Diretor de Galeria e inventor do Ai-Da, o artista humanóide robô AI, Aidan Meller, posa com a Ai-Da durante um evento de lançamento para sua primeira exposição individual em Oxford
Diretor de Galeria e inventor do Ai-Da, o artista humanóide robô AI, Aidan Meller, posa com a Ai-Da durante um evento de lançamento para sua primeira exposição individual em OxfordFoto: Niklas Hallen'n / AFP

Ai-Da é descrita como "uma das artistas mais empolgantes da nossa época". Mas sua essência a distingue de seus pares: Ai-Da é um robô humanoide dotado de inteligência artificial.

Esta tecnologia de aprendizagem autônoma lhe permite criar obras de arte e a Universidade de Oxford, na Inglaterra, expõe pela primeira vez seus desenhos, de 12 de junho e 6 de julho.

"É totalmente algorítmica, (...) totalmente criativa", disse nesta quarta-feira à imprensa seu artífice, o marchand de arte Aidan Meller enquanto a artista-robô, vestida com uma bata de pintor e uma peruca escura, esboça seu retrato.

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"Não pensem que é uma impressora muito cara: não sabemos o que vai fazer", afirma. Quarenta e cinco minutos depois, apareceu seu rosto sobre o papel, desenhado com traços habilidosos de lápis.

Para desenhar, Ai-Da se serve de seus "olhos", duas câmeras que capturam tudo que se encontra na frente dela. Depois, um computador interno e sua tecnologia de inteligência artificial traduzem as informações capturadas em coordenadas que lhe permitem reproduzir uma imagem.

Outros desenhos feitos por Ai-Da decoram as paredes da galeria de arte de Aidan Meller, entre eles esboços a lápis de figuras históricas como o artista e cientista Leonardo da Vinci e o matemático Alan Turing, pioneiro da ciência da computação.

Também são expostas ali pinturas e esculturas realizadas por artistas humanos a partir dos esboços de Ai-Da.

Isso porque, por enquanto, Ai-Da só pode segurar com seu braço robótico alguns tipos de utensílios, como lápis, mas não pincéis e muito menos ferramentas para esculpir.

"O espírito de sua época"

Aidan Meller começou a sonhar com este projeto há oito anos e batizou seu robô em homenagem à pioneira inglesa da ciência da computação, a matemática e escritora do século XIX Ada Lovelace.

O denominador comum entre todos os grandes artistas é ter sabido "captar o espírito de sua época", justifica. No século XXI, tal espírito se encarna, afirma, na inteligência artificial.

A concepção deste projeto começou em 2017 e terminou em abril passado, com a ajuda da Engineered Arts, uma empresa de robótica britânica, e pesquisadores das universidades de Oxford e Leeds.

Foi dada ao robô uma aparência feminina, como desejava o diretor da galeria, que acredita que no mundo das artes e da programação as mulheres estão sub-representadas.

Ai-Da "tem uma imagem, é um avatar, é ficção e é real", se entusiasma seu criador.

Meller espera que algum dia Ai-Da seja também capaz de se comunicar intuitivamente e talvez de descrever suas próprias obras de arte.

E embora dependa da tecnologia, o marchand afirma que sua produção artística é também "altamente criativa".

"Está dotada de incríveis tecnologias e de competências para produzir obras notáveis, inovadoras", insiste, indicando que não há dois trabalhos seus que sejam iguais.

Discreto sobre o custo total do projeto, Meller disse que a venda das obras de Ai-Da permitiu financiar sua fabricação: a totalidade das peças vendidas já ultrapassa um milhão de libras (1,27 milhão de dólares, 1,13 milhão de euros).

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