Entrevista: Fernando Kimura fala sobre neuromarketing no mercado nacional

Especialista em neuromarketing e marketing digital, Fernando Kimura falou sobre os conceitos e como as marcas conseguem estabelecer ligações fiéis com clientes

Fernando Kimura durante palestra no evento Marcas Que Eu Gosto 2019Fernando Kimura durante palestra no evento Marcas Que Eu Gosto 2019 - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

É impossível saber exatamente o que se passa na cabeça de cada consumidor, mas detectar a maneira mais favorável de vender um produto às pessoas é uma realidade próxima. Buscando entender o comportamento do público, o neuromarketing se tornou uma ferramenta importante, misturando neurociência e marketing, tendo como principal objetivo entender o que faz um consumidor preferir uma marca, comprar ou não um produto e até mesmo se tornar um cliente fiel.

No Brasil, um dos principais especialistas no tema é Fernando Kimura, que dá palestras e passa a sua experiência depois de ter trabalhado em grandes empresas como Microsoft e Oracle. No Recife, ele falou com a Folha de Pernambuco sobre a temática, e também deu algumas dicas para quem quer melhorar suas estratégias de venda.

Leia também:
Marcas Que Eu Gosto 2019 premia empresas de confiança para os pernambucanos
Especial: consumidor, o espelho das marcas
Recife terá evento gratuito de marketing educacional 

Como foi o seu começo com o neuromarketing?

Começou meio que por acaso. Eu me deparei com o livro "A Lógica do Consumo" em meados de 2013. Percebi que isso já tinha a ver com outras áreas que eu conhecia, como branding e também com psicologia do consumo. Comecei a compreender como as marcas entram na cabeça das pessoas. Isso é interessante para perceber como uma marca acaba sendo odiada por uns e outra amada.

De que maneira o neuromarketing pode atingir e se conectar com o público?

As pessoas muitas vezes acreditam que decidem de uma maneira racional, mas para isso precisa de tempo para pensar, e hoje em dia não temos esse tempo, então acabam decidindo mais pela emoção. Então, as marcas estão aperfeiçoando a aproximação emocional (emotional engagement), tendo vários tipos de estratégias, desde que eles se sintam amados, confortáveis, radicais ou outra característica que aproxima marca e consumidor.

Atualmente, com menos tempo, as pessoas estão consumindo mais conteúdo através dos smartphones. Isso muda a estratégia de como as marcas se conectam com o público?

Só muda o canal. São novos canais. Muitas marcas que já faziam um bom trabalho de marketing antes continuam fazendo isso, mas em outra dinâmica. Há outras que são apenas online também, e as pessoas lembram. Existe anúncio de Uber ou Netflix em meio físico, então acaba sendo uma mescla e mais um canal para poder divulgar a marca.

O quão importante é para as empresas atentarem para o neuromarketing e para este tipo de estratégia?

É interessante porque as marcas mais lembradas e premiadas chegaram até este nível com muito trabalho. E para as outras, não adianta só ter um produto bom, mas este também tem que parecer incrível.

Como que as marcas podem iniciar na leitura do consumidor utilizando o neuromarketing?

Uma maneira de começar é entender o que você quer que as pessoas pensem sobre você do outro lado. A partir disso, você toma atitudes para que as pessoas sintam o que você definiu: se você quer que vejam em você honestidade, transparência, disponibilidade, eu tenho que levar isso pelas redes sociais e até no atendimento. Com isso, você vai construindo uma sensação para a sua marca.

Por fim, qual o material que você indica para quem quer investir na área começar a montar sua estratégia?

Eu indico três livros: “A Lógica do Consumo”, de Martin Lindstrom que fala de neuromarketing; “As marcas no divã: uma análise de consumidores e criação de valor”, de Jaime Troiano e “Marketing Existencial”, de Luiz Pondé, que diz que as marcas podem fazer a vida das pessoas ser melhor através de suas estratégias. 

Veja também

Retomada perde ritmo e atividade econômica cresce 0,59% em novembro, diz BC
Economia

Retomada perde ritmo e atividade econômica cresce 0,59% em novembro, diz BC

2021-2029. Quais forças ditarão na próxima década? Parte III
Diplomacia Econômica

2021-2029. Quais forças ditarão na próxima década? Parte III