Energia eólica
Energia eólicaFoto: Arquivo

Diante de uma matriz de geração elétrica diversificada, a energia eólica vem se destacando no Brasil. Com boa qualidade de ventos e fortes investimentos do mercado, o País já tem 608 parques eólicos e capacidade instalada de 15,1 Gigawatts (GW) . Além disso, o mercado contribui para a diminuição da poluição. Só no ano passado, a fonte eliminou a emissão de 21 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2), de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

O desempenho brasileiro no setor vem sendo considerado promissor ao ponto de a energia eólica ser a segunda fonte da matriz elétrica no País, ficando atrás da hidrelétrica. O Brasil é o oitavo País do mundo em potência eólica. Já são mais de 7.477 aerogeradores operando, com capacidade para abastecer 25,5 milhões de residências por mês, beneficiando 80 milhões de pessoas no Brasil. De 2011 a 2018, foram investidos US$ 31,2 bilhões no setor.

Segundo o diretor técnico da ABEEólica, Sandro Yamamoto, os 12 estados que operam energia eólica estão priorizando o mercado, com um bom número de projetos para um leilão promovido pelo Ministério de Minas e Energia (MME) ainda este ano. “O País tem crescido de forma sustentável, os estados têm desenvolvido muitos empreendimentos e para o leilão de energia de 17 de outubro foram cadastrados 845 projetos eólicos totalizando 25,1GW. O Brasil tem um potencial eólico muito alto. É um fator muito grande para explorar. Ela é a fonte mais competitiva, vende a energia pelos melhores preços, e contribui para a tarifa residencial não ser tão alta, e ainda participa com 9% da matriz elétrica”, afirmou.

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Yamamoto conta ainda que a energia eólica é uma boa fonte para os brasileiros por poluir menos. “A energia eólica é uma fonte limpa, que não utiliza combustíveis fósseis, com baixo impacto ambiental, e que contribui para o Brasil atingir metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os parques fornecem renda para as áreas onde estão instalados e na época da obra gera arrecadação de impostos e emprego”, disse o diretor.

Atuante no mercado, a Votorantim Energia é uma das investidoras do ramo e que tem presença em Pernambuco. A empresa se uniu com o fundo Canadian Pension Plan Investment Board (CPPIB), formando a jointventure VTRM Participações, que injetou cerca de R$ 3 bilhões na aquisição de parques na Região Nordeste. “O investimento mais recente foi a aquisição do complexo eólico Ventos de Araripe III, com 14 parques eólicos nas cidades de Simões no Piauí e Araripina em Pernambuco, com 156 aerogeradores e uma potência instalada de 359 MW, o equivalente ao abastecimento de cerca de 300 mil residências”, informou a VTRM. Em média, 90% da energia gerada pelos parques eólicos da companhia são destinadas ao mercado regulado.

A Casa dos Ventos é uma das pioneiras no Nordeste, atuando desde 2007. Segundo o diretor da empresa, Lucas Araripe, o momento é positivo para o mercado. “O vento é algo constante, de velocidade e direção, trazendo uma produtividade boa, e custo de geração mais baixo. A matriz brasileira é dependente das hidrelétricas, e a energia eólica é competitiva, tem tarifas atrativas, e atua como um complemento para a hidrelétrica. Chegamos a um nível avançado e o futuro é promissor, principalmente no Nordeste”, afirmou Lucas.

O diretor da Casa dos Ventos destaca também que junto com a energia solar, a eólica tem um destaque no Brasil por ser renovável. “Eólica e solar são protagonistas. Os principais desafios são garantir robustez de transmissão para os principais mercados consumidores, já se planeja a expansão de transmissão, fazendo com que o Nordeste seja um grande exportador nesse mercado”, contou.

Pernambuco tem posição estratégica

Por conta da logística e dos bons ventos que sopram, Pernambuco é considerado bom lugar para se investir. Segundo o diretor da ABEEólica, Sandro Yamamoto, um dos grandes diferenciais locais se dá pela facilidade de produção. “Em função dos ótimos ventos, hoje cerca de 80% da cadeia produtiva é nacionalizada. Pernambuco conta com uma fábrica de pás eólicas, sem contar que Suape é importante para exportação dos equipamentos”, destacou. Atualmente o setor tem 782 Megawatts (MW) distribuídos em 34 parques e ainda 88 MW estão em construção em Pernambuco.

A VTRM Participações opera 21 parques eólicos na região Nordeste, um deles é o Ventos do Araripe III, e destaca o crescimento que o equipamento oferece para a população. “Além da geração de energia renovável e limpa, os empreendimentos impactam na arrecadação de impostos e na geração de renda junto às famílias. Os projetos sociais têm foco no desenvolvimento da qualidade de vida das famílias, com programas de desenvolvimento para geração de renda própria”, destacou a empresa.

A Casa dos Ventos atualmente não conta com projetos no Estado, mas foi uma das empresas que fizeram investimentos no Estado, como conta o diretor Lucas Araripe. “Do que Pernambuco tem instalado em operação, cerca de 70% foi construído pela Casa dos Ventos, em Caetés, e na Chapada do Araripe. Investimos R$ 2,5 bilhões, mas acabamos vendendo para investidores”, disse.

A geração eólica no Nordeste bateu um novo recorde de geração média diária na última segunda-feira, chegando a 8.650 MW médios, o que representa 89% da carga do subsistema, com um fator de capacidade de 74%. O recorde anterior havia sido registrado em 15 de agosto, quando foram produzidos 8.467 MW médios.

Energia eólica
Energia eólicaFoto: Arquivo
Sandro Yamamoto, diretor técnico da ABEEólica
Sandro Yamamoto, diretor técnico da ABEEólicaFoto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco
Lucas Araripe, diretor da Casa dos Ventos
Lucas Araripe, diretor da Casa dos VentosFoto: Edu Moraes/Divulgação

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