economia

Fatia do Brasil na produção industrial mundial é a menor dos últimos 31 anos

País também perde uma posição do ranking global de exportações em 2021

Produção industrialProdução industrial - Foto: Wenderson Araujo/CNA/Trilux

Um estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta sexta-feira (14), mostra que a participação da produção brasileira de bens industriais em relação ao total fabricado no mundo caiu de 1,31%, em 2020, para 1,28% no ano passado, levando o Brasil à menor taxa dos últimos 31 anos.

O setor industrial também perdeu posição no ranking de exportações. O crescimento de 0,77% para 0,81% no ano passado não foi suficiente para evitar que o país saísse do 30 º para o 31º lugar entre os maiores exportadores do planeta.

O estudo destaca que o Brasil, no caso da produção, foi ultrapassado pela Turquia e, entre os exportadores, agora está atrás da Indonésia. Segundo a CNI, a perda de posições no ranking mundial confirma a queda de competitividade verificada nos últimos anos.

Chineses lideram em produção e exportação
A CNI também analisou os 11 principais parceiros comerciais do país: Alemanha, Argentina, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Itália, Japão, México, Países Baixos e Reino Unido. Entre eles, a China registrou o melhor desempenho na produção e na exportação de bens industriais: aumento de 30,08% para 30,45% do total de bens produzidos; e expansão de 17,10% para 18,43% das exportações mundiais.

De acordo com o estudo, as exportações mundiais caíram 5,3% em 2020, e a estimativa da CNI indica um aumento de 20,4% em 2021. No Brasil, o ritmo de queda nas exportações em 2020 representa mais que o dobro da média mundial (12,6%) e, para 2021, a estimativa é de um crescimento de 26,3%, acima da média global.

Considerando o desempenho brasileiro e de seus 11 principais parceiros comerciais, além do Brasil, a China, a Argentina e os Países Baixos devem registrar tímido aumento nas respectivas participações – ao contrário de todos os demais países, que devem ter queda.

A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, ressaltou que o aumento estimado pela CNI não deve ser suficiente para manter ou posicionar melhor o Brasil no ranking mundial. Isto porque o percentual está abaixo do registrado antes da pandemia de Covid-19 e não há sinais de que o país conseguirá reverter a tendência de queda iniciada em 2012.

"Para reverter essa trajetória de perda de participação nas exportações de bens industriais, precisamos de uma estratégia nacional de comércio exterior, que enderece os velhos desafios de competitividade como a burocracia e os resíduos tributários nas exportações e, ao mesmo tempo, amplie e aprimore nossas redes de acordos comerciais para evitar dupla tributação com parceiros estratégicos" disse Constanza Negri.

Para ela, a Coreia do Sul, a Alemanha e o Japão devem registrar as maiores perdas de participação entre 2020 e 2021, considerando os parceiros comerciais do Brasil avaliados. Mesmo assim, os dois últimos países tendem a se manter na segunda e na quarta posições no ranking dos maiores exportadores mundiais, respectivamente. Já para a Coreia do Sul, a previsão é que sejam perdidas duas posições no ranking, levando o país ao 8º lugar.

Menor patamar desde 1990
Com a queda da participação brasileira na produção mundial da indústria de transformação, o Brasil ocupa a menor fatia desde 1990 e mantém a tendência de queda desde 1996, informa a CNI.

O país se manteve entre os dez maiores produtores industriais do mundo até 2014 mas, com a recessão de 2014 a 2016 e a desvalorização do real, perdeu posições para o México e a Indonésia; em 2018, foi ultrapassado por Taiwan e Rússia; e no dado mais recente, em 2021, perdeu espaço para a Turquia.

Os autores do estudo constataram que, entre os principais parceiros comerciais do Brasil, a China e os EUA registraram os melhores desempenhos. Entre 2020 e 2021, a participação dos EUA no valor adicionado da indústria de transformação mundial cresceu de 16,59% para 16,76%.

Em relação à perda de participação entre 2020 e 2021, no caso do valor adicionado da indústria de transformação, o Japão e a Alemanha registraram os maiores índices. No entanto, ambos mantiveram, respectivamente, a terceira e a quarta posições no ranking mundial.

O estudo aponta, ainda, que a Coreia do Sul foi ultrapassada pela Índia no ranking mundial e caiu para a sexta colocação. Em 2021, a produção industrial na Coreia do Sul diminuiu 2,32%, enquanto a Índia registrou aumento de 1,51%, segundo estimativa da Unido. A participação indiana cresceu de 3,11%, em 2020, para 3,16%, em 2021.

No ranking mundial de exportações, os cinco principais países são China (30,45%), EUA (16,76%), Japão (7,01%), Alemanha (4,76%) e Índia (3,16%). Na produção mundial, o ranking é liderado por China (18,43%), Alemanha (8,60%), EUA (8,07%), Japão (3,90%) e Hong Kong (3,67%).

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