FMI reduz a 3% sua previsão de crescimento mundial para 2019

A revisão consideravelmente em baixa - com um corte de 0,4 ponto percentual em 2019, e 0,5, em 2020 - reflete uma redução nas perspectivas para Brasil e México

Sede do FMI em Washington, nos Estados UnidosSede do FMI em Washington, nos Estados Unidos - Foto: Zach Gibson/AFP

O crescimento da economia mundial - pressionada pelas tensões comerciais - será de 3% em 2019, seu nível mais baixo desde a crise financeira, de acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) que reduzem as projeções feitas em julho em 0,2 percentual.

"A economia mundial está em desaceleração sincronizada, com um novo corte na previsão de crescimento para 2019 a 3%, sua taxa mais baixa desde a crise financeira global", disse o FMI nesta terça-feira (15) em seu relatório "Perspectivas para o Crescimento da Economia Mundial" (em tradução livre do informe em inglês "World Economic Outlook").

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Em relação à América Latina, as previsões também foram reduzidas para 0,2%, em 2019, e 1,8%, em 2020.

A revisão consideravelmente em baixa - com um corte de 0,4 ponto percentual em 2019, e 0,5, em 2020 - reflete uma redução nas perspectivas para Brasil e México, explicou o FMI. No caso do Brasil, se, em 2019, o país registrará um crescimento de 0,9% (+0,1), a previsão para 2020 é de 2,0%, um recuo de 0,4%.

O Fundo também atualizou seus cálculos para a Argentina, prevendo uma contração do PIB de 3,1% em 2019.

Especificamente sobre a Venezuela, as previsões de inflação - calculadas em 1.000.000% para 2019 - caíram para um nível de 200.000%, com uma contração da economia de 35%.

O FMI previu um aumento de preços de 200.000% em 2019 e de 500.000% em 2020, de acordo o relatório que alerta que é difícil fazer projeções sobre a Venezuela, devido à "falta de diálogo com as autoridades".

As previsões de crescimento nos Estados Unidos para 2019 foram de 2,4%, devido à incerteza sobre as tensões comerciais.

"Para os Estados Unidos, a incerteza nas questões comerciais teve um efeito negativo no investimento, mas o emprego e o consumo permanecem fortes, também impulsionados por políticas de estímulo", afirmou o FMI em seu estudo.

Na zona euro, as previsões de crescimento em 2020 foram reduzidas, devido à situação da principal economia europeia, a Alemanha, afetada pelo estresse global do comércio.

Os 19 países do euro crescerão como um todo no ano que vem em 1,4%, após 1,2% em 2019, estima a instituição, que reduz sua previsão anterior em julho em dois décimos e um décimo, respectivamente.

Para a Alemanha, a diferença é maior. Agora, o FMI espera uma expansão de 1,2% em 2020, uma redução de meio ponto percentual em relação a julho, e de 0,5%, em 2019 (-0,2).

Juntamente com os países emergentes, a zona do euro é uma das causas da desaceleração econômica global. Essa situação pode se deteriorar no próximo ano, segundo a instituição com sede em Washington, em um contexto de discussões do divórcio entre a UE e o Reino Unido.

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