas de convênio”, alertou Lucena, dizendo que, por isso, o foco do Porto Digital sai dos projetos de convênio para projetos que tragam resultado e sustentabilidade financeira.

“O Porto Digital não pode ficar refém da falta de recursos públicos. Então, vamos buscar soluções no setor privado. Talvez não seja mais projeto de fomento ou de novos laboratórios, mas podem ser projetos de emprego e formação, por exemplo”, explicou Pierre Lucena, contando que o curso com a Faculdade Tiradentes já deve trazer algo para os cofres do Porto Digital. Afinal, como a formação será dividida entre as empresas do parque e as salas da Tiradentes, o ecossistema vai receber parte das mensalidades dos alunos.

Bairro do Recife terá projeto imobiliário
Para receber bem os novos profissionais, o Porto Digital ainda vai passar a atuar no segmento imobiliário. É que o parque quer construir prédios de moradia para os jovens trabalhadores de tecnologia no Centro do Recife. E o primeiro deles começa a ser construído neste ano no Bairro do Recife, em parceria com a iniciativa privada.

“Vamos fazer o primeiro projeto de moradia do Bairro do Recife. E o lançamento será nas próximas semanas”, adiantou Lucena, contando que o Porto Digital vai doar o prédio para o habitacional, enquanto a iniciativa privada ficará responsável pela reforma do imóvel. Ele não revelou, contudo, o investimento nem o prédio escolhido para o projeto, mas garantiu que não vai faltar recurso para a obra.

“As incorporadoras se interessaram. E este será só um primeiro exemplo que as incorporadoras poderão seguir depois”, afirmou o presidente do Porto Digital, que depois disso quer passar a construir moradias no Bairro de Santo Antônio.

Esses imóveis, porém, não serão parecidos com os prédios que conhecemos hoje. “Muros não fazem parte da visão de cidade que o Porto Digital tem. Então, buscamos investidores para projetos inovadores de moradia, como os colivings (espaço em que várias pessoas moram compartilhando áreas comuns) e pequenas unidades habitacionais em que as pessoas possam se conectar”, contou Pierre, que ainda não sabe quantas pessoas esses empreendimentos poderão abrigar.

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