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Empreenda aos 45 anos e tenha sucesso

Pesquisa divulgada por Harvard aponta que startups de maior sucesso têm donos na faixa dos 40 anos; Pernambuco é bom exemplo disso

Empreendedores do SurfGuruEmpreendedores do SurfGuru - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Quando se pensa em startups e empreendedorismo, a primeira ideia que normalmente vem à cabeça é a de um setor inovador, criativo e principalmente jovem. No entanto, segundo pesquisa feita pela Universidade Harvard, dos Estados Unidos, a maior parte dos empreendedores de tecnologia de sucesso está entre os 40 e 49 anos de idade. E a tendência, verificada através dos dados que se referem ao mercado norte-americano, pode ser confirmada nas realidades do Brasil e de Pernambuco, através dos casos de sucesso de ecossistemas como o Porto Digital.

De acordo com o estudo, divulgado pela Harvard Business Review, a idade ideal para se obter mais sucesso com uma startup é aos 45 anos, em média. A constatação contraria o pensamento comum, que, conforme verificado por pesquisas anteriores, acredita que os empreendedores de maior sucesso têm entre 31 e 35 anos. Mas as melhores startups dos Estados Unidos, que representam 0,1% de todas as empresas analisadas no estudo, realmente tinham donos que abriram suas empresas ao menos com 45 anos, ou até que chegaram ao auge nesta idade. O sucesso dos empreendimentos foi verificado através do crescimento de empregados ao longo dos anos.

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Apesar de o estudo traduzir a realidade americana, a movimentação é parecida no Brasil. Mesmo que a quantidade de startups seja maior entre os mais jovens, entre 28 e 35 anos, o maior sucesso parece estar também entre os mais “maduros”. A perspectiva é dada pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups). Presidente da Abstartups, Amure Pinho conta que um dos pontos que ajuda quem está na faixa dos 40 a ter maior sucesso é o tipo de relacionamento com os investidores. “Para as grandes empresas, quanto maior a confiança da equipe, mais fácil é conseguir comprar a ideia”, explica.

Neste caso, a experiência de trabalho desempenha um papel crucial. Pessoas com ao menos três anos de experiência de trabalho na mesma área da startup têm 85% de sucesso ao montar novas empresas de tecnologia, indica o estudo. E versões de sucesso de como esse conhecimento pode ser aplicado podem ser vistas também em Pernambuco.

É o caso da Surfguru, formada por Alberto Chalaça, de 44 anos, Gabriel Gomes, de 53 anos, e Gustavo Roque, de 45 anos. “É uma vantagem, porque nós já temos uma experiência bacana nos negócios e isso ajudou no nosso início”, diz Chalaça, que foi gerente de projetos em uma transportadora antes de criar a startup, em 2010. A ideia veio através da prática do surf e da dúvida de muitos surfistas se naquele dia haverá onda ou não. O Surfguru é, então, um portal de previsão de ondas e ventos com conteúdo para o público interessado em atividades marítimas que hoje já possui 370 mil usuários únicos no mês, o que gera cerca de dois milhões de usuários únicos no ano. O principal acesso vem do Rio de Janeiro, seguido por São Paulo.

O caminho de sucesso tardio também pode ser trilhado por quem sempre teve interesse em empreender. “Tive que aprender com os erros e acertos, sucessos e falências. Aprendi no dia a dia, passando por muitas dificuldades, o caminho de empreender sem escola", conta a empreendedora Patrícia Albuquerque. "Turismo e eventos foi minha área por 20 anos no empreendedorismo. A estabilidade veio com a maturidade e a experiência entre erros e acertos”, completa. Atualmente, Patrícia está à frente da Flystar, uma empresa que desenvolve produtos de entretenimento cultural e educativo com escalabilidade e impacto social, tanto no segmento artístico quanto no mundo pet.

Patrícia explica que saber canalizar o conhecimento foi o diferencial na hora de estabilizar tudo. “Unir a experiência profissional e o conhecimento que essa experiência nos deu a um propósito é algo que move o empreendedor. Essa junção dá significado para empreender com sucesso e esse sucesso vem muito da experiência do empreendedor”, afirma.

