Seg, 07 de Setembro

Logo Folha de Pernambuco
TECNOLOGIA

Entenda como funcionam as 'baratas ciborgues' criadas para levar remédios a vítimas em escombros

Chamados de "paraborgs", insetos carregam câmeras e dispositivos de injeção e podem ser usados em operações de busca e resgate após terremotos e desabamentos

Barata ciborgue equipada para resgate  Foto: Barata ciborgue equipada para resgate Foto:  - Foto: Universidade de Queensland/Divulgação

Um grupo de pesquisadores da Austrália desenvolveu baratas ciborgues equipadas com câmeras e pequenos dispositivos de injeção para ajudar no atendimento de vítimas presas sob escombros.

Chamados de “paraborgs”, os insetos foram projetados por cientistas da Universidade de Queensland e da Universidade de Nova Gales do Sul para transportar medicamentos até pessoas isoladas em locais de difícil acesso.

Como as baratas são controladas
A tecnologia utiliza a barata-gigante-escavadora do norte de Queensland, considerada a espécie de barata mais pesada do mundo. Os pesquisadores instalam no animal uma pequena mochila com os equipamentos e implantam um eletrodo em seu sistema nervoso, permitindo controlar seus movimentos por meio de sinais elétricos.

 

Entenda como funcionam as 'baratas ciborgues' criadas para levar remédios a vítimas em escombrosEntenda como funcionam as ‘baratas ciborgues’ criadas para levar remédios a vítimas em escombros / Foto: Universidade de Queensland/Divulgação

— Uma vez implantado o eletrodo no inseto, podemos aplicar um pequeno sinal elétrico para ativar ou estimular o sistema nervoso, de modo que ele possa responder ao nosso comando — explica Thang Vo-Doan, engenheiro de biorrobótica da Universidade de Queensland.

 

Segundo o pesquisador, a capacidade natural das baratas de atravessar terrenos irregulares, escalar paredes e se mover em espaços estreitos pode ser especialmente útil em estruturas destruídas.

— Eles conseguem andar e correr em terrenos complexos, escalar paredes ou ficar de cabeça para baixo. Isso é extremamente útil em cenários de busca e resgate em ambientes não estruturados — afirma.

Tecnologia ainda precisa de testes
A aposta nos insetos está relacionada à agilidade, resistência e ao baixo consumo de energia das baratas, características difíceis de reproduzir em robôs convencionais. Ainda assim, os “paraborgs” estão longe de serem utilizados em operações reais.

O estudo aponta desafios como a movimentação em meio a escombros, a perda de comunicação dentro de estruturas colapsadas e a necessidade de garantir que o mecanismo de injeção funcione com segurança. Os pesquisadores consideram que novos testes serão necessários antes que a tecnologia possa ser empregada em missões de resgate.

Veja também

Newsletter