Fundos que administram R$ 65 trilhões pedem ao Brasil que proteja Amazônia

Por outro lado, os fundos de investimento elogiaram duas iniciativas do setor privado brasileiro, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura

AmazôniaAmazônia - Foto: Lula Sampaio/AFP

Em comunicado conjunto, 230 fundos de investimento, que juntos administram US$ 16 trilhões (R$ 65 trilhões), exortaram o Brasil a adotar medidas eficazes para proteger a floresta amazônica contra o desmatamento crescente.

"Estamos preocupados com o impacto financeiro que o desmatamento pode ter sobre as empresas investidas, aumentando potencialmente os riscos de reputação, operacionais e regulatórios. Considerando o aumento das taxas de desmatamento e os recentes incêndios na Amazônia, estamos preocupados com o fato de as empresas expostas a desmatamento potencial em suas operações e cadeias de suprimentos brasileiras enfrentarem uma dificuldade crescente para acessar os mercados internacionais", diz a nota divulgada nesta quarta-feira (18).

"Como investidores, que têm o dever fiduciário de agir no melhor interesse de longo prazo de nossos beneficiários, reconhecemos o papel crucial que as florestas tropicais desempenham no combate às mudanças climáticas, na proteção da biodiversidade e na manutenção dos serviços ecossistêmicos", diz o texto, subscrito por fundos de 30 países.

"O desmatamento na região pode potencialmente aproximar perigosamente todo o ecossistema de um ponto de inflexão, após o qual a floresta tropical não será capaz de se manter, gradualmente se transformando em um sistema mais parecido com a savana, muito mais seca, menos biodiversa e que armazena significativamente menos carbono", afirma o texto.

Por outro lado, os fundos de investimento elogiaram duas iniciativas do setor privado brasileiro, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Em comunicados recentes, ambos criticaram o desmatamento sem controle.

Somados, esses fundos gerem o equivalente a 9,5 vezes do valor do PIB brasileiro de 2018. Entre eles está a gestora britânica Abeerden, que tem participação na BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, e em outras empresas do país.

Na avaliação da ONG norueguesa Rainforest Foundation Norway (RFN, na sigla em inglês), o comunicado conjunto de um grupo tão grande de fundos de investimento em defesa da Amazônia é uma ação sem precedentes.

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"Esse documento deveria ser um alerta definitivo para os negócios cúmplices do desmatamento. Caso percam o capital dos investidores, eles se arriscam a quebrar", diz Vemund Olsen, conselheiro da RFN, em nota.

Em declarações recentes, o governo Jair Bolsonaro (PSL) tem refutado ou minimizado as mudanças climáticas e o desmatamento ilegal, além de rechaçar críticas vindas de países como França e Alemanha.

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