Vamos Viajar

Priscilla Aguiar

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Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na Bolívia
Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na BolíviaFoto: @ahvamosviajar/Instagram

Se tem algo que nunca vi na vida é alguém que não goste de viajar ou não sonhe em conhecer algum destino. O difícil mesmo, ao menos para a maioria dos mortais, é conseguir dinheiro para isso. Confesso que a falta de organização financeira sempre foi um problema na minha vida. É sério. Estes 17 países (e contando) que visitei foram "conquistados" com muito suor e lambanças financeiras que não recomendo em nada. Mas os apertos que passei me ensinaram muito. Chegou a hora de vocês aprenderem com os meus erros.

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Dica número 1: pesquise muito antes de escolher o destino
Como boa capricorniana (com ascendente em Touro ainda mais), planejo com antecedência quase todas as minhas viagens. Sendo assim, não escolho os destinos, os preços das passagens que me escolhem. Alguns chamam isso de ser muquirana, eu chamo de ter pouco dinheiro e vários planos mesmo. 

Os meses que antecedem as férias são sempre de muita pesquisa no Google Flights, Skyscanner e Decolar.com. Vez ou outra entro neles, ativo alertas e mexo em absolutamente todas as áreas dos sites e aplicativos. O coração chega a acelerar quando vejo uma boa promoção de passagem aérea. E a sensação de frustração quando isso acontece depois que comprei uma passagem é motivo para vários dias remoendo o assunto. É verdade esse bilhete.

Conexão no Aeroporto de Frankfurt, na Alemanha

Conexão no Aeroporto de Frankfurt, na Alemanha - Crédito: @ahvamosviajar/Instagram



Dica 2: escolha um destino que caiba no seu orçamento
Os meus destinos sempre foram escolhidos de acordo com o meu salário e conta bancária. Era Trainee e comecei viajando pelo Brasil, ficando em casa de familiares em cidades como Maceió e Rio de Janeiro ou na casa de praia de amigos nas praias pernambucanas.

Em 2012, quando resolvi fazer a minha primeira viagem internacional, vi o quanto a América do Sul era bonita e um destino que cabia no meu bolso. Resolvi começar por Buenos Aires, na Argentina. R$ 1 valia 1 peso argentino, mas o poder de compra lá era bem melhor. Comprei uma passagem por R$ 1,3 mil (bem cara, por sinal), juntei R$ 2 mil e passei dez dias em Buenos Aires, gastando em torno de 200 pesos por dia.

Na época, era o suficiente para a hospedagem no melhor hostel que fiquei na minha vida, passeios turísticos e algumas festas. A bebida era incrivelmente barata. Essa viagem foi curta, mas serviu de despertar para o que hoje é o que mais gosto de fazer nesse mundo: viajar. Ela também me fez querer aperfeiçoar o inglês, que na época era muito ruim.

Floralis Genérica em Buenos Aires, na Argentina

Floralis Genérica em Buenos Aires, na Argentina - Crédito: @ahvamosviajar/Instagram

No ano seguinte, em 2013, eu tinha sido promovida a Junior, mas continuava "sobrando mês no fim do dinheiro". Planejei milimetricamente uma viagem para Pucón e Santiago, no Chile, com três dias em Mendoza, na Argentina. Pesquisei o preço até das águas que iria consumir, coloquei tudo em uma planilha com a ajuda de um amigo super organizado e calculei cada centavo.

Meu erro foi contar com todo o dinheiro que estava na conta. Tive um gasto imprevisto e, como nunca fiz uma reserva de urgência e estava muito perto da data da viagem, precisei pegar R$ 1,5 mil emprestado no banco e viajar com o dinheiro contado. Paguei uma boa grana de juros e aprendi essa lição.

Valle Nevado, em Santiago, no Chile

Valle Nevado, em Santiago, no Chile - Crédito: @ahvamosviajar/Instagram


Em 2014 pulei duas casas no jogo da vida. Fui promovida de Junior a Sênior (Obrigada, Delma Freire) e, bem mais escolada no assunto viagens, peguei uma passagem baratíssima (Cerca de R$ 400) para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde iniciei com duas amigas de infância uma viagem fantástica pela Bolívia e Peru. Tudo barato, lindo e com dinheiro sobrando. Inshallah!

