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FacebookFoto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Facebook deverá superar a desconfiança dos reguladores do mundo todo, se quiser que seus consumidores adotem seu projeto de criptomoeda, libra, especialmente na Índia, onde uma parte da população não tem acesso aos bancos.O projeto, revelado pela empresa, está previsto para 2020 e tem gerado receio entre as autoridades.

O ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, advertiu imediatamente que a prerrogativa soberana de criar uma moeda deve continuar sendo privativa dos Estados. Nesta sexta-feira (21), em uma entrevista divulgada na BBC, o governador do Banco da Inglaterra, Mike Carney, concordou.

Os bancos centrais e demais reguladores "vão estabelecer as regras do jogo e o sistema (do Facebook) terá que aceitá-las, ou então as coisas não funcionarão", assegura Carney.



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O governador deu ao Facebook "as boas-vindas ao mundo das finanças", um mundo "onde há vigilância, defesa do consumidor, e onde deve se assegurar o respeito à vida privada das pessoas", informou.

Duas personalidades francesas do mundo da economia pediram uma reação dos Estados."O projeto de moeda do Facebook é uma prova para a credibilidade dos governos e dos bancos centrais", ressaltaram o diretor do Departamento de Economia da Escola Normal Superior, Daniel Cohen, e Nicolas Théry, presidente do Crédit Mutuel, em um artigo no jornal "Le Figaro".

Nos Estados Unidos, o Facebook já gera receio nas autoridades desde que estourou uma série de escândalos sobre a utilização de dados de usuários da rede social.

Após o anúncio sobre a libra, o Comitê do Senado sobre o setor bancário previu uma primeira audiência em meados de julho para averiguar o que o Facebook pretende. Em outros países, a tarefa para o Facebook pode se revelar ainda mais difícil, por exemplo na Índia, onde as criptomoedas são proibidas.

O Banco Central indiano, que considera as moedas virtuais "doenças contagiosas", trabalha há tempos em uma regulação sobre elas, mas ao mesmo impede seu uso.

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