Empreendedorismo aos 45 anos


Olhar do investidor
A experiência e os conhecimentos acumulados podem ser um diferencial para quem vê e quer investir nos novos projetos. O empresário Beny Fard, de 40 anos, está à frente da Spin, primeira aceleradora de startups focadas em indústria, fundada no fim de 2017, quando o catarinense tinha 38 anos. "Ajudamos esse tipo de empreendedor a dar um salto, principalmente na área da indústria. E um perfil desse apresenta para o investidor uma maior confiabilidade, por conta da experiência”, explica.

Aos olhos do Porto Digital, principal incentivador da criação de startups no Estado, a idade pode ser um fator que acelera o processo de estabilização do produto. “O que os programas de empreendedorismo tentam é acelerar essa maturação. Mas, se ele já tem experiência, a chance de dar certo é maior”, afirma o gerente de inovação e negócios do Porto Digital, André Araújo. Ele ainda conta que o Porto Digital, inclusive, está buscando incentivar mais pessoas nesta faixa etária a empreenderem. “Estamos começando a desenhar um conjunto de ações para captar esse tipo de empreendedores, com experiência profissional. Tem muita gente boa ‘forty plus’ (com mais de quarenta) que poderia estar empreendendo”, completa.

Atualmente, o Porto Digital tem capacidade de acelerar até 30 pessoas ou até dez startups através da Jump Brasil. Cada ciclo de aceleração dura até cinco meses e o aporte total de investimento é de R$ 40 mil. O objetivo é que sejam criadas 90 startups em cinco anos. Além disso, o local também possui três empresas que atuam como incubadoras, ajudando a desenvolver novos projetos antes que eles possam ser colocados em prática. E a expectativa é que até 50 empreendedores sejam formados por ano no Porto Digital.

Apesar disso, é válido também lembrar que o segredo do sucesso não é exclusividade dos mais experientes. Ainda de acordo com o estudo divulgado pela Harvard, grande parte das startups tem donos na faixa dos 30 a 39 anos. E essa idade parece ser mais atrativa para “investidores-anjo”, por exemplo. A pesquisa justifica que o lado financeiro pode ser um fator, já que o custo de operação para os mais jovens pode ser menor. Por isso, o retorno seria maior para quem investe.

Errar faz parte do processo
Ainda segundo a Harvard, cerca de 75% das startups fracassam antes mesmo de se desenvolverem por completo. A fonte do sucesso pode estar, então, na palavra "pivotar". Segundo o vocabulário do mundo empreendedor, “pivotar” significa mudar de direção quando uma ideia parece que não vai dar certo. Um movimento comum e que pode ser decisivo para o sucesso na nova carreira.

Prova disso é a startup pernambucana Pickcells. CEO da empresa, Paulo Melo, de 52 anos, explica que começou a empreender em 2010, após pedir demissão de uma importante companhia da indústria farmacêutica. O sucesso, no entanto, não chegou rápido. Ele tentou empreender na área de saúde até 2013, quando decidiu criar uma rede social de indicação de talentos (Indikme) para descobrir bons profissionais em diversas áreas. Após quase um ano de trabalho, porém, o projeto não deu certo. Só em 2014 surgiu a Pickcells, que entrou em ação integralmente em 2017 e hoje é uma das principais startups do País na área de saúde.

A Pickcells desenvolve dispositivos que capturam imagens nas amostras de análises clínicas, simplificando o trabalho dos profissionais de saúde e prestando apoio na conduta terapêutica médica. Por isso, já recebeu até convites internacionais. “O erro faz parte da história de sucesso de qualquer startup. Persistir é importante. A gente passa por uma verdadeira montanha-russa”, admite Melo.

Porém, antes mesmo do erro, que é algo normal na área, uma boa dica pode ser estudar e testar o negócio para avaliar se o mercado será receptivo ou não à novidade. Esse tipo de movimentação pode ser traduzida na sigla MVP, a versão de um novo produto que permite à equipe coletar o maior número de aprendizados possíveis sobre os clientes. “Um teste rápido, com um mínimo produto viável, pode ser bom, porque se você pivotar você perde o mínimo de tempo possível”, explica Alberto Chalaça. Outra dica é trocar ideias com outros empreendedores, de qualquer idade.

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