A Bolívia é o lugar mais barato que visitei até hoje no mundo. Além disso, viajar para lá pagando uma passagem aérea nacional e até encontrando uma promoção, como eu, é bem fácil. Para economizar, procure sempre o meio de transporte mais barato.

Partindo de Campo Grande, você pega um ônibus para Corumbá e entra na Bolívia da forma mais barata e tradicional. Depois de passar a alfândega, recomendo que pegue o tradicional Trem da Morte, que liga Quijarro à Santa Cruz de La Sierra.

Fronteira entre Brasil e Bolívia

Fronteira entre Brasil e Bolívia - Crédito: @ahvamosviajar/Instagram

Esperando o tradicional Trem da Morte, na Bolívia

Esperando o tradicional Trem da Morte, na Bolívia - Crédito: @ahvamosviajar/Instagram


Dica 3: acompanhe o mercado financeiro nacional e internacional
Isso vai te ajudar muito. Um ano depois e já com o cargo de repórter especial ganhei um prêmio nacional de jornalismo que rendeu uns R$ 4 mil (te dedico, Karla Veloso) e fiz a minha primeira viagem para a Europa. Sem pagar qualquer empréstimo parcelado ou juros, como tem que ser, peguei uma passagem promocional e fui comprando moeda estrangeira mensalmente, como recomendavam os economistas.

Como num golpe de sorte, escolhi inicialmente o dólar e a moeda valorizou muito com a crise na Europa. Ponto para mim mais uma vez. Euros no bolso, roteiro montado e sorriso no rosto.

Muro de Berlim

Muro de Berlim - Crédito: Priscilla Aguiar/@ahvamosviajar


Dica 4: faça amigos. Viajar é muito mais barato quando alguém te recebe
Cultivar relações, além de fazer bem ao coração e manter a gente mentalmente mais saudável, ajuda também na economia com hospedagens. A Copa do Mundo do Brasil, por exemplo, me rendeu amigos americanos, mexicanos, alemães, holandeses e franceses. Alguns meses antes fiz amizade com um austríaco no passeio para o Salar de Uyuni (Bolívia).

Resultado: economizei hospedagens em Berlim (Alemanha), Amsterdam (Holanda) e Vienna (Áustria). Também já fiquei em casas de amigos e familiares em Maceió (Alagoas), Campina Grande (Paraíba), Rio de Janeiro, São Paulo e Garanhuns, entre outros lugares desse Brasil.

Copa do Mundo de 2014

Copa do Mundo de 2014 - Crédito: @ahvamosviajar/Instagram


Dica 5: experimente opções gratuitas como Couchsurfing
Uma opção para quem não está com dinheiro e tem disponibilidade para troca de experiências e aventuras é o Couchsurfing. Como sugere o nome, é um site onde as pessoas oferecem "o sofá" de casa para você se hospedar gratuitamente em troca do intercâmbio cultural que a experiência proporciona.

Usei apenas uma vez em uma viagem para Paris, um dos lugares com hospedagem mais cara no mundo, e foi uma experiência incrível. Estava destruída emocionalmente depois de um término e encontrei um parceiro para confidências sobre corações partidos, jantares, festas, passeios turísticos e até cantoria madrugada adentro. 

Uma coisa que acho importante quando se trata de Couchsurfing é, antes da viagem, pesquisar muito sobre a vida da pessoa que vai te hospedar e, se possível, fazer uma busca geral sobre ela em sites como LinkedIn, Facebook, Instagram e no da Interpol. Afinal, seguro morreu de velho.

Couchsurfing é uma boa opção para quem não está com dinheiro e tem disponibilidade para troca de experiências e aventuras

Couchsurfing é uma boa opção para quem não está com dinheiro e tem disponibilidade para troca de experiências e aventuras - Crédito: @ahvamosviajar/Instagram


Dica 6: procure hostels e apartamentos ou quartos no Airbnb
Quando viajo, especialmente sozinha ou com amigas, adoro ficar em hostel. Além de ser sempre mais barato, é muito bom para socializar e paquerar. Em alguns lugares, no entanto, pode ser mais vantagem procurar Airbnb. Aconteceu isso quando pesquisei hospedagens em Berlim e Lisboa este ano. Quando viajo casalzinho, no entanto, costumo ficar em hotéis. Mas o gasto é sempre maior. Então escolha o que couber no seu orçamento.

