Seg, 09 de Março

Logo Folha de Pernambuco
Importações

Empresas pernambucanas encontram oportunidades para importar da China, mas precisam de atenção

Especialista em direito aduaneiro aponta cuidados essenciais para empresários que querem comprar produtos chineses com segurança, eficiência e competitividade

Foto: divulgação

Com o cenário de tarifas globais, a China consolidou-se como o pilar central do comércio exterior brasileiro. No cénario pernambucano, o mercado chinês é uma oportunidade estratégica, especialmente para os setores de varejo, indústria, tecnologia e distribuição. Contudo, especialistas reforçam que importar da China exige rigor técnico para evitar prejuízos.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, em 2024, o Brasil importou mais de US$ 63,6 bilhões em produtos da China, mantendo o país asiático como o maior fornecedor do mercado brasileiro.

Em 2025, o fluxo permaneceu elevado, inclusive com recordo no volume de produtos importados, impulsionado pela demanda por eletrônicos, máquinas, insumos industriais, têxteis, brinquedos e componentes tecnológicos.

Para empresas de Pernambuco, em que pese o crescimento das importação, a falta de informação ainda é um problema.

“Importar da China não é apenas escolher um produto barato. É um processo que envolve legislação aduaneira, enquadramento fiscal, análise cambial e planejamento logístico”, explica Luciano Bushatsky, especialista em Direito Aduaneiro e Comércio Exterior.

Foto: divulgação

Segundo ele, um dos erros mais comuns é iniciar negociações sem verificar a viabilidade legal da mercadoria.

“Alguns produtos exigem licenças específicas, anuência de órgãos reguladores ou certificações técnicas. Ignorar essas exigências pode resultar em retenção de cargas ou multas elevadas”, alerta.

A diversidade de produtos chineses segue sendo um dos principais atrativos. Eletrônicos, equipamentos industriais, itens de moda, brinquedos e acessórios lideram a pauta de importações brasileiras.

A produção em larga escala, aliada a incentivos governamentais chineses à exportação, permite preços competitivos mesmo com custos logísticos e tributários.

Outro ponto central é a escolha do fornecedor. Plataformas digitais como Alibaba e Made-in-China ampliaram o acesso de pequenas e médias empresas ao mercado chinês, mas exigem cautela.

“É fundamental checar a reputação do fornecedor, solicitar amostras, validar documentos comerciais e formalizar contratos internacionais”, reforça Luciano.

A logística também pesa no custo final da operação. Pernambuco conta com uma vantagem estratégica com o Porto de Suape, que amplia a competitividade das importações ao reduzir tempo e custo de transporte.

Ainda assim, o importador precisa definir corretamente o modal, seja marítimo ou aéreo, e o Incoterm, que estabelece responsabilidades entre comprador e vendedor.

Luciano destaca que o fechamento de câmbio é outro fator decisivo.

“Dependendo da forma de pagamento, como cartão de crédito internacional, o custo da importação pode aumentar de forma significativa. O ideal é buscar alternativas como corretoras de câmbio, e sempre atentar aos documentos apresentados pelo fornecedor”, orienta o especialista.

Dados do Sebrae indicam que a representatividade das empresas de micro e pequeno porte nas importações brasileiras passou de 37,6% para quase 50% em 2024, impulsionadas pela digitalização e pela busca de novos fornecedores globais. Ainda assim, a recomendação é clara: profissionalizar o processo. 

“Importar sem assessoria técnica pode transformar uma boa oportunidade em um prejuízo gigante”, afirma Luciano.

Com a economia chinesa mantendo crescimento acima de 5% ao ano e forte investimento em inovação, a tendência é de manutenção do protagonismo do país no comércio global. Para empresas pernambucanas, importar da China pode ser um caminho relevante para ampliar portfólio e competitividade, desde que feito com planejamento, informação e segurança jurídica.

“Quando bem estruturada, a importação é uma ferramenta poderosa de crescimento. Mas ela precisa ser tratada como estratégia de negócio e planejada, não como improviso”, conclui Bushatsky.

Veja também

Newsletter