Presidente do Banco do Nordeste, Romildo Carneiro Rolim
Presidente do Banco do Nordeste, Romildo Carneiro RolimFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O presidente do Banco do Nordeste, Romildo Carneiro Rolim, inaugurou, na última quinta-feira, o Hub de Inovação da empresa, no Recife, como instrumento capaz de induzir maior competitividade das empresas locais, ajudando na transformação dos negócios. Segundo Rolim, em 2019, o Banco aumentou em 15% o número de operações para as micro e pequenas empresas pernambucanas, o que corresponde a 24,8% em termos de valores, enquanto os programas de microfinança, Crediamigo e Agroamigo, evoluíram 9,6% no número de contratações. Para ele, o Banco “superou bem” os desafios da recuperação econômica no País, injetando, nos dois últimos anos, mais de R$ 85 bilhões na economia regional

Como o Banco do Nordeste vem enfrentando os desafios de promover desenvolvimento regional no atual cenário?
Na nossa avaliação, o Banco superou bem os períodos mais difíceis da economia e os seis anos de estiagem prolongada na região. Vejamos que, somente nos dois últimos anos, por exemplo, a Instituição contratou 10,3 milhões de operações, correspondendo a R$ 85,8 bilhões investidos nos diversos setores e segmentos da economia regional. Analisando a evolução dos créditos de curto e longo prazo, nos últimos cinco anos, a partir do resultado de 2015, quando o Banco contratou R$ 24,1 bilhões, e chegando a 2019, quando foram aplicados R$ 42,2 bilhões, observa-se um Compound Annual Growth Rate (CAGR) de 15% ao ano. Aliado à eficiência operacional de 52,3% alcançada no ano passado e que representa melhoria de 13,3 pontos percentuais em comparação com 2018, trata-se, evidentemente, de esforço significativo que contribuiu para o BNB ser reconhecido como o banco brasileiro de melhor desempenho, considerando o ano de 2018 e as variações com 2017.

Mas o que isso significa de efetivo para a população nordestina?
A efetividade do crédito concedido pelo Banco aos empreendedores dos nove estados da região Nordeste e do norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo está expressa em fatos e argumentos sólidos. Podemos ressaltar dois, pelo menos. O primeiro é que as aplicações realizadas com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), no total de R$ 29,48 bilhões, em 2019, permitem estimar uma contribuição capaz de gerar ou manter 1,6 milhão de empregos. Estamos falando de ocupações que não representam o saldo no final do ano, mas, sim, a entrada de novos trabalhadores, formais e informais, ou a manutenção do trabalhador em decorrência da contratação dos financiamentos. Já os programas de microfinança criados pelo Banco, o Crediamigo, para o empreendedor urbano, e o Agroamigo, para o empreendedor rural, cumprem papel crucial na dinâmica de fazer crédito efetivo. Só em 2019, foram contratados por meio desses programas R$ 13,1 bilhões, correspondendo a mais de 5 milhões de operações. São instrumentos de uma política pública de êxito, desenvolvida com grande apoio do Governo Federal e que hoje serve de exemplo para o país todo.

Qual a participação de Pernambuco nesses investimentos do Banco?
A economia forte do Estado sempre ocupou posição privilegiada no cômputo das aplicações do Banco. Em 2019, por exemplo, foram contratadas, em Pernambuco, 359,8 mil operações, no valor total de R$ 3,3 bilhões, equivalentes a crescimento de 4,4% no número de contratações, em relação ao ano anterior. Vale destacar o incremento expressivo de 15,5% na quantidade de financiamentos e de 24,8% nos valores para as micro e pequenas empresas pernambucanas, segmento fundamental na base da economia regional. Nos programas de microfinança, Crediamigo e Agroamigo, foram 335,1 mil contratações em 2019, evolução de 9,6% em relação ao ano anterior. E uma participação que consideramos importante, neste momento, é a própria inauguração do Hub de Inovação Banco do Nordeste no Recife.

Que importância o Banco confere à inovação em suas políticas estratégicas?
Nesse ponto, podemos afirmar com satisfação que o Banco do Nordeste é pioneiro e confere grande importância à inovação em produtos, em serviços, em processos e na gestão. A noção de desenvolvimento, nos dias atuais, exige inovar como premissa essencial na transformação dos negócios. Particularmente por meio dos espaços criativos das startups. Sabemos que, sem inovação capaz de conferir competitividade às empresas da região, torna-se mais complexo inserir-se nos mercados altamente globalizados. E o Nordeste, acreditamos nisso, pode se tornar território de inovação, a partir de seu capital de conhecimento e criatividade. Nessa perspectiva, o BNB criou o Hub de Inovação, implantando o primeiro núcleo em Fortaleza, em 2016, e o segundo, em Salvador, em 2018. Agora, chegamos ao Recife, para construirmos experiências nas quais depositamos muitas expectativas.

E como a Instituição se prepara para os próximos anos?
O Banco do Nordeste construiu larga experiência ao longo de seus 67 anos de história, adaptando-se às transformações do país, observando os contextos, sempre atento às mudanças conjunturais e aberto às estruturais. Todo esse cabedal está voltado para desenvolver as políticas públicas da forma mais eficiente, eficaz e efetiva possível. Assim é que, para o quinquênio de 2020 a 2024, nosso planejamento estratégico se alicerça em temas transversais que priorizam nossos clientes e os negócios, as pessoas, os produtos e serviços, a tecnologia e os processos. E para atuar nesse sentido, seguiremos as diretrizes de fazer o FNE cada vez melhor, de avançar na liderança do microcrédito, de ser o banco da micro, pequena e média empresa do Nordeste, de inovar em processos, produtos e serviços e de valorizar as competências humanas. Para isso, temos energia e assumimos o desafio como compromisso de todos os que fazem o Banco.

Startups são o futuro do empreendedorismo

O diretor de Administração do Banco do Nordeste, Cláudio Luiz Freire Lima, fala sobre o HUB de Inovação do BNB no Recife.

O Banco do Nordeste atua com outros dois hubs de inovação, em Fortaleza e Salvador. Qual o objetivo do Hub de Inovação?
O apoio ao empreendedorismo está explícito na missão do Banco do Nordeste desde sua criação. Especificamente para o empreendedorismo digital, esse olhar direcionado também se fez presente na criação do Hub de Inovação Banco do Nordeste, em 2016. A partir de então, o Banco passou a apoiar diretamente o empreendedorismo inovador, primeiro em Fortaleza, no Ceará, como experiência piloto, chegando posteriormente a Salvador em 2018. Quando o empreendedorismo associa-se à inovação, que promove melhoria contínua à produtividade das empresas e à geração de produtos e serviços adequados aos anseios do mercado, gera mais empregos e renda direta e indireta. Esse é o principal papel do Hub de Inovação. Colaborar para o desenvolvimento regional por meio do apoio ao empreendedorismo regional inovador, promovendo a competitividade entre nossas empresas.

Sobre a seleção das startups para ocuparem as vagas do Hub de Inovação no Porto Digital, o que o BNB busca?
A expectativa do Banco é encontrar soluções capazes de contribuir de forma decisiva para a superação dos desafios regionais. Buscamos, principalmente, soluções inovadoras que ofereçam suportes para a elevação da produtividade das empresas de médio/grande porte em geral, assim como indústria sucroalcooleira, do setor do turismo, da gestão do agronegócio de Pernambuco. Inovação impulsiona desenvolvimento. E as startups precisam propor soluções que gerem ganho de produtividade, elevação de receita e de empregos para as empresas da nossa Região. Precisamos, por exemplo, de soluções que ajudem o homem do campo a gerenciar suas propriedades com ganho de tempo, custo e precisão. A agricultura, para citar um caso, dispõe hoje de diferenciais importantíssimos para a colheita do Sul e Sudeste, e isso precisa se refletir em ganhos na nossa economia.

Quais os principais resultados obtidos com o Hub de Inovação desde a sua criação? Por que essa unidade é inovadora?
O Banco do Nordeste é a primeira instituição financeira pública a criar um hub dedicado à questão urgente da inovação. No caso dos empreendedores da economia digital, em que as empresas passam por transformações dinâmicas e significativas, temos conectado nossas soluções com as necessidades de negócio do Banco e do Nordeste, promovendo a inovação aberta, conectando-os com nossos clientes e com o mercado.
Em 2019, o Hub de Inovação realizou uma agenda intensa. Por exemplo, facilitou a conexão entre Academia, Governo e sociedade. Também promoveu mais de 100 eventos internos e externos ao Banco, alcançando público de mais de 8.000 pessoas que discutiram ativamente e apreenderam novos temas sobre tecnologia, processos e inovação. E facilitou a troca de experiências com pelo menos 200 startups, incluindo parceiros e investidores internacionais.

Em parceria com o Fundo de Desenvolvimento Econômico, Científico, Tecnológico e de Inovação (Fundeci), o Hub de Inovação Banco do Nordeste apoiou, ainda, mais de 30 empresas com subvenção econômica para projetos de inovação, com recursos no valor de até R$ 300 mil. E o mais importante de tudo, facilitou a conexão desses empreendedores com seus potenciais clientes, gerando negócios.
Em Salvador, o Hub de Inovação prospectou mais de R$ 500 milhões em projetos de financiamento. Além disso, startups residentes no Coworking receberam investimento da ordem de R$ 20 milhões, relativamente a capital de risco e investimento anjo. É esse potencial que estamos querendo imprimir no Porto Digital.

Hoje, que linhas de financiamento o Banco do Nordeste utiliza para fomentar negócios digitais?

Especificamente, o BNB dispõe do FNE Inovação. Nessa linha, destacamos como diferenciais o prazo de reembolso, que pode se estender até 15 anos, incluídos até cinco anos de carência, a possibilidade de financiamento de até 100% do empreendimento, da taxa de juros menor e do bônus de adimplência. Também temos o FNE Startup, única linha de credito no País para startups e que prevê prazo de reembolso de até cinco anos com um ano de carência.
Para 2020, o Banco ainda projeta incrementar financiamentos a projetos de inovação nas faixas de até R$ 200 mil com o FNE Startup e acima de R$ 200 mil para financiamento de projetos de ciência, tecnologia e inovação, com o Fundeci e com o FNE Inovação.
A expectativa a cada ano que se renova é financiar mais empreendedores inovadores e aumentar a capilaridade dos projetos e a abrangência das ações.

Quais são os principais projetos do Hub para 2020 no Nordeste e em especial para Pernambuco?
Os projetos regionais estão voltados para o apoio às iniciativas inovadoras de desenvolvimento do empreendedorismo como nossos Encontros Empresariais Open Innovation (Inovação Aberta). Há previsão de realização desses eventos em todas as superintendências estaduais com objetivo de conectar clientes do Banco do Nordeste a soluções inovadoras. Em Pernambuco, pretendemos estender a realização desses encontros a regiões como Caruaru e Petrolina. Vamos, ainda, promover capacitação e oficinas de elaboração de projetos de inovação que servirão para que os interessados possam submeter suas propostas ao FNE Inovação, FNE Startup e Fundeci e apoiar eventos diversos para o ecossistema de inovação do Recife, como o Rec'n'Play e o Mangue.Bit.

O senhor citaria algum diferencial do BNB em relação a outros bancos no Brasil nessa área de fomento a negócios digitais?
O FNE Inovação, FNE Startup e os editais de subvenção econômica com recursos do Fundeci para apoio integrado às startups são diferenciais. O BNB tem buscado adaptar processos, produtos e serviços à atual conjuntura dos negócios digitais. Estamos aprimorando políticas de risco, modelos de garantias, processo de concessão e administração do crédito para atender empreendedores da Nova Economia.

O senhor acredita que startups são o futuro do empreendedorismo digital no Brasil?
Startups são empresas enxutas que buscam modelos de negócio repetíveis (reproduzidos em escala ilimitada) e escaláveis, que possam crescer rapidamente, em cenário de risco e incertezas. O potencial de escala da startup pode gerar retorno muito rápido. E isso significa mais emprego e renda, consequentemente, mais desenvolvimento econômico. Por essas características, as startups são, sim, o futuro do empreendedorismo.

De que forma o senhor, como representante de uma das mais importantes instituições de fomento do País, avalia a performance do Nordeste no desenvolvimento do empreendedorismo digital? O que ainda precisa ser melhorado? Quais os principais desafios dos negócios digitais na Região?
Um dos principais desafios é a formação dos empreendedores. Percebe-se a necessidade de educação empreendedora para capacitá-los em gestão de negócios. Estudos do Sebrae, por exemplo, apontam baixa qualidade do empreendedorismo no Brasil e carência de sofisticação tecnológica e ineditismo nos empreendimentos. Queremos contribuir efetivamente.

Presidente do Banco do Nordeste, Romildo Carneiro Rolim
Presidente do Banco do Nordeste, Romildo Carneiro RolimFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco
Diretor de Administração do Banco do Nordeste, Cláudio Luiz Freire Lima
Diretor de Administração do Banco do Nordeste, Cláudio Luiz Freire LimaFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

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