Acidente de trabalho
Acidente de trabalhoFoto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

No Brasil, a cada 49 segundos, um acidente de trabalho é registrado. A cada três horas, um trabalhador é vítima fatal de acidente. O impacto dos números compilados pelo Ministério Público do Trabalho e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), disponíveis no Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, retratam a seriedade do tema não apenas sobre a ótica das vítimas e das empresas, mas também do seu impacto na economia.

Afinal, de 2012 até hoje, mais de R$ 82 bilhões foram gastos com o pagamento de benefícios previdenciários aos acidentados.

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Foi a ausência de uma diretriz mínima de segurança que fez com que o limpador Giovane dos Santos Lopes, 49 anos, esteja há 25 anos recebendo o auxílio previdenciário. “Logo quando meu acidente aconteceu, eu recebia o auxílio-acidente. Além do meu salário, que era pago pela empresa onde me acidentei, a Previdência pagou durante um ano esse auxílio, que era um adicional da metade do meu salário.

Mas, depois desse tempo, passei a receber o auxílio-doença no valor de um salário mínimo”, comenta o limpador, que teve sua capacidade de trabalhar eliminada por conta de uma queda que poderia ter sido evitada caso estivesse utilizado o cinto de segurança.
“Do dia do acidente até hoje, não sei mais o que é ter saúde. Vivo com dores. Desenvolvi uma grave artrite reumatoide e uma artrose severa que me obrigam a vir ao Recife praticamente a cada 15 dias para me tratar e pegar meus medicamentos, para que a doença não progrida mais”, desabafa Lopes, que mora em São José do Belmonte, no Sertão de Pernambuco.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal-PE), Henrique Gomes, acredita que, assim como ocorreu com o limpador, que por cumprir uma ordem terminou se acidentando, o grande problema em torno dos acidentes de trabalho está na cobrança excessiva. “Há muita pressão para que o trabalhador produza com rapidez. Por isso, às vezes, a segurança não fica em primeiro lugar no dia a dia das grandes fábricas”, afirma.

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