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Estaleiro Atlântico Sul negocia nova encomenda

Empreendimento deu início ao último corte de chapa das encomendas da Petrobras, mas garantiu que não haverá demissões até fim do ano por conta de novas negociações

Estaleiro Atlântico SulEstaleiro Atlântico Sul - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco/arquivo

Ainda em busca de novas encomendas que possam assegurar a sua sobrevivência, o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) deu um passo decisivo no processo de conclusão dos navios contratados pela Petrobras. O empreendimento iniciou o último corte de chapa dessa série de embarcações, o que, na visão do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal-PE), poderia abrir caminho para as primeiras desmobilizações. O EAS garante, por sua vez, que não haverá demissões pelo menos até o fim deste ano e ainda diz que talvez elas nem aconteçam, pois um novo negócio estaria prestes a ser fechado.

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“Estamos trabalhando em um projeto novo que prevê no mínimo quatro navios de cabotagem. E isso está bem avançado”, garantiu o presidente do EAS, Harro Burmann, contando que essa série de embarcações está sendo negociada com a iniciativa privada e não mais com a Petrobras. Ele calculou ainda que, se realmente for conquistada, essa encomenda pode dar uma sobrevida de pelo menos mais dois anos para o estaleiro pernambucano. Mas admitiu que essas embarcações são menores que as que têm sido produzidas para a Petrobras. Por isso, é possível que o quadro de pessoal do EAS, que hoje emprega 3,3 mil pessoas, fique menor no próximo ano, caso os contratos do empreendimento se limitem a essa série destinada à cabotagem.

Mesmo assim, Burmann garantiu que não estão previstas demissões no curto prazo dentro do EAS. Ele disse que, caso alguma das etapas produtivas do estaleiro termine o seu trabalho antes das novas encomendas, como pode acontecer com o corte de chapas, o pessoal será realocado para outros serviços. Além disso, o empreendimento está tentando negociar um programa de lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) com o Governo Federal. “Estamos nos esforçando ao máximo para garantir a manutenção do emprego. Mas é claro que, se não revertermos a redução do conteúdo local de 40%, não vamos conseguir manter todas as atividades”, ponderou Burmann, dizendo que a virada do ano será decisiva para essa questão do emprego e lembrando que a falta de encomendas está relacionada à política de conteúdo local que reduziu a exigência da participação brasileira nos navios que atuam no País. "É isso que realmente nos preocupa, pois a Petrobras está afretando navios de fora em vez de construir, mantendo os empregos da indústria naval, no Brasil", reclamou Burmann.

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