Empresas usam só 3,7% de crédito para salário, e governo prepara nova linha

Diante do fracasso do programa para financiamento de folhas de pagamento das empresas, o governo estuda criar uma nova linha

Paulo Guedes, ministro da EconomiaPaulo Guedes, ministro da Economia - Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Diante do fracasso do programa para financiamento de folhas de pagamento das empresas, o governo estuda criar uma nova linha com menor participação do Tesouro Nacional na tentativa de diminuir também as exigências, como a de manter o funcionário por período igual ao da contratação do empréstimo.

Até quarta-feira (13), de acordo com dados do Banco Central, apenas 3,7% dos R$ 40 bilhões disponíveis para a linha de crédito destinada a cobrir os salários dos empregados do setor privado foram emprestados. Ao todo, foi R$ 1,48 bilhão em empréstimos para 63,6 mil empresas. Pouco mais de 1 milhão de funcionários foram beneficiados.

Quando o programa foi lançado, em 27 de março, o BC estimou que cerca de 12 milhões de pessoas e 1,4 milhão de empresas seriam contemplados. Um dos motivos para a baixa adesão ao programa é a exigência de não demitir o funcionário por período igual ao financiado (até dois meses).

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Em videoconferência com empresários, organizada pela Fiesp na quinta-feira (14), o presidente da entidade, Paulo Skaf, pediu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que amplie essas linhas de crédito. "Estamos avaliando um modelo novo, o first-loss, em que o governo banca os primeiros 20% de perda para animar os bancos a entrar [nesse negócio]. Será o contrário do Fopas [financiamento das folhas de pagamento]", disse Guedes.

Atualmente, a linha emergencial financia dois meses de folha de pagamento das empresas com faturamento de R$ 360 mil a R$ 10 milhões por ano. Esse grupo é formado pelas pequenas e uma parte das médias empresas.

"Eles [as empresas] não querem porque precisam de capital de giro, mas gostariam de reduzir mão de obra. Podem querer demitir 20%. E a outra modalidade tem compromisso de não demitir", admitiu o ministro da Economia.

"Uma exigência desse programa é que a empresa, uma vez que contrate para pagar o salário, ela não pode colocar nenhum trabalhador para fora, e as empresas estão reclamando porque elas acham que é uma exigência muito forte e elas têm dúvidas se vão conseguir manter o emprego e por isso não estão contratando", afirmou o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida em videoconferência na quinta-feira.

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