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Fazenda se reúne com bancada do agro: como governo quer contornar renegociação de dívidas rurais

Equipe econômica apresentará proposta alternativa para projeto de renegociação de dívidas para líderes da FPA

Ministro da Fazenda, Dario DuriganMinistro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reúne nesta terça-feira com integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para apresentar uma proposta alternativa ao projeto de renegociação de dívidas de produtores rurais aprovado pelo Senado.

O encontro foi articulado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas será conduzido por representantes do governo e da bancada ruralista.

Além de Durigan, devem participar da reunião o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS). Representando a FPA estarão o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da bancada, o deputado Afonso Hamm (PP-RS), apontado nos bastidores como possível relator da proposta na Câmara, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS).

A expectativa é que a equipe econômica apresente uma alternativa ao texto aprovado pelo Senado, restringindo o alcance da renegociação das dívidas para reduzir seu impacto sobre as contas públicas. A proposta do governo deve concentrar o atendimento em produtores atingidos por eventos climáticos, especialmente aqueles afetados pela seca no Rio Grande do Sul e por estiagens.

A reunião faz parte da estratégia construída entre o Palácio do Planalto e a presidência da Câmara para evitar que avance na Casa o texto aprovado pelos senadores. Segundo estimativa do Ministério da Fazenda, a versão atual do projeto pode gerar um impacto de cerca de R$ 140 bilhões ao longo de dez anos. O montante, contudo, é questionado pela FPA.

Nos bastidores, Motta tem afirmado a interlocutores que a Câmara já aprovou uma série de medidas de interesse da Frente Parlamentar da Agropecuária, mas avalia que o projeto, da forma como foi ampliado no Senado, tem um custo elevado demais para as contas públicas. A avaliação compartilhada entre o comando da Câmara e a equipe econômica é de que o país não tem condições de absorver esse impacto fiscal.

O projeto foi aprovado pelo Senado em junho, apesar das resistências da Fazenda. O texto amplia uma proposta que havia sido aprovada anteriormente pela Câmara com escopo mais restrito, voltada ao apoio de produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos.

Durante a tramitação no Senado, porém, a abrangência foi ampliada para incluir também produtores atingidos por impactos econômicos decorrentes de conflitos internacionais, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além de prever uma linha especial de refinanciamento com juros reduzidos e prazos mais longos.

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