Quando visitei Roma, na Itália, paguei 5 Euros em uma diária de quarto coletivo em um camping hostel e, como o quarto estava lotado quando cheguei, fiquei em uma cabana ótima só para mim com cama, aquecimento e banheiro. Foi lindo.

Camping Tiber, Prima Porta, na Itália

Camping Tiber, Prima Porta, na Itália - Crédito: Priscilla Aguiar/@ahvamosviajar


Dica 7: leve dinheiro em espécie
Usei cartão de viagem (travel money) apenas na minha primeira viagem, em 2012. Em todas as outras levei, quase que intuitivamente, dinheiro em espécie. Sempre liguei para as casas de câmbio antes de, depois de muita negociação, comprar com quem tinha o menor preço. O problema desse cartão são as taxas que você termina pagando por ele e também quando precisa do dinheiro. Então separe a doleira e divida o dinheiro em outras áreas seguras, para não ter tudo no mesmo lugar, e mantenha os olhos bem abertos. Lembra da lição Carnaval de Olinda na postagem sobre os furtos e golpes argentinos?

As redes sociais também já me ajudaram muito. Este ano consegui comprar euro em um valor bem abaixo de mercado com uma recifense que mora na Alemanha, mas veio para o Brasil para o Carnaval. Ela pagaria taxas bancárias e a transação foi ótima para mim e para ela. Fiz uma publicação no Facebook perguntando quem tinha euro para vender e um amigo marcou ela.

Euros

Dica 8: com as contas feitas, arrume a mala e aproveite!
Seja para um fim de semana em uma praia perto de casa ou um mês inteiro na Ásia, Estados Unidos ou Europa, você precisa pesquisar e organizar tudo direito para que a viagem caiba no seu orçamento e não vire um novo problema a ser administrado.

Depois de erros, acertos e presentes da vida, consegui fazer as minhas últimas viagens com as contas dos meses seguintes pagas e os euros comprados no bolso. O orçamento deu uma bagunçada este ano depois que necrosei o nariz em um procedimento e perdi todo o investimento, tendo que pagar uma viagem inteira novamente. Mas tudo culpa daquele orçamento de emergência que nunca criei.

Para resolver esse e outros problemas investi esse mês na compra de quatro livros sobre finanças e espero que eles me ajudem a organizar melhor as minhas próximas viagens. Podem ficar tranquilos que depois conto aqui algumas dicas repassadas neles para vocês.

Quatro livros sobre finanças que podem ajudar

Quatro livros sobre finanças que podem ajudar - Crédito: Priscilla Aguiar/@ahvamosviajar


Códigos e descontos para hospedagens:
R$ 130 em desconto no Airbnb
Crédito de R$ 40 no Booking

Contato:
E-mail: ahvamosviajar@gmail.com
Instagram: @ahvamosviajar
Facebook: /AhVamosViajar
Youtube: c/Ahvamosviajar


* Priscilla Aguiar é jornalista, editora adjunta do Portal FolhaPE e criadora dos perfis 'Ah, vamos viajar' no Instagram, Facebook e Youtube com dicas, fotos e vídeos de suas passagens por pelo menos 17 países. 

*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na Bolívia
Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na BolíviaFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na Bolívia
Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na BolíviaFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na Bolívia
Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na BolíviaFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na Bolívia
Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na BolíviaFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na Bolívia
Deserto do Sal (Salar de Uyuni), na BolíviaFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Valle Nevado, em Santiago, no Chile
Valle Nevado, em Santiago, no ChileFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Macchu Picchu, Cidade perdida dos Incas, no Perú
Macchu Picchu, Cidade perdida dos Incas, no PerúFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Moai da Ilha de Páscoa, em Viña del Mar, Chile
Moai da Ilha de Páscoa, em Viña del Mar, ChileFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Estação de Esqui Farellones em Santiago, no Chile
Estação de Esqui Farellones em Santiago, no ChileFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Salineras de Mara, nas redondezas de Cusco, no Perú
Salineras de Mara, nas redondezas de Cusco, no PerúFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Fronteira da Bolívia com o Perú
Fronteira da Bolívia com o PerúFoto: @ahvamosviajar/Instagram

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