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Empreendimentos no setor de serviços impulsionam Casa Amarela

Bairro da Zona Norte do Recife tem um dos maiores potenciais de consumo entre as periferias no Brasil

Feira de Casa Amarela, um dos pontos vitais do bairro recifenseFeira de Casa Amarela, um dos pontos vitais do bairro recifense - Foto: Arthur de Souza / Folha de Pernambuco

Se engana quem pensa que o bairro de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, tem o comércio reduzido às tradicionais feiras e o mercado, inaugurado em 1930. Apesar de ter perdido espaço territorial ao longo dos anos, com a criação de novos bairros em 1988, Casa Amarela aparece em uma pesquisa recente com um dos maiores potenciais de consumo entre as periferias do Brasil, à frente de bairros de Belo Horizonte e Minas Gerais. Frente a isso, o tradicional bairro vê a cada dia o surgimento de novos empreendimentos no setor de serviços, que impulsionam o comércio na região.

A pesquisa foi realizada pelo Outdoor Social, empresa de impacto social voltada para classes populares. Em 2018, as periferias brasileiras movimentaram mais de R$ 102 bilhões, e Casa Amarela possui uma boa fatia nesta quantia. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o bairro é considerado um dos maiores dez entre as periferias do Brasil, e que só tende a crescer. Tendo 29.180 habitantes dentro dos 188 hectares, o bairro possui uma Taxa Média Geométrica de Crescimento Anual da População de 1,34 % e cerca de 2.481 estabelecimentos comerciais, número que aumenta a cada dia, segundo dados da Junta Comercial de Pernambuco (Jucepe).

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“Casa Amarela tem uma expressão nacional, pois está entra as dez maiores comunidades do País, e é a quinta com maior consumo, ficando à frente de Heliópolis e Paraisópolis”, explica a fundadora do fundadora do Outdoor Social, Emília Rabello. Comparando com estes outros bairros, também analisados, Casa Amarela tem muito a mostrar. Heliópolis (SP), por exemplo, teve uma quantidade menor de consumo na alimentação domiciliar, a categoria com números mais robustos. O bairro paulista, que tem 1 milhão de metros quadrados de área, consumiu R$ 223 milhões, enquanto que os pernambucanos tiveram R$ 256 milhões em consumo. Desta quantia, R$ 128 milhões foram gastos somente em alimentação a domicílio.

Entretanto, apesar de outros grandes centros também mostrarem grande poder de consumo, Casa Amarela também mostra crescimento não só no consumo, mas na quantidade de locais onde a população pode gastar seu dinheiro, principalmente olhando para 2019. De acordo com dados da Jucepe, em 2018, o bairro abriu 571 novas empresas. Neste ano, somente de janeiro a abril, foram abertas 209, considerando também microempreendedores individuais. Destes, a maioria dos abertos foi no setor de cabeleireiros e manicure e o comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios.

A quantidade de lojas voltadas para o setor de serviços aumentou. Hoje é possível ver franquias que vendem diversos tipos de alimento e também redes franqueadas na área de saúde. Além disso, grandes redes de eletrodomésticos também já estão presentes em Casa Amarela, coisa que não poderia ser vista há dez, quinze anos atrás. Com a maior oferta de serviços, o bairro acabou se tornando uma área importante fora do centro da cidade, absorvendo também os consumidores de locais próximos, vide Nova Descoberta, Vasco da Gama e Macaxeira. “Hoje é mais fácil comprar no próprio bairro do que estar saindo. A concorrência está bem melhor do que ter que se deslocar para um lugar maior”, explica o economista do Instituto Fecomércio-PE, Rafael Ramos. “Tem a questão da própria violência, então as pessoas também tentam concentrar tudo no seu bairro”, completa.

O crescimento de Casa Amarela pode ser visto tanto por quem vende tanto por quem compra. E às vezes, os dois ao mesmo tempo. José Carlos, que está há 20 anos no Mercado de Casa Amarela e hoje é dono de um armarinho no local, onde vende desde o mais simples lápis até ziper para vestuários em geral. Ele, que também é morador do bairro e atende cerca de 200 pessoas diariamente, fala sobre o quanto o atual panorama econômico no Brasil pode ser um obstáculo. “Para quem está começando é um pouco mais difícil, mas ainda sim, dá para ver que aumentou muito a quantidade de coisas pelo bairro”, explica.

Quem também vive Casa Amarela, não somente consumindo mas também vendendo produtos é a feirante Evânia Xavier, de 42 anos. Ela possui algumas barracas de legumes e frutas bem ao lado do mercado, na tradicional Feira de Casa Amarela. Seu pai plantava em Vitória de Santo Antão, e vinha vender aqui, já que era a maior feira, que se estendia por toda Padre Lemos.

Apesar de estar a vida toda no bairro, ela admite que precisou passar por algumas adaptações, inclusive no comércio, para atender a demanda no bairro. “Há cinco anos estou tomando conta, e fiz algumas mudanças como usar a maquineta de cartão de crédito e o delivery, o que atraiu mais clientes”, explica. Ela ressalta também a importância do local para o comércio no bairro. “Se a feira deixar de existir, acaba o comércio em Casa Amarela”, completa. 

Perfil de consumo mudou
Porém, nem sempre sair para a feira, mercado ou outro local, mesmo no bairro, é uma opção escolhida. Pelo menos 79% dos brasileiros reviram e mudaram hábitos de consumo diante do cenário desfavorável da economia, segundo estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Banco Central (BC). E se levarmos em conta o estudo feito pelo Outdoor Social, é possível ver o maior crescimento na quantidade de gastos com alimentação em domicílio, além da pequena projeção na construção civil.

Isso pode ser explicado pela mudança nas dinâmicas de consumo em bairros periféricos no Brasil, aliado à situação econômica no País. “Como estamos em crise, a pessoa corta o supérfluo, que é o lazer e você começa a ficar dentro de casa e consumir mais”, explica a criadora do Outdoor Social, Emília Rabello. Por exemplo, segundo dados de 2017, Casa Amarela teve um consumo de R$ 94 milhões em alimentação domiciliar. Já em 2018, a quantia subiu para R$ 128 milhões, tendo a maior diferença entre as categorias pesquisadas.

Se formos observar a construção civil, em 2017 foram gastos R$ 20 milhões pela população local. Já em 2018, o valor subiu para R$ 27 milhões, ainda uma diferença pequena em relação ao ano anterior. “Houve uma queda na construção civil de uma maneira geral, pois a gente vem em um momento de crise. As pessoas não estão construindo. Outro ponto também é que quando as pessoas tentam construir tem a questão do crédito, que hoje é menor”, diz o economista do Instituto Fecomércio, Rafael Ramos.

 

Perfil de Casa Amarela

Perfil de Casa Amarela - Crédito: Arte: Folha de Pernmbuco

 

 

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