"Efeito Trump" persiste e dólar sobe para R$ 3,44

Desde a eleição de Trump, confirmada na última quarta-feira (9), o dólar já avançou 8,65% sobre o real

Nova ação da Operação Torrentes prendeu preventivamente três pessoas. Os mandados foram cumpridos  em Pernambuco e no MaranhãoNova ação da Operação Torrentes prendeu preventivamente três pessoas. Os mandados foram cumpridos em Pernambuco e no Maranhão - Foto: Divulgação

As incertezas em relação ao governo do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, mantiveram o dólar em alta frente à maior parte das moedas pela quarta sessão seguida. No Brasil, a moeda americana à vista subiu mais 1,47% nesta segunda-feira (14), cotada a R$ 3,4458.

Desde a eleição de Trump, confirmada na última quarta-feira (9), o dólar já avançou 8,65% sobre o real.

"Ainda prevalece a ideia de que os novos incentivos fiscais -via investimento em infraestrutura- levarão a um maior impulso de curto prazo na economia dos EUA e, consequentemente, à elevação da inflação", comenta a equipe de análise da Guide Investimentos, em relatório. "Isso forçará o Fed [o BC americano] a subir juros de forma mais rápida do que o antecipado."

Para atenuar a valorização do dólar, o Banco Central fez pela manhã a rolagem de 15 mil contratos de swap cambial tradicional que vencem em 1 de dezembro. A operação equivale à venda futura de dólares, no montante de US$ 750 milhões. Desde o início do ano, porém, a moeda brasileira tem valorização de 13%, mantendo-se como a que mais subiu no mundo no período.

JUROS

No mercado de juros futuros, as taxas continuaram em forte alta, pressionadas pelo câmbio e pelo aumento de percepção de risco.

O 'efeito Trump' fez economistas preverem um corte menor da taxa básica de juros (Selic) neste ano. De acordo com o Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira, a estimativa do mercado é de que a Selic encerre 2016 a 13,75%, com um corte de 0,25 ponto percentual na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC do ano.

O Copom se reúne no final de novembro. Até então, as projeções eram de redução de 0,50 ponto percentual, para 13,50% ao ano. A taxa está atualmente em 14% ao ano. O CDS (credit default swap) brasileiro, espécie de seguro contra calote e outro indicador de percepção de risco, subia quase 10%, aos 331 pontos.

BOLSA

O Ibovespa ficou volátil durante todo o pregão, mas terminou em alta com a diminuição das perdas nas ações da Petrobras.

O principal índice da Bolsa subiu 0,80% nesta segunda-feira, aos 59.657,46 pontos. Apesar de ser véspera de feriado no Brasil, o volume financeiro foi expressivo, de R$ 9,2 bilhões. Nas três sessões anteriores, o Ibovespa acumulou perda de 7,75%. Os papéis preferenciais da Petrobras recuaram 0,07%, e os ordinários perderam 0,36%.

As ações PNA da Vale subiram 4,70% e as ordinárias ganharam 1,84%. As siderúrgicas também terminaram no campo positivo. Gerdau PN avançou 10,42%; Metalúrgica Gerdau, +7,81%; CSN ON, +5.18%; e Usiminas PNA, +7,65%.

Em Nova York, o índice S&P 500 subia 0,09%; o Dow Jones, +0,17%; e o índice de tecnologia Nasdaq, -0,24%.

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