Energia: mudança trará impacto

Entidade reage com cautela à determinação da União de comprar sua energia no mercado livre

CelpeCelpe - Foto: Arthur de Souza/arquivo folha

 

Se por um lado, a aposta do Governo Federal no mercado livre é vis­ta como uma tentativa para re­duzir as despesas da máqui­na pública, por outro, é obser­vada com certa cautela pela Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE). É que, para atender seus clientes cativos, as distribuidoras compram energia suficiente para abastecê-los no longo prazo.

Com a saí­da de cena de um cliente importante, como a União, so­brariam insumos e, natural­mente, o impacto no faturamen­to das empresas seria ine­vitável. A medida do Minis­tério do Planejamento pre­vê uma diminuição de 20% ao ano com esse tipo de custo, ou seja, o equivalente a R$ 400 milhões.
“Geralmente, as concessionárias compram energia por, no mínimo, cinco anos e, ago­ra, essa energia vai sobrar”, avaliou o presidente da ABCE, Alexei Vivan. Para ele, a decisão do Governo Federal tem que vir concatenada com a possibilidade de revisão da compra.

“Atualmen­te, essas regras não estão claras. O Governo anuncia e pron­to”, frisou. Outra questão destacada pelo representante das conces­sionárias se refere à instabilidade do mercado livre. “Ho­je, o mercado livre está ba­rato. Mas quem garante que ele não aumente nos próximos anos?”, questionou.
Se isso acontecer, avalia, o imbróglio será grande porque o Governo Federal, futuro cliente livre, não poderá voltar imediatamente para o varejo. Serão necessários cin­co anos para que essa transição inversa aconteça. “Sem dú­vida, há um risco com essa exposição”, ponderou, acrescentando que a rebordosa pa­ra as distribuidoras vem a se somar com a diminuição na demanda de energia em função da recessão econômica.
Presidente da Eletron Energy - que opera no mercado li­vre -, André Cavalcanti afirmou que existem mecanismos para que a distribuidora se desfaça da sobra de energia contratada. “Dentre tantas, po­dem repassar a energia en­tre elas, fazer uma repactuação de contrato bilateral ou revender a sobra”, comentou.

Sobre a instabilidade do mercado, Cavalcanti retrucou que os contratos são de longo prazo e os preços, estáveis. Para a Companhia Energéti­ca de Pernambuco (Cel­pe), disse o gerente de relacio­namento de grandes clientes, Fá­bio Azevedo, as perdas se­rão minimizadas porque existem cláusulas contratuais que ga­rantem a rentabilidade da em­presa. “Existem gatilhos contratuais que resguardam a distribuidora”, analisou, pontuando que o ganho financei­ro se manterá na medida em que a União usar a infraestru­tura. “Vamos continuar ganhando pelo uso do fio”, justificou.

Renovável
Pernambuco é pioneiro ao buscar alternativas para economizar na conta de luz. O Cen­tro de Convenções consome parte de energia gerada em Tacaratu. A ideia, de acordo com o secretário executivo de energia, Pedro Cavalcanti, é abranger mais prédios públicos nesse formato. A economia será de 8% a 10% nos custos com o insumo.

 

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