Com apenas 8 anos Fabiano dá boas dicas sobre como montar um plano de negócios. "Gosto da parte de invenções. É que tudo que existe hoje foi criado por alguém e as invenções melhoram o dia a dia das pessoas", explica
Com apenas 8 anos Fabiano dá boas dicas sobre como montar um plano de negócios. "Gosto da parte de invenções. É que tudo que existe hoje foi criado por alguém e as invenções melhoram o dia a dia das pessoas", explicaFoto: José Britto/Folha de Pernambuco

“Antes de criar um produto ou empresa é preciso colocar alguns pontos na balança, verificar o preço, medir os materiais e o custo benefício”. A frase anterior parece ter sido dita por um adulto que está prestes a montar sua empresa. No entanto, você se engana se pensou assim. No fim de semana que é comemorado o dia das crianças, Fabiano Valença, que tem oito anos de idade, aluno da escola Acelera, que fica no bairro dos Aflitos, dá uma verdadeira aula de como empreender. O garoto já tem em mente a empresa que deseja criar: uma loja especializada em jogos e games. “Gosto da parte de invenções. É que tudo que existe hoje foi criado por alguém e as invenções melhoram o dia a dia das pessoas”, conta Valença.

A criançada não está para brincadeira. Elas mostram que para aprender sobre empreendedorismo não tem idade. Cidadania, sustentabilidade, negócios e educação financeira. É a partir desses quatro pilares que a escola de empreendedorismo Acelera, se sustenta para ensinar sua metodologia aos alunos. “Dentro de sala são realizadas atividades lúdicas, de criação, focando sempre em aprender e gerar novas habilidades, como empatia, liderança. Assim, a criança vai aprender a encarar desafios na vida, que é uma característica de perfil do empreendedor”, detalha o diretor da Acelera Guilherme Carvalho. “As crianças estão interessadas em trabalhar por causas e não somente por um salário ou pensando na carreira pessoal de executivo. Elas querem trabalhar em projetos que tragam benefícios para o cotidiano das pessoas”, acrescenta Carvalho.

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Ter criatividade, inteligência emocional, coragem, assumir riscos, são algumas das habilidades que serão demandadas do profissional do futuro, explica o também diretor da Acelera Hugo Anselmo. “Qualquer projeto desenvolvido pelos alunos precisa ter uma função social, gerar um bem para comunidade, além do uso racional de recursos, resolução de problemas”, detalha. Para Anselmo, a ideia é que as crianças vejam oportunidades de melhorias para desenvolver um projeto em pró do coletivo. “Criamos neles esses aprendizados para serem reflexivos e críticos em formas de como podem ser agentes de mudança na sociedade”, ressalta.

Com todo esse aparato, a criançada fica preparada para trilhar um caminho, usando o empreendedorismo como uma forma de sempre pensar no bem estar geral e não somente em negócios. Entretanto, estar preparado para o futuro, envolve falar também de tecnologia. É que ela pode ser uma importante aliada nesse caminho. “Programação é novo idioma do amanhã”. É assim que avalia o diretor da escola Ctrl Play, que fica no bairro do Espinheiro, Filipe Brito, sobre a importância de dominar novas ferramentas para formação de um futuro profissional que atuará no mercado de trabalho. “A programação, tecnologia, empreendedorismo são assuntos que estão cada vez mais íntimos e conectados, portanto é fundamental saber um pouco de cada coisa”, acrescenta.

Na escola, que é especializada em tecnologia e programação, os alunos aprendem de uma forma diferente e lúdica, com problemas reais que vão lhe auxiliar a prepará-los para vida. Além disso, estimula o trabalho em equipe e torna-os mais persistentes para ir em busca de conhecimento. “Comigo foi assim. Eu não sabia fazer uma atividade, mas como sou persistente fui atrás de novos aprendizados para conseguir terminar a tarefa”, contou o aluno da escola Artur Lubambo. Com seus 10 anos, ele explica que está aprendendo em uma plataforma sobre como programar alguns jogos. “No primeiro mês eu já consegui programar quatro jogos. Esse tema é interessante e hoje em dia pretendo me tornar um programador de jogos”, disse.

Brito ainda destaca que esses ensinamentos serão necessários em qualquer área e que futuro do trabalho está ligado a tecnologia. “No futuro, esses profissionais que hoje são crianças, precisarão de habilidades novas para se encaixarem no mercado de trabalho. Com o uso da programação e tecnologia, a capacidade analítica desse jovem é ampliada a partir do momento que desenvolve novos projetos”, ressalta ainda dizendo que outras habilidades como o próprio empreendedorismo e a comunicação são ampliadas.

Para a professora Tayane Miranda, os conteúdos que envolvem tecnologia são voltados para serem passados de forma mais lúdica, o que facilita o aprendizado. “Criança é muito criativa e consegue absorver o conteúdo muito rápido, então a partir do momento que ela entende já consegue criar e tentar coisas novas”, destaca. Ainda segundo Tayane, a tecnologia ensina sobre o pensamento crítico, para o desenvolvimento de resolução de problemas. “Isso como habilidade humana vai ajudar como um todo, independente da área”, acrescenta.

Tecnologia é apontada como aliada nas escolas
A escola pode desempenhar um papel importante para que as crianças assimilem as características para formação de uma cultura empreendedora. Mas para desenvolver o empreendedorismo de melhor maneira, especialistas apontam que as famílias devem apoiar as escolas e os jovens para desenvolver melhor essa cultura. Além disso eles apontam que a convivência em um ambiente coletivo pela criança e o uso da tecnologia podem contribuir para uma boa formação além do que é aprendido em sala de aula.

Segundo o psicólogo e mestre em educação, coordenador do curso de psicologia da Unibra, MacDouglas Oliveira, a tecnologia é uma importante aliada para as crianças, que tem como principal característica a autonomia. “A tecnologia hoje é uma aliada ao desenvolvimento infantil. É uma série de fatores que envolvem desde o aperfeiçoamento da linguagem, a descoberta de algum acontecimento. Empreendedorismo é falar de autonomia, uma perspectiva futura de enxergar possíveis sonhos, conquistas, é um processo de tecnologia que o processo social traz isso, de que é possível fazer”, apontou.

De acordo com o especialista em cultura Maker e empreendedorismo, André Pessoa, um dos principais pontos que contribuem para uma melhor noção de mundo é a Cultura Maker. “As crianças conseguem identificar mais fácil uma problemática social, a lucidez delas ajuda muito, algumas pensam em solucionar problemas para criar ambientes onde os animais de rua podem dormir, pensando em solucionar problemas dessa vertente. O contato com a Cultura Maker pode facilitar no futuro com solução prática, eles são mais curiosos no sentido de como fazer algo, procuram vídeos, tem iniciativa. Se a família puder estimular e construir em casa com as crianças, não esperando a escola, ela vai tomar a decisão por resolver o seu problema”, destacou.

Para a diretora de operações do CESAR, Karla Godoy, é preciso dar importância maior para que ensinem formas de solucionar e não como solucionar de fato. “A gente não ensina a codificar, mas sim a resolver problemas e usar habilidades que não são ensinadas em sala de aula. Precisamos falar de empreendedorismo, inovação, apresentar como a tecnologia vai impactar no futuro deles, porque as profissões que existem hoje podem não existir no futuro”, disse Karla.

Com apenas 8 anos Fabiano dá boas dicas sobre como montar um plano de negócios. "Gosto da parte de invenções. É que tudo que existe hoje foi criado por alguém e as invenções melhoram o dia a dia das pessoas", explica
Com apenas 8 anos Fabiano dá boas dicas sobre como montar um plano de negócios. "Gosto da parte de invenções. É que tudo que existe hoje foi criado por alguém e as invenções melhoram o dia a dia das pessoas", explicaFoto: José Britto/Folha de Pernambuco
Já Arthur, 10 anos, está aprendendo em uma plataforma sobre como programar jogos. "Esse tema é interessante hoje em dia e pretendo me tornar um programador de jogos", acrescenta
Já Arthur, 10 anos, está aprendendo em uma plataforma sobre como programar jogos. "Esse tema é interessante hoje em dia e pretendo me tornar um programador de jogos", acrescentaFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco
Empatia e liderança são habilidades desenvolvidas em sala de aula
Empatia e liderança são habilidades desenvolvidas em sala de aulaFoto: José Britto/Folha de Pernambuco
"Programação é o novo idioma do amanhã", diz Filipe Brito
"Programação é o novo idioma do amanhã", diz Filipe BritoFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco
Segundo Tayane Miranda, conteúdos são passados de forma lúdica
Segundo Tayane Miranda, conteúdos são passados de forma lúdicaFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

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