'Faltava vontade política para fechar acordo', diz chanceler brasileiro

Para Araújo, que é crítico do globalismo, o pacto se insere "nas linhas de ação da política externa e comercial do Brasil

Ministro das Relações Exteriores visita Argentina. Ministro das Relações Exteriores visita Argentina.  - Foto: MANDEL NGAN / AFP

O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, disse nesta sexta-feira (28), em Bruxelas, que o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia levou 20 anos para ser concluído porque "faltava vontade política dos principais atores, certamente do lado do Brasil". "A grande diferença é a determinação política do presidente Jair Bolsonaro", afirmou o ministro, que antes falara em "dia histórico para o nosso governo".

Para Araújo, que é crítico do globalismo, o pacto se insere "nas linhas de ação da política externa e comercial do Brasil: competitividade, abertura ao mundo, integração e reconexão com parceiros tradicionais, com conjunção com os parceiros de Mercosul".

Em outubro de 2018, pouco após o anúncio da vitória de Bolsonaro na eleição, o hoje ministro da Economia Paulo Guedes, disse que o bloco sul-americano não era uma prioridade da futura gestão.

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Na sexta, depois de destacar a contribuição da Argentina (que presidia a atual rodada de tratativas, pelo lado do Mercosul), Araújo afirmou que o acerto valoriza o consórcio regional como plataforma negociadora.

Para Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior, que também participou da última rodada de negociações, "é como apertar o botão de reiniciar pro Mercosul". "O bloco foi durante muito tempo uma caixa de ressonância de interesses ideológicos. Dava opinião sobre processo de paz no Oriente Médio, se a Crimeia pertencia a este ou àquele país, mas não fazia coisas básicas de integração econômica ou logística. Isso abre portas, por exemplo, para a revisão da tarifa externa comum."

Segundo Araújo, o pacto "reforça o papel do Brasil como ímã de economia de mercado e democracia na região", por envolver um parceiro comprometido com valores democráticos e de liberdade, inclusive econômica.

O ministro afirmou que as "duras" dadas no governo brasileiro nesta semana pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e pela chanceler alemã, Angela Merkel, no que se refere à política ambiental não tiveram impacto na reta final das conversas.

Mais cedo, a comissária europeia para o Comércio, Cecilia Malmström, dissera que o ritmo das negociações havia se acelerado no começo de 2019, com a posse do novo governo brasileiro, "que tinha nesse acordo uma de suas prioridades". Segundo ela, "o clima internacional ajudou a nos convencer de que era hora de concluir esse acordo". Ela se referia à guerra comercial entre EUA e China.

Malström ressaltou que o texto fechado entre as partes tem provisões acerca da proteção ambiental e adesão ao Acordo de Paris sobre a mudança climática –a íntegra do documento será divulgada neste fim de semana.

Na campanha de 2018, Bolsonaro declarou que poderia tirar o Brasil do pacto firmado na capital francesa em 2015. Na quinta (27), Macron afirmou que, se a posição do então candidato se mantivesse, a França não assinaria qualquer acordo comercial com o Brasil.

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