Tatiane Fonseca fez questão de matricular as filhas Maria Eduarda e Samara em escola que inclui a educação financeira na grade curricular
Tatiane Fonseca fez questão de matricular as filhas Maria Eduarda e Samara em escola que inclui a educação financeira na grade curricularFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

É na infância que se constroem hábitos e conceitos importantes para a vida em sociedade. Por isso, também é desde cedo que se deve falar sobre educação financeira. Segundo especialistas, o ideal é que este exercício comece em casa e continue no colégio porque é fundamental para a formação de adultos conscientes saber sobre o valor e o uso do dinheiro. Também é uma forma, portanto, de construir uma população sem tantos desequilíbrios financeiros como os enfrentados atualmente pelos brasileiros.

Integrante da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Luciana Menezes explica que este ainda é um assunto recente nos colégios brasileiros. Por isso, não fez parte da formação dos adultos de hoje em dia, que, com a crise, se viram despreparados para lidar com o contingenciamento de recursos. “Nós não tivemos a preocupação com o dinheiro na nossa educação e as consequências disso são os sofrimentos que as pessoas têm passado com o desemprego. Se tivéssemos tido, cuidaríamos melhor do dinheiro que passa pelas nossas mãos e teríamos uma reserva para casos de emergência”, afirmou Luciana, dizendo, que, antes de solucionar problemas inesperados, a educação financeira pode ser uma forma de poupar para a realização de sonhos.

Por isso, é tão importante inserir o assunto no dia a dia dos brasileiros, sobretudo das crianças. Afinal, é na infância que o aprendizado se consolida com mais eficiência.

“Estudos mostram que, quanto mais cedo a criança aprende um determinado hábito ou conceito, mais forte esse conceito persiste na vida dela”, afirma a diretora do colégio Ecoprime, Andressa Peixoto, apoiada pela coach financeira Tatiane Fonseca. “Para mudar um comportamento é preciso criar um hábito. Por isso, essa educação tem que começar na base; porque, depois de grande, é mais difícil isso acontecer”, disse Tatiane, que, pensando nisso, fez questão de matricular as filhas Maria Eduarda e Samara na Ecoprime, escola que fica em Aldeia, uma das primeiras do Grande Recife a incluir a educação financeira na grade curricular.

As especialistas ainda garantem que, mesmo com a pouca experiência, as crianças são capazes de entender e pensar sobre os problemas financeiros. Para isso, bastar abordar o tema com tranquilidade, levando-o para dentro da rotina delas. “A partir dos 3 anos de idade, a criança já começa a pedir para os pais comprarem coisas. Neste momento, já é hora de começar a falar sobre esse tema. Podemos explicar que aquilo custa dinheiro, que é caro ou barato, e que dinheiro precisa ser produzido para ser usado. Assim, trabalhamos também noções de quantidade, medida e proporção”, falou Luciana, dizendo que, desta forma, as crianças percebem que é preciso poupar.

Esta noção fica ainda mais forte quando o assunto é continuado na sala de aula. A influência da escola é tanta que, quando não há esse direcionamento em casa, são as crianças que levam a educação financeira obtida com os professores para os pais. E é por conta de tudo isso que cada vez mais escolas têm se preocupado em tratar deste tema com seus alunos. Só a Abefin compartilha sua metodologia com 62 colégios pernambucanos. Um deles é o Ecoprime, que, além das aulas, criou um dinheiro próprio para uso dos pequenos, o Ecomoney. A ideia é que eles usem a moeda para comprar os lanches e, assim, aprendam a poupar para que a mesada dure o mês todo. “Nós, enquanto colégio, precisamos trabalhar a criança em todos os parâmetros. A vida tem várias facetas, inclusive a financeira”, justificou Andressa, contando que, com essa metodologia, os alunos entendem o valor e a finitude do dinheiro.

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