Cervejas artesanais
Cervejas artesanaisFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco

O mercado de cervejas artesanais pernambucano não precisou de muito tempo para virar referência. Criado há pouco mais de três anos, já acumula prêmios nacionais e internacionais e o posto de maior produtor do Norte/Nordeste. Afinal, conta com 25 rótulos e 13 fábricas que produzem mais de 200 mil litros de cerveja por mês, segundo a Associação Pernambucana de Cervejarias Artesanais (Apecerva). E esses números continuam em expansão, pois marcas novas surgem a todo instante e as antigas não param de crescer.

Prova disso é a Duvália, que começou a fazer cerveja em casa, mas acaba de inaugurar uma fábrica, capaz de produzir 12 mil litros de bebida por mês em Olinda. “O mercado todo está em expansão. A quantidade de cervejarias segue crescendo porque até quem não sabia o que era cerveja puro malte hoje busca e quer provar. É um caminho sem volta, da mesma forma como aconteceu com o vinho há alguns anos”, explica o sócio da Duvália, Mário Acioli.

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Ele conta que a marca teve início quando seu irmão e sócio decidiu fazer cerveja para a festa de fim de ano da família e deu continuidade à produção caseira para atender parentes e amigos que gostaram da receita. A brincadeira, porém, logo se tornou um negócio. “Começamos fazendo 30 litros por mês, na rua Duvália. Depois, fomos comprando novos tanques e transformamos a casa que era dos nossos pais numa microcervejaria. Chegamos a fazer 6 mil litros por mês lá, mas tivemos que dar um passo adiante”, conta Acioli, já na nova fábrica, na Vila Popular, em Olinda.

“Havia muita demanda reprimida, tanto que saímos de seis mil para 12 mil litros/mês e estamos produzindo sem parar”, conta o cervejeiro, admitindo que, como a saída está muito boa, novos projetos de ampliação estão sendo estudados. “A ideia é fazer 50 mil litros/mês em até dois anos”, revela Acioli, que também pretende abrir espaço para cervejas ciganas - feitas em fábricas terceirizadas enquanto não têm capital para abrir as próprias linhas de produção.

Acioli argumenta que, apesar de alguns representantes do mercado terem receio de que o surgimento exacerbado de novas marcas prejudique o rendimento das outras cervejarias, é preciso lidar com esses novos produtos. “Nós mudamos o mercado brasileiro. Até as grandes empresas passaram a fazer produtos puro malte. Então, o número de cervejarias vai continuar crescendo. Vai permanecer no mercado quem faz um trabalho sério”, analisa, ressaltando que é preciso muito planejamento e dedicação para transformar o hobby de fazer cerveja em casa num negócio de sucesso.

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Pioneiro em Pernambuco, o sócio da Debron, Eduardo Farias, confirma a necessidade de estudar o mercado antes de mergulhar no negócio. “Quando começamos, não tinha mais ninguém. Agora, já são 27 marcas. Sabíamos que esse momento de euforia chegaria, mas é preciso manter os pés no chão. Quem planeja bem vai continuar crescendo, pois ainda há muito mercado para as cervejas artesanais no Brasil”, diz Farias. Ele explica que, hoje, esse segmento representa menos de 2% de todo o mercado cervejeiro do Brasil. “A maior parte ainda é das grandes fábricas. Então, ainda podemos crescer. Podemos chegar em 10% ou 20% do mercado, como já acontece em países como os Estados Unidos”, avalia o sócio da Debron, que, por isso, não reduziu os investimentos diante do surgimento de novas marcas.

“Dobramos a quantidade de tanques e ampliamos nossa produção em 81% no ano passado. E a perspectiva para este ano é passar dos 90% de crescimento”, revela o cervejeiro, que hoje produz cerca de 100 mil litros da bebida por mês e já planeja outras novidades para a fábrica em Jaboatão dos Guararapes. “No próximo mês, vamos inaugurar um espaço para eventos, voltado aos cervejeiros, curiosos e turistas”, antecipa, dizendo que o objetivo é continuar atraindo novos consumidores para as artesanais.

“Temos que inovar e buscar diferenciais para continuar no mercado. Ainda temos muito para crescer. Não podemos nos limitar a 2% de consumo, temos que brigar com as grandes marcas”, acrescenta o sócio da Capunga, Victor Lamenha, cuja estratégia é inserir a marca em festas e shows, como o Abril pro Rock. “Também vamos ampliar a fábrica até o fim do ano”, revela o empresário, cujo negócio aumenta 25% ao ano. “Acreditamos no crescimento do mercado e vamos sair dos atuais 70 mil litros/mês para 220 mil/mês”, revela Lamenha, que vai investir R$ 3 milhões no projeto, em Igarassu.

Já no Recife, a próxima novidade deve sair da Ekaut. É que a marca está construindo um laboratório na sua fábrica na Guabiraba para aperfeiçoar a qualidade do produto. “As cervejarias precisam ajudar a formar novos consumidores entregando produtos de qualidade. Estamos trabalhando, portanto, com a profissionalização. O laboratório vai nos ajudar a melhorar a padronização e ampliar o tempo de prateleira das cervejas”, explica o sócio da Ekaut, Diogo Chiaradia.

“As artesanais vão tomar um pedaço cada vez maior do mercado nacional”, fala o presidente da Apecerva, Filipe Magalhães. Ele destaca que o setor investiu mais de R$ 20 milhões no Estado e já fatura R$ 2 milhões/mês.

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