Marco Zero, no Recife
Marco Zero, no RecifeFoto: Fabricio Macedo FGMsp

Já são praticamente cinco anos de uma profunda crise econômica no Brasil, iniciada nos primeiros meses do segundo mandato de Dilma Rousseff e agravada após o aprofundamento da crise política no país, que culminou com a destituição da ex-presidente. De lá para cá, tanto governo quanto iniciativa privada têm buscado maneiras de retomar o caminho do crescimento. As tão necessárias reformas estruturais entraram em curso já durante a gestão provisória de Michel Temer e ganharam corpo no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro.

Mesmo com todos os esforços, a economia brasileira ainda patina. Após seguidas quedas, os indicativos de crescimento são tímidos – o PIB brasileiro teve um crescimento de apenas 1,2% em 2019. A expectativa do mercado é que em 2020 o crescimento chegue a 2,2%, um número ainda abaixo das expectativas, mas que já demonstra retomada em relação a anos anteriores. Porém, se o PIB nacional ainda não decolou, um estado brasileiro tem destoado do cenário geral e crescido acima do esperado, atingindo em 2019 a evolução que o governo federal espera para o país em 2020: o PIB de Pernambuco cresceu exatamente 2,2% no último ano.

O bom desempenho do estado parte de sólidas políticas públicas de desenvolvimento, entre elas a inserção de indústrias, como no polo automotivo de Goiana, no Grande Recife. Esse desenvolvimento tem sido notado nas três principais áreas de atividade econômica – indústria, comércio e agropecuária. No segundo trimestre de 2019, a agropecuária teve alta de 9,9%, enquanto a indústria cresceu 4,9% e o setor de serviços, 1,1%.

Dono do maior crescimento, o setor da agricultura foi impulsionado pelas lavouras permanentes, que cresceram expressivos 20,5%. Houve aumento na produção de frutas e oleaginosas, como banana, manga, maracujá, coco-da-baía, goiaba e castanha-de-caju. Na pecuária, o crescimento foi de 2,9%, muito por conta causa do aumento na produção de ovos e da bovinocultura.

A indústria de transformação puxou o crescimento da indústria em geral, com 6,6% de alta. Por sua vez, a produção e distribuição de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana cresceu 6,5%, enquanto a construção civil teve um resultado 1,5% superior a 2018. O setor de serviços cresceu 1,1%, impulsionado por transporte, armazenagem e correio, que individualmente cresceram 5,1%. Saúde, educação pública e a administração tiveram alta de 1,9%.

Projeção é de crescimento contínuo nos próximos anos

Os resultados positivos da economia pernambucana não são frutos do acaso. Já existe um compromisso de investimentos de quase R$ 13 bilhões para os próximos 3 anos, que serão aportados nos mais diversos setores. Uma das principais razões para a atual força da economia do estado é exatamente a diversidade de segmentos em expansão.

No estado celeiro de grandes artistas e personalidades de vulto nacional, existem operações de grandes empresas do setor de bebidas e alimentos, como a BRFood e Ambev, do setor automobilístico, de petroquímica, de refinaria de petróleo, da produção de resinas PET, inclusive com a presença da líder mundial do setor, a Indorama, de hospitais, de energia solar e do agronegócio. O maior exportador de manga do país está situado em Pernambuco, por exemplo. A indústria têxtil também se destaca, com alta geração de empregos na região.

Todo esse investimento em diversas áreas só foi possível porque o governo estadual combateu três dos maiores entraves da economia brasileira - a burocracia, a ausência de transparência e a falta de mão-de-obra capacitada. Desses prometidos R$ 13 bilhões que vão manter a economia do estado num ritmo crescente pelos próximos anos, mais da metade deve vir de uma única fonte, a montadora italiana Fiat Chrysler Automóveis (FCA).

Com fábrica instalada em Goiana, município da grande Recife, a montadora produz três dos seus modelos mais vendidos na atualidade - Fiat Toro e os Jeeps Renegade e Compass. A fábrica foi inaugurada há quase 5 anos e custou R$ 11 bilhões, somando construção, instalação e o investimento em equipamentos. Até o momento, a FCA gerou 15 mil empregos na região, entre funcionários da própria fábrica e fornecedores.

Com crescimento sustentável na região, oferta de crédito deve subir

Com o emprego crescendo, a renda se estabilizando na região e queda na taxa básica de juros (Selic), bancos e instituições financeiras em geral estão voltando suas atenções para Pernambuco. Se o crescimento já é notável em grandes empresas, a expectativa é que em 2020 ela alcance o pequeno e médio empreendedor pernambucano. Como reflexo das políticas do Banco Central para a democratização do crédito, empresas como a Finbino têm se destacado no mercado pela maneira fácil e rápida de fornecimento de empréstimos.

Mesmo com uma baixa taxa de recuperação de crédito em relação a países mais desenvolvidos, ações como a criação do cadastro positivo e o chamado “open banking”, têm dado mais confiança a quem realiza essas operações. Com crédito barato, rápido e fácil, a expectativa é que haja investimento para que as áreas de comércio e serviço em Pernambuco apresentem números tão bons quanto os da indústria e do agronegócio.

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