Entraves logísticos drenam R$ 1,1 bilhão por ano da economia de Pernambuco
Estimativa conservadora faz parte de um estudo que analisa os gargalos logísticos do estado e sugere prioridades a serem adotadas
A ineficiência logística custa, num cenário conservador, R$ 1,1 bilhão por ano ao setor produtivo pernambucano, segundo o estudo Diagnóstico da Logística Competitiva de Pernambuco 2026, apresentado na abertura da Multimodal Nordeste nesta terça-feira (4).
O estudo também diz que a cada ano de adiamento das obras estruturantes equivale a bilhões de reais queimados em eficiência. O levantamento foi apresentado para uma seleta plateia formada por empresários do setor, num auditório lotado, com executivos, empresários e profissionais do setor de logística.
O estudo foi elaborado pela consultoria Ceplan e escutou 60 executivos que atuam na área de logística, representando transportadoras, operadores logísticos, indústria e comércio. A principal fragilidade do setor encontrada pelo levantamento é a forte dependência do transporte rodoviário, que faz com que várias cadeias produtivas, como por exemplo a automotiva, dependam quase exclusivamente das rodovias para escoar a produção, o que aumenta custos e reduz a competitividade.
Ainda de acordo com o levantamento, a retomada das obras da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco no trecho Salgueiro-Suape foi colocada como prioridade e essencial para integrar as regiões do estado e conectar polos produtivos, como o gesseiro do Araripe, a cadeia de combustíveis, setores agrícolas e agropecuário do interior, entre outras.
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O estudo aponta quatro prioridades para deixar mais eficiente a cadeia logística pernambucana: recuperar e ampliar a infraestrutura logística existente, destravar os acessos ao Porto de Suape, diversificar a matriz logística (reduzindo a dependência do transporte rodoviário) e reter empresas geradoras de carga, especialmente da indústria e das médias empresas, que são as que mais percebem os problemas logísticos. O setor de transportes e logística têm peso relevante na economia estadual com cerca de 52 mil estabelecimentos formais e uma participação de aproximadamente 3% do PIB de Pernambuco.
O sócio-diretor de Novos negócios da feira Multimodal Nordeste, Domenico Carneiro, disse que o estudo é uma contribuição do setor privado para "entender os gargalos que impedem a logística de Pernambuco de ser mais competitiva". E complementou: "a Multimodal Nordeste vai além de reunir empresas e gerar negócios. Nosso compromisso também é produzir conhecimento que contribua para o fortalecimento da logística no Nordeste. Este diagnóstico nasce da escuta de quem enfrenta diariamente os desafios do setor e representa uma importante ferramenta para apoiar decisões estratégicas e investimentos capazes de tornar Pernambuco mais competitivo".

