Empresas pernambucanas encontram oportunidades para importar da China, mas precisam de atenção
Especialista em direito aduaneiro aponta cuidados essenciais para empresários que querem comprar produtos chineses com segurança, eficiência e competitividade
Com o cenário de tarifas globais, a China consolidou-se como o pilar central do comércio exterior brasileiro. No cénario pernambucano, o mercado chinês é uma oportunidade estratégica, especialmente para os setores de varejo, indústria, tecnologia e distribuição. Contudo, especialistas reforçam que importar da China exige rigor técnico para evitar prejuízos.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, em 2024, o Brasil importou mais de US$ 63,6 bilhões em produtos da China, mantendo o país asiático como o maior fornecedor do mercado brasileiro.
Em 2025, o fluxo permaneceu elevado, inclusive com recordo no volume de produtos importados, impulsionado pela demanda por eletrônicos, máquinas, insumos industriais, têxteis, brinquedos e componentes tecnológicos.
Para empresas de Pernambuco, em que pese o crescimento das importação, a falta de informação ainda é um problema.
“Importar da China não é apenas escolher um produto barato. É um processo que envolve legislação aduaneira, enquadramento fiscal, análise cambial e planejamento logístico”, explica Luciano Bushatsky, especialista em Direito Aduaneiro e Comércio Exterior.
Foto: divulgaçãoSegundo ele, um dos erros mais comuns é iniciar negociações sem verificar a viabilidade legal da mercadoria.
“Alguns produtos exigem licenças específicas, anuência de órgãos reguladores ou certificações técnicas. Ignorar essas exigências pode resultar em retenção de cargas ou multas elevadas”, alerta.
A diversidade de produtos chineses segue sendo um dos principais atrativos. Eletrônicos, equipamentos industriais, itens de moda, brinquedos e acessórios lideram a pauta de importações brasileiras.
A produção em larga escala, aliada a incentivos governamentais chineses à exportação, permite preços competitivos mesmo com custos logísticos e tributários.
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Outro ponto central é a escolha do fornecedor. Plataformas digitais como Alibaba e Made-in-China ampliaram o acesso de pequenas e médias empresas ao mercado chinês, mas exigem cautela.
“É fundamental checar a reputação do fornecedor, solicitar amostras, validar documentos comerciais e formalizar contratos internacionais”, reforça Luciano.
A logística também pesa no custo final da operação. Pernambuco conta com uma vantagem estratégica com o Porto de Suape, que amplia a competitividade das importações ao reduzir tempo e custo de transporte.
Ainda assim, o importador precisa definir corretamente o modal, seja marítimo ou aéreo, e o Incoterm, que estabelece responsabilidades entre comprador e vendedor.
Luciano destaca que o fechamento de câmbio é outro fator decisivo.
“Dependendo da forma de pagamento, como cartão de crédito internacional, o custo da importação pode aumentar de forma significativa. O ideal é buscar alternativas como corretoras de câmbio, e sempre atentar aos documentos apresentados pelo fornecedor”, orienta o especialista.
Dados do Sebrae indicam que a representatividade das empresas de micro e pequeno porte nas importações brasileiras passou de 37,6% para quase 50% em 2024, impulsionadas pela digitalização e pela busca de novos fornecedores globais. Ainda assim, a recomendação é clara: profissionalizar o processo.
“Importar sem assessoria técnica pode transformar uma boa oportunidade em um prejuízo gigante”, afirma Luciano.
Com a economia chinesa mantendo crescimento acima de 5% ao ano e forte investimento em inovação, a tendência é de manutenção do protagonismo do país no comércio global. Para empresas pernambucanas, importar da China pode ser um caminho relevante para ampliar portfólio e competitividade, desde que feito com planejamento, informação e segurança jurídica.
“Quando bem estruturada, a importação é uma ferramenta poderosa de crescimento. Mas ela precisa ser tratada como estratégia de negócio e planejada, não como improviso”, conclui Bushatsky.

