EUA abrem guerra comercial contra a China e impõem tarifas bilionárias ao país

Trump impôs tarifas sobre US$ 50 bilhões em produtos chineses, em resposta ao que o governo afirma ser roubo da propriedade intelectual americana

Donald Trump, presidente dos EUADonald Trump, presidente dos EUA - Foto: Saul Loeb/AFP

Na ação mais significativa de seu governo contra o poderio econômico da China, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs nesta quinta (22) tarifas sobre US$ 50 bilhões em produtos chineses, em resposta ao que o governo afirma ser um roubo da propriedade intelectual americana.

O montante corresponde a cerca de 10% das exportações chinesas para os EUA.
O mandatário também determinou que sejam tomadas medidas para restringir o investimento chinês em empresas nos EUA, que estaria sendo feito de forma desleal, com o objetivo de absorver propriedade intelectual americana.

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A medida reforça a disputa de forças entre os EUA e a China -com uma especial escalada do governo Trump, que já qualificou o país asiático como uma "ameaça ao poder, à influência e aos interesses americanos".

A administração acusa a China de fazer aquisições e investimentos sistemáticos em companhias americanas, por meio de empresas controladas pelo Estado, para ter acesso a tecnologias específicas, usando regras de restrição à propriedade estrangeira no país para solicitar ou pressionar por sua transferência. O objetivo seria criar "campeões nacionais" chineses.

O valor de US$ 50 bilhões corresponde à perda anual de receita por empresas americanas no mercado asiático, em função das aquisições e transferências forçadas de tecnologia, segundo a estimativa do Departamento de Comércio. O governo americano também pretende ingressar com ações na OMC (Organização Mundial do Comércio), questionando supostas práticas discriminatórias da China contra empresas dos EUA.

Investigação
A medida foi considerada histórica pela Casa Branca, que destacou que ela foi baseada em um processo de investigação sobre práticas desleais da China - que durou pouco mais de seis meses e foi tido como: "extensivo, sólido e bem documentado".

O documento aponta, entre outros achados, que o governo chinês dificultou a presença de empresas dos EUA no país, por meio de exigências mais restritivas à tecnologia americana -o que restringiu seu acesso a uma boa parte do mercado global. Até mesmo táticas de invasão à rede de computadores dos EUA pelos chineses são mencionadas entre as conclusões do relatório.

Para Trump, a conduta da China "pode inibir as exportações dos Estados Unidos, privar os cidadãos americanos de uma remuneração justa por suas inovações, desviar empregos americanos para os trabalhadores na China, contribuir para o déficit comercial e prejudicar os serviços e a inovação americanos", segundo declarou no ano passado, ao autorizar a investigação.

As tarifas de importação serão aplicadas a uma lista de produtos chineses, definida pelo Escritório de Representação Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que será aberta a consulta pública pelos próximos 15 dias.

Ao contrário das tarifas contra o aço e o alumínio anunciadas por Trump no início do mês, as medidas contra a China têm amplo apoio da Casa Branca, do Congresso e do setor produtivo dos EUA, que identificam práticas desleais na forma como o país asiático se posiciona no mercado. Mas há temores de retaliação por parte da China, que é um dos maiores parceiros comerciais dos EUA. O país importou US$ 130 bilhões em produtos americanos no ano passado.

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