Ibovespa
IbovespaFoto: Nelson Almeida/AFP

O otimismo que tomou conta da Bolsa brasileira no primeiro pregão do ano foi diluído nessa sexta-feira (3), diante da notícia de ataques aéreos por parte dos Estados Unidos no aeroporto de Bagdá, no Iraque.

O índice Bovespa - principal indicador do desempenho médio das ações negociadas na B3 - encerrou o segundo pregão do ano com queda de 0,73%, aos 117.706 pontos. Em ambiente de tensão, o volume de negócios atingiu R$ 29,1 bilhões. Com o noticiário doméstico fraco, o Ibovespa passou o dia acompanhando a queda nas Bolsas internacionais.

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Todos principais mercados do mundo encerraram em queda: a maior de todas foi do índice Dax, de Frankfurt, que recuou 1,25%. S&P 500 e Dow Jones caíram 0,71% e 0,81%, respectivamente. Na Ásia, as bolsas de Tóquio e Xangai fecharam em queda de 0,76% e 0,18%, nesta ordem.

A operação militar americana no Iraque foi responsável pela morte de Qassem Soleimani, comandante da força de elite Quds do Irã. Segundo o analista Samuel Torres, da Capital Research, o evento trouxe forte tensão aos mercados devido ao receio do início de uma guerra entre os dois países. "Soleimani tinha forte influência no regime iraniano, de maneira que o líder Ali Khamenei prometeu vingança e retaliação", disse o analista.

Para ele, o acontecimento pode refletir o crescimento da economia global e, por isso, os ativos de risco (como ações) são impactados negativamente conforme os investidores migram para ativos de menor risco. "Esses, por outro lado, são justamente os que se beneficiam nesses momentos, como o ouro, Treasuries [títulos do Tesouro dos EUA], dólar e iene. Ativos que estão comprados em volatilidade, também se beneficiam", completa Torres.

O dólar comercial encerrou a sessão desta sexta-feira em alta de 0,77%, cotado em R$ 4,0560. O ouro, por sua vez, subiu 2,93%. Os especialistas ainda afirmam que somado ao ataque, o fato de o Irã ser a quarta maior reserva de petróleo do mundo traz a perspectiva de que a oferta global da commodity possa ser afetada. O barril do petróleo tipo Brent ficou em R$ 68,65, com avanço de 3,62%.

Em relatório, a XP pontuou que apesar de à primeira vista a Petrobras reagir positivamente, o mercado deverá monitorar, ao longo dos próximos dias, se a companhia repassará o aumento nos preços do petróleo. "Normalmente, a Petrobras não tem reagido a movimentos de curto prazo, principalmente quando não há mudança estrutural de oferta e demanda, como foi o caso do ataque à Arábia Saudita em setembro", informou a XP.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, ao final da manhã desta sexta que conversaria com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco e com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre os riscos de uma possível alta de combustíveis no país devido ao ataque ao Iraque. "Que vai afetar, vai. Agora vamos ver o nosso limite aqui", disse.

As ações da Petrobras terminaram o pregão de sexta-feira entre as mais negociadas. Os papéis preferenciais da petroleira caíram 0,81% e encerraram cotadas em R$ 30,45. Já as ações ordinárias (com direito a voto) tiveram queda de 2,46% (R$ 31,99). Segundo relatório da Guide Investimentos, as ações da Petrobras tiveram um movimento tumultuoso ao longo do dia.

"De um lado, a alta no preço do petróleo em função da escalada de tensões entre EUA e Irã impulsionou as ações da petroleira acima. Na contramão, a notícia de que o BNDES deve se desfazer de sua participação de 10% na empresa em um follow on [oferta subsequente de ações] no dia 4 de fevereiro criou forças no movimento contrário", informa o relatório da corretora.

Na esteira dos papéis que também podem ter sofrido alguma influência dos preços do combustível estão as companhias aéreas. No mercado acionário brasileiro, Gol Linhas Aéreas encerrou com queda de 3,42%, enquanto Azul amargou recuo de 3,47%.

Ainda segundo a XP, os analistas mantiveram a visão estrutural positiva para o Ibovespa, mas ressaltaram que a incerteza quanto a extensão da disputa entre Irã e Estados Unidos pode continuar gerando volatilidade para os mercados no curto prazo.

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