Na avaliação de Elaine Maria, a desigualdade não deveria existir e destaca que mulheres devem receber as mesmas oportunidades de emprego que os homens
Na avaliação de Elaine Maria, a desigualdade não deveria existir e destaca que mulheres devem receber as mesmas oportunidades de emprego que os homensFoto: Julya Caminha

Uma única mulher em meio a dez homens na gestão de uma indústria. A função de Anny Gonçalves, 32 anos, engenheira e gerente industrial representa a quebra de um paradigma social, pois o número de mulheres em cargos de chefia ainda é pequeno no Brasil. De acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feita para o Dia Internacional da Mulher, cerca de 41,8% das mulheres ocupam cargos de dirigentes ou gerentes de empresas, enquanto os homens ocupam 58,2% desses cargos.

Para Anny, a conquista de espaços como esse demonstra que de forma lenta o pensamento das empresas está mudando, mas ainda é preciso intensificar ações para que mais conquistas sejam alcançadas em menos tempo. “Algumas empresas vêm acordando e buscam quebrar essas barreiras na contratação de mulheres. Eu sou uma prova viva, sou uma única mulher dentro de grupo com uns dez homens que gerem uma indústria grande. Existe um espaço grande para ser conquistado e acredito que estamos no caminho certo, só não vai ser fácil mudar o pensamento das pessoas. Não será algo do dia para noite”, disse ela.

O levantamento do IBGE teve como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2018 para analisar as diferenças de rendimento médio real entre mulheres e homens de 25 a 49 anos. Um ponto que chama atenção está no fato de que as mulheres ganham menos do que os homens em todas as ocupações do levantamento, chegando a receber um terço do salário pago a homens que desempenham a mesma função. Outro destaque está na desigualdade salarial entre homens e mulheres, que ainda é grande apesar da redução de 1,2% no ano passado, onde agora as trabalhadoras ganham em média 20,5% menos que os homens no País.

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Para a autônoma Luanda Andrade, de 33 anos, a redução mesmo que pequena representa uma grande conquista para as mulheres e acredita que a mudança desse fator depende das próprias mulheres. “Ainda é uma pequena conquista reduzir a desigualdade, resultado de uma luta com cada vez mais engajamento por parte das mulheres. Assim vamos somando força e nos apoiando, buscando nossos direitos por meio de mobilizações. Estamos numa posição de enfrentamento e qualquer mudança que a gente venha a ter depende do nosso posicionamento, da nossa organização. A desigualdade salarial é um reflexo de uma estrutura de pensamento patriarcal, subestimando a mulher e usando isso como justificativa para ela não produzir e merecer ganhar menos”, disse Luanda Andrade.

Na avaliação de Elaine Maria, que está desempregada e tem 40 anos, a desigualdade não deveria existir e destaca que mulheres devem receber as mesmas oportunidades de emprego que os homens. “Acho que essa situação poderia melhorar ainda mais, acho que é preciso valorizar a mulher como ela deve ser. A gente não recebe oportunidade de mostrar o que a gente sabe. As vezes a pessoa tem tudo para ser uma boa profissional, mas não tem oportunidade. A mulher precisa de reconhecimento”, afirmou.

Filho e gênero como problemas

Além de sofrer com a desigualdade salarial em relação aos homens, as mulheres precisam enfrentar dificuldades e desconfianças do mercado de trabalho num quesito cruel: a quantidade de filhos. De acordo com a consultoria IDados, com base na Pnad Contínua, uma brasileira com três ou mais filhos recebe até 40% menos que uma companheira de trabalho que não é mãe.

Segundo o levantamento, mulheres sem filhos ganham cerca de R$ 2.115 por mês, e ter o primeiro filho faz o salário ser reduzido em 24%. Caso o número de filhos aumente, chegando a três ou mais, a queda no salário chega na casa dos 40%.

Já uma pesquisa feita pela Amcham, mostra que 69% das mulheres já enfrentaram alguma barreira durante a trajetória profissional por conta de gênero. O levantamento foi feito com 770 executivas de diversos cargos e níveis, e mostra que a disparidade dentro do mercado precisa sair do âmbito da discussão.

Na pesquisa, a Amcham também observou que a maternidade foi um problema durante a trajetória profissional dessas mulheres. Cerca de 8% delas afirmaram que após terem filhos, o tratamento na empresa foi de uma forma diferente. 

De acordo com a Amcham, 31% das mulheres entrevistadas só tiveram a noção dessa barreira no momento de reuniões, onde relataram ter poucas oportunidades para expor ideias ou sendo interrompidas durante colocações. Já 19% delas só perceberam o problema quando sofreram assédio moral ou sexual por parte de um colega de trabalho, cliente ou líder do local de trabalho.

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