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Ex-BCs dizem que relação Bolsonaro-Guedes é casamento arranjado, sem amor sincero

Para Gustavo Franco, é um arranjo que atualmente funciona, mas de maneira precária

Ministro da economia Paulo Guedes, e o presidente da república Jair BolsonaroMinistro da economia Paulo Guedes, e o presidente da república Jair Bolsonaro - Foto: Flickr/Palacio do Planalto

Os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Franco e Pérsio Arida afirmaram que a relação do presidente Jair Bolsonaro com a área econômica do governo é um casamento arranjado, sem amor verdadeiro.

Para o primeiro, é um arranjo que atualmente funciona, mas de maneira precária. Para o segundo, essa pode ser a explicação sobre a timidez da área econômica em propor políticas verdadeiramente liberais.

"Após a vitória [na eleição] aparece um projeto econômico que a gente pode descrever como um casamento arranjado entre o projeto político de Bolsonaro e essa gente que encanta muito os que estão aqui nesta sala", afirmou Gustavo Franco a uma plateia de representantes do mercado financeiro durante a Latin America Investment Conference 2020, evento promovido pelo banco Credit Suisse.

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"Nada contra casamento arranjado. Se for funcional, principalmente. Não dá para se queixar hoje. As coisas estão funcionando, um pouco precárias, mas estão. Não é amor sincero, mas está funcionando."

Pérsio Arida, que também foi presidente do BC na gestão FHC, disse que concordar com Franco.

"Esse governo é muito menos liberal na política econômica do que o discurso que ele vende. Na abertura comercial, não aconteceu praticamente nada. Na privatização, não aconteceu nada. Um ano de casamento arranjado, como disse o Gustavo, sem amor verdadeiro."

Ele disse ainda que o governo deveria avançar para acabar com o FGTS e o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e afirmou que as propostas enviadas ao Congresso são tímidas, considerando que os parlamentares têm hoje um perfil mais reformista e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), abraçou essa agenda.

Arida disse ainda que chamar a venda de subsidiárias de privatização é uma enganação, pois o dinheiro não está indo para o caixa do governo, mas apenas reforçando as próprias estatais.

Terceiro debatedor que compôs o painel, o também ex-presidente do BC Armínio Fraga, colunista da Folha, afirmou que é preciso avançar em alguns temas, como complementar a Reforma da Previdência, fazer a Reforma Administrativa e cortar subsídios.

Ele também afirmou que o programa do governo não é tão liberal assim e disse ver pouco espaço para que o país cresça acima de 2% sem realizar essas reformas.

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