Flybondi ficou quase duas semanas sem voar na Argentina e agora enfrenta restrições no Brasil
Companhia aérea de baixo custo está operando com apenas quatro de seus 13 aviões e perdeu espaço no mercado argentino, onde fica sua sede
A decisão da Agência Nacional de Aviação Civil ( Anac) de limitar a venda de passagens da Flybondi no Bras il é mais um capítulo da crise enfrentada pela companhia aérea argentina.
A empresa, que já cancelou 79% dos voos registrados no Brasil este mês, paralisou as decolagens no país vizinho por quase duas semanas, reduziu a frota ativa a quatro dos 13 aviões e teve forte perda de participação no mercado argentino.
Criada como a primeira companhia aérea de baixo custo do país, a empresa começou a operar em 2018, com a proposta de tornar as viagens de avião mais acessíveis e competir com os ônibus de longa distância.
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Segundo informações do jornal La Nación, a companhia chegou a se tornar a terceira maior do mercado doméstico argentino, com uma participação de 9%, mas passou a enfrentar dificuldades após os primeiros anos de expansão.
O fechamento do Aeroporto de El Palomar no fim de 2020, durante a pandemia, obrigou as companhias de baixo custo a transferirem suas operações para o Aeroparque, em Buenos Aires, onde havia menos espaço para o crescimento da malha.
A crise se aprofundou ao longo de 2026. Ainda segundo o jornal argentino, a Flybondi chegou a operar cerca de 20 aviões por dia no início do ano, mas reduziu sua capacidade para uma frota total de 13.
Em junho, realizou 803 dos 2.626 voos programados e cancelou os outros 1.823, o equivalente a quase 70% do total, em meio a dificuldades para pagar pelo combustível fornecido pela petrolífera YPF.
O querosene de aviação (QAV) subiu de preço devido ao salto do petróleo, desde a guerra no Irã, deflagrada em 28 de fevereiro, dificultando a operação das companhias aéreas como um todo, especialmente as low-costs.
Quase duas semanas sem voar
A situação se agravou ainda mais em julho, quando a companhia ficou quase duas semanas sem realizar voos de passageiros. A Flybondi não operava desde o dia 3 e só retomou as atividades no dia 14, após chegar a um acordo com a petrolífera YPF para o fornecimento de combustível.
De acordo com o La Nación, a empresa já precisava pagar antecipadamente para abastecer os aviões devido a atrasos anteriores. Sem recursos disponíveis, a companhia ficou sem combustível e interrompeu as operações.
Além das dívidas com fornecedores, o jornal relatou atrasos em obrigações trabalhistas e pagamentos relacionados às tripulações.
Mesmo após a retomada, a operação permaneceu limitada. Em 15 de julho, a Flybondi contava com quatro aviões em funcionamento, do total de 13. A empresa previa incorporar uma quinta unidade, mas o La Nación não encontrou confirmação de que isso tenha ocorrido.
A companhia tinha cerca de 750 funcionários, parte deles afastada temporariamente após um acordo trabalhista.
Perda de espaço no mercado
Os problemas operacionais também reduziram a presença da Flybondi no mercado argentino. Em maio, a empresa transportou 70,9 mil passageiros em voos domésticos, 66% abaixo dos 205,5 mil registrados no mesmo mês de 2025. Com isso, sua participação caiu de 16% para 6%, uma perda de 10 pontos percentuais, como informou o La Nación.
No Brasil, a empresa tem uma pequena participação no mercado. Representou 2,9% dos voos internacionais em janeiro, quando transportou o maior número de passageiros desde o início de sua atuação no país (88,4 mil).
A Flybondi anuncia em seu site 21 destinos na Argentina, no Brasil e no Paraguai. Entre eles estão as cidades brasileiras de Florianópolis, Maceió, Rio de Janeiro e Salvador. Apesar disso, apenas a rota para o Rio já havia começado a ser operada.
A Anac proibiu a venda de passagens para as outras três cidades brasileiras, além de impedir a companhia de ampliar sua malha no país.
A Agência também determinou que a venda de passagens para a rota Buenos Aires–Rio de Janeiro (Galeão) será suspensa a partir de 3 de agosto caso a empresa não comprove, até essa data, que adotou medidas para garantir a regularidade da operação.

