Presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães
Presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro GuimarãesFoto: Julya Caminha/ Folha de Pernambuco

A partir do próximo mês, a Caixa Econômica Federal vai inovar na oferta de crédito consignado. É que em parceria com a Elo, o banco público passará a ofertar um cartão exclusivo para crédito consignado. Entre as facilidades no novo produto do banco, juros mais baixos do que os praticados pelo mercado no segmento e a otimização do tempo dos clientes, que não precisarão se deslocar às agências para contratar o serviço.

“Como a Caixa é agente de pagamento das políticas sociais do governo, as agências são muito cheias. Por isso, o cartão é importante, porque além de ter uma taxa de juros competitiva, se posicionando entre as menores do mercado, permite que a população mais carente não precise ir até a agência. É isso que queremos promover - uma bancarização sem a necessidade das pessoas irem às agencias”, comentou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, em entrevista à Folha de Pernambuco.

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Embora não tenha especificado o percentual de juros do novo produto, o presidente assegurou que ficará abaixo da faixa de 1% a 2,5% praticada pelo mercado. “Como o banco é social, o objetivo da Caixa é dar acesso à população mais carente ao crédito e baratear esse acesso”, complementa Guimarães.

Segundo ele, a implantação do cartão de crédito consignado vai acontecer em quatro momentos. Nesse primeiro, com lançamento em abril, o novo produto estará disponível apenas para aposentados e pensionistas do INSS. Após essa primeira fase, as etapas posteriores vão contemplar funcionários da Caixa Econômica, depois os servidores públicos e, por último, na quarta etapa, os empregados de empresas privadas.

Por ser emitido com a bandeira Elo, o Cartão Consignado Caixa nasce com a funcionalidade de transações internacionais, que permite ao cliente compras no Brasil e no exterior - tanto em lojas físicas como virtuais - oferecendo ainda a opção de saque do limite disponível. O produto é totalmente isento de anuidade e terá benefícios diferenciados para os clientes.

E o surgimento desse novo produto da Caixa acontece em sintonia com o modelo de gestão do atual presidente da estatal. “Dentro dessa linha, desenhamos em dois meses o lançamento do cartão consignado, o que demonstra que a Caixa pode ser rápida para atender as necessidades vigentes”, comenta o presidente, que adianta que o próximo passo do banco é ofertar máquinas de cartão. “A Caixa hoje não oferece vários produtos que deveria oferecer, a exemplo das maquininhas de cartão. A Caixa é o único banco que não tem e perde, por isso, R$1 bilhão de receita por ano por não ter”, explica, reiterando que em breve a Caixa lançará mais esse produto.

A visita ao Estado

Alinhado com a proposta de uma gestão que tem como tema “Menos Brasília, mais Brasil”, Guimarães visita durante este fim de semana as principais obras realizadas com recursos do banco estatal em Pernambuco. A ação faz parte do projeto Caixa Mais Brasil, uma iniciativa que visa aproximar o banco da população mais carente, gerando negócios e promovendo desenvolvimento. E nessa passagem pelo Estado, ele aproveitou para conversar com a Folha de Pernambuco sobre os principais objetivos da sua gestão, que compreende, entre outras ações, o descarte da possibilidade de privatização da instituição.

“Isso é uma determinação do presidente Jair Bolsonaro. A Caixa é um banco social porque é o agente de política pública com 26 mil pontos de vendas, o quinto maior banco do mundo. Essa força e poder de distribuição permitem que a Caixa tenha 100 milhões de clientes”, comenta o Guimarães. Segundo ele, para fortalecer as operações do banco, a alternativa é abrir capital. “A abertura de capital vai em direção de fortalecer as operações e que essas operações possam ter efetivamente uma eficiência maior”, completa.

Outro grande foco da sua gestão é a redução dos custos do banco. Para tanto, Guimarães revela que deve seguir um plano de reorganização com foco nos clientes e funcionários. Feito isto, a estimativa é reduzir o custo do banco em R$ 1,5 bilhão por ano. “Vamos começar pela redução do número de investimentos não eficientes, como os empréstimos para grandes empresas que podem se financiar em bancos privados ou fora do Brasil. Por outro lado, o que chamo de padaria de Sr. Joaquim não tem a mesma chance e é justamente dessa forma que iremos ter eficiência”, explica Guimarães.

Dentro dessa linha, o presidente da Caixa pretende investir forte na ampliação da carteira do banco de microcrédito. “Como banco social não podemos ficar fora de microcrédito. O Banco de Nordeste tem operação de microcrédito com R$ 4,5 bilhões de carteira. Como estamos no Brasil inteiro tem que ter uma operação de pelo menos R$ 10 milhões”, explica.

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