Estaleiros voltam a demitir operários

O Sindmetal-PE contabilizou 40 desligamentos apenas nesta terça (1) no Atlântico Sul e no Vard

Trabalhadores em suspense devido à crise no setor navalTrabalhadores em suspense devido à crise no setor naval - Foto: Maurício Ferry/Arquivo Folha

O futuro da indústria naval em Pernambuco permanece incerto. Enquanto a ausência de novos contratos e as dívidas pressionam o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) e o Vard Promar, ambos em Suape, os trabalhadores dos empreendimentos sofrem com o suspense. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do Estado (Sindmetal-PE), as demissões voltaram a assombrar os profissionais do setor. A entidade contabiliza cerca de 40 desligamentos, apenas na terça (1), no EAS e no Vard. As empresas, contudo, não confirmaram a informação.

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Indústria naval ameaçada em Pernambuco

Se confirmados, os desligamentos se somam aos já alarmantes números de fechamento de vagas em Pernambuco. Segundo o Sindmetal-PE, mais de seis mil empregos dependem desses empreendimentos. “Cerca de 26 mil empregos se somarmos aos indiretos nos dois estaleiros”, avalia o presidente do sindicato, Henrique Gomes.

Somente o Atlântico Sul já chegou a ter sete mil funcionários. Depois de perder várias encomendas da Transpetro (subsidiária da Petrobras), restaram 3,8 mil pessoas. “Estamos preocupados porque, sem novas encomendas, o EAS já disse que fecha as portas em 2019. Sem a conquista de novos contratos também não sabemos se o Vard, que vem reduzindo seu quadro, se mantém até o próximo ano”, considerou Gomes.

O presidente do sindicato informou que, durante audiência pública no mês passado, na Câmara de Vereadores do Recife, representantes do Governo do Estado sinalizaram a liberação de R$ 500 milhões para o Estaleiro Atlântico Sul. O valor traria alívio para a operação, cuja dívida total é de R$ 1,6 bilhão até 2027. O próprio governador Paulo Câmara chegou a pedir ao presidente do BNDES, Paulo Rabello, a liberação de R$ 697,9 milhões ao EAS. Porém, até onde se sabe, o dinheiro não chegou.

Diante da situação grave, além da liberação de empréstimos, o Sindmetal-PE defende uma solução abrangente para salvar negócios e empregos. “O dinheiro seria uma ação de curto prazo. É preciso um esforço do Governo para reforçar as carteiras dos empreendimentos e um conteúdo local de 65 %, garantindo esse percentual de participação da indústria local na cadeia para proteger investimentos e os Segundo Gomes, o setor também espera a edição de medida provisória para refinanciamento de dívidas junto ao BNDES. Essa decisão dependeria da Presidência da República. A reportagem não conseguiu respostas do Estaleiro Atlântico Sul, nem do Vard Promar.

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