Fábrica da Jeep terá parada técnica

Empreendimento vai parar a produção nos próximos dias 15, 19 e 23 por conta da crise argentina, que reduziu as exportações

Fábrica da Jeep em GoianaFábrica da Jeep em Goiana - Foto: Peu Ricardo/Arquivo Folha de Pernambuco

Operando há pouco mais de três anos, a Fábrica da Jeep de Goiana deve alcançar a marca de meio milhão de veículos produzidos neste mês de outubro. A conquista será revelada nesta terça-feira (9), em evento que pode até contar com a presença do presidente da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) para a América Latina, Antonio Filosa. Porém, é anunciada uma semana antes de a planta realizar uma parada estratégica de produção para se adequar ao novo cenário externo, que prevê menos exportações por conta da crise argentina.

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A parada técnica está marcada para os próximos dias 15, 19 e 23, na fábrica e nas empresas do seu parque de fornecedores, e deve evitar a fabricação de 2.790 novos automóveis. Afinal, com a implantação do terceiro turno produtivo, em março deste ano, a fábrica passou a produzir 930 veículos/dia.

Procurada, a Jeep afirmou que a parada visa “ajustar a produção à redução na demanda por exportações para mercados da região”. A montadora explicou que, apesar de continuar liderando as vendas de SUV’s no Brasil com o Jeep Compass, será afetada pelo cenário externo. Afinal, a Argentina, que é o seu principal parceiro comercial fora do Brasil, enfrenta uma grave crise e teve que reduzir as importações devido às dificuldades econômicas.

A marca, porém, não foi a única afetada pela crise argentina. Segundo a Anfavea, várias fábricas precisaram se adaptar a essa situação, pois os hermanos respondiam por 70% de todas as exportações da indústria automotiva brasileira até agosto. Em setembro, porém, essas vendas levaram um baque, fazendo com que essa participação caísse para 50%. “O número de veículos exportados em setembro foi de 39,4 mil unidades, bem inferior aos dos meses anteriores (em agosto, por exemplo, as exportações somaram 56,1 mil unidades). E a principal razão foi a queda substancial do mercado argentino, que é o nosso maior mercado externo”, falou o presidente da Anfavea, Antonio Megale, dizendo que a produção nacional refletiu essa queda do mercado externo.

Dados da Anfavea mostram que o número de automóveis produzidos no Brasil caiu 23,5%, passando de 291,5 mil para 223,1 mil, entre agosto e setembro deste ano. “As fábricas fizeram seus ajustes para compensar essa situação de exportação”, explicou Megale, que espera uma melhora neste mês.

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