Estado tem 74% das famílias endividadas

Levantamento feito pela CNC para o mês de maio informa que a taxa é reflexo da paralisação do setor produtivo e do desemprego

DívidaDívida - Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Um total de 74% das famílias pernambucanas entrou no mês de maio endividada, marca superior ao mês de abril, que registrou 71,1%. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), também apontou que esta é maior taxa de endividados para os meses de maio desde 2014, quando o valor foi de 78%.  A alta taxa registrada em maio é reflexo da paralisação do setor produtivo e a alta do desemprego, principalmente para a população na informalidade. 


Em números, Pernambuco concentra 380.205 famílias endividadas - alta de 15.316 lares em um mês. Entre os que 74%, 31,1% têm contas em atraso e 15,8% estão inadimplentes. O restante contraiu débitos, mas ainda não atrasou os pagamentos. Em abril o percentual de famílias com contas em atraso era de 30,3% e, em maio de 2019, de 30,4%.


A parcela da população que se encontra em situação crítica, ou seja, que informam não ter condições de honrar com a dívida, correspondem a 15,8%, ou 81.365 famílias. Este grupo apresentou um aumento mensal de 9.741 lares.


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Cartões de crédito, carnês e cheque especial lideram as dívidas no estado.


O Cartão de crédito é o tipo de dívida mais recorrente, atingindo 91,3%, seguido de carnês (15,5%), cheque especial (5,9%) e crédito pessoal (5,6%). A maioria das famílias endividadas informam que as dívidas comprometem entre 11% e 50% da renda, limitando a capacidade da manutenção familiar.

 

Além do comportamento conservador do consumidor durante o período da pandemia, o fechamento de grande parte do comércio também contribui para o resultado da pesquisa. A coleta dos dados do levantamento é realizada sempre nos últimos dez dias do mês imediatamente anterior ao da divulgação do trabalho. Assim, os dados da PEIC de maio foram coletados nos últimos dez dias do mês de abril.


De acordo com o economista da Fecomércio, Rafael Ramos, o aumento do consumo através do crédito é devido ao fato das famílias não possuírem renda para consumir a vista e para criar uma reserva para momentos que precisem de liquidez, como gastos médicos emergenciais. Ele também aponta para uma probabilidade que a partir de maio o endividamento engate uma curva de alta, encerrando apenas após o fim do isolamento e a melhora do mercado de trabalho.

Ainda de acordo com Rafael, para o mês de junho espera-se uma continuidade da elevação da taxa de endividamento, devido às demissões, paralisações dos setores e baixo ritmo de contratação